<font color=0094E0>«O sol quando nasce é para todos»</font>
A exposição que vai estar patente no espaço de Ciência e Tecnologia do Pavilhão Central da Festa do Avante! é, este ano, dedicada aos recursos energéticos.
O título, «O sol quando nasce é para todos», elege as energias alternativas como solução para a grave crise de recursos que o mundo atravessa, e a luta dos povos contra o capitalismo como único caminho para preservação da vida à face da terra.
Fomos falar com o colectivo de camaradas responsáveis pela organização da mostra e procurámos saber, a menos de um mês do início da Festa, o que se está a preparar.
Como vai ser tratado na exposição o tema dos recursos energéticos, que é o objecto central do espaço de Ciência e Tecnologia?
Fernando Vicente: O que pretendemos por à consideração das pessoas é que a energia não é um conceito novo, que há muitas formas que as pessoas não conhecem como energia, as quais nem pensam poder aproveitar.
Estamos num momento histórico em que a questão tem muito a ver com o futuro do planeta, por isso começamos a exposição com uma figuração do calendário geológico onde se pode verificar o que se acumulou ao longo de milhões e milhões de anos, que, ao ritmo actual, vai ser gasto pela humanidade em cerca de dois séculos. Essa acumulação de energia, cuja principal e única fonte é o sol, assume-se como determinante para a vida da humanidade.
Esta exposição visa também incitar um «regresso ao sol» - que aliás esteve sempre presente, quer na mitologia das civilizações antigas, quer na expressão artística, na pintura, na literatura - sob o ponto de vista de que o futuro da humanidade passa pelas energias renováveis alternativas. Isto tem consequências para o capital, interessado em vender as formas de energia de que se apropriou em guerras de rapina.
Esta é a vertente política importante. A pesquisa de novas energias não são incentivadas em nome do bem do homem e, o desenvolvimento tecnológico, ao qual estão associadas, torna ou não rentável a adopção de outras formas não poluentes e não esgotáveis. Como o capital não está interessado com o futuro do planeta...
Sílvia Silva: Teremos uma fase inicial em que fazemos referência a essa raiz histórica, filosófica, literária, mitológica, todo um passado que nos ajuda a compreender o presente. Depois um enquadramento para explicar o que são as energias renováveis e as não renováveis, fazendo referência a parques solares, eólicos, à geotermia, aos edifícios solares passivos, aos transportes e à poupança como uma forma de energia, tentando sensibilizar para estas e outras questões.
No contexto do consumo e da produção ao nível mundial vamos abordar o relacionamento entre desenvolvimento e energia e, numa perspectiva política, culminamos com o futuro, as soluções, o desenvolvimento sustentado, e o racionamento de energia.
A exposição vai conter uma componente interactiva?
Anabela Silva: Um dos espaços da exposição, lúdico e de lazer, será reservado às experiências, muitos simples, em que as pessoas poderão interagir com os objectos. Haverá um painel que, fazendo o aproveitamento da energia para o aquecimento de água e produção de electricidade, nos permitirá servir café e bolo «solar». Neste contexto vai ser importante a colaboração das escolas, que nos permite, por exemplo, ter dois carros eléctricos de mobilidade sustentável, e um projecto de uma escola do concelho do Seixal de conversão de óleos para combustível, o chamado biodisel.
SS: Teremos uma forte componente de energia eólica, com um gerador de dois metros, uma nau, um catavento e um gerador, explicando o processo de evolução da utilização desta energia. Para além dos painéis, vamos ter brinquedos solares e outros materiais que as pessoas vão poder adquirir, e também artigos e revistas para consulta, fazendo com que tomem consciência do que se vai desenvolvendo.
Procura-se então levar a ciência a quem visita a exposição?
Lucinda Lopes: A cultura e a ciência não são neutras e as pessoas têm, em geral, muito poucos conhecimentos científicos. Daí a nossa preocupação em trazer a ciência e a tecnologia para a Festa, traduzindo tudo numa linguagem precisa mas muito simples, para que sejam facilmente compreensíveis as questões fundamentais.
Fazemo-lo pegando, por exemplo, numa ideia do Einstein, que afirma que «o mistério do mundo mais incompreensível é que ele seja compreensível».
FV: Também Sagan, quando diz que «a distância que vai da ciência à magia é o conhecimento», reflecte de forma espantosa um dos nossos objectivos com a exposição. É um apelo à dúvida.
Interessa-nos mostrar que estes fenómenos não são inacessíveis, não pertencem a mentes privilegiadas, que tudo isto faz parte da nossa vida. Mas também os riscos desproporcionados que a humanidade enfrenta, que está em causa o futuro do planeta, tudo ao serviço dos interesses e valores do capital.
Qual vai ser o enquadramento da actualidade política mundial?
Miguel Amaral: No âmbito que falaste vamos analisar as catástrofes ambientais e os problemas ecológicos na vertente do uso e apropriação das energias não renováveis, mostrando que há alternativas que só não são eficazes porque o capital não está interessado. Por outro lado, as tentativas internacionais para salvaguardar o ambiente, denunciando a sabotagem do capitalismo, a ânsia de dominar o conjunto dos recursos, os responsáveis pelo aquecimento global e a libertação de energias que eram ambientalmente inócuas, mas cujas formas de utilização, profundamente nocivas, comprometem seriamente as gerações vindoiras, tudo em nome do lucro de agora, o lucro comprado com o sacrifício do futuro.
E a expressão artística, também vai marcar presença na exposição?
LL: Vão decorrer sessões de leitura de poemas, não só ligados à energia, com o sol como mote, mas também à paz, nomeadamente a «Ode ao Petróleo» que encaixa muito bem na actualidade.
FV: Alguns dos autores que vamos abordar são bons exemplos. Miró, e as suas representações do sol; Camões, que falando das descobertas portuguesas e das navegações - apesar de ter mistificado e não lhe ter chamado energia - mostra como o homem dominou uma outra forma de energia, a força do vento; Cervantes, que com o Dom Quixote também refere a energia eólica; e a Pedra Filosofal, de António Gedeão, que é um hino à energia.
Espaço Astronomia
De nariz no ar
Uma das iniciativas que nos últimos anos mais gente tem cativado na Festa do Avante! é o espaço da Astronomia.
Situado junto ao lago, local privilegiado de descontraídos encontros e salutar convívio, o Pavilhão da Astronomia (PA) procura esclarecer os visitantes acerca da dinâmica astral, da actividade solar e da sua influência sobre o meio ambiente terrestre.
Dinamizado em colaboração com o Núcleo de Física do Instituto Superior Técnico e com a Associação Heliades, de Constância, o PA abre a possibilidade ao milhares de pessoas que todos os anos visitam a Quinta da Atalaia, de usarem telescópios e ver in locco objectos celestes impossíveis de verificar a «olho nu».
Durante os três dias da Festa estarão no terreno muitos camaradas e amigos que facultam a indispensável orientação didáctica e pedagógica para que possamos compreender o que está por cima das nossas cabeças. A única condição é, pelo menos durante a visita, prometer andar de nariz no ar.
Fernando Vicente: O que pretendemos por à consideração das pessoas é que a energia não é um conceito novo, que há muitas formas que as pessoas não conhecem como energia, as quais nem pensam poder aproveitar.
Estamos num momento histórico em que a questão tem muito a ver com o futuro do planeta, por isso começamos a exposição com uma figuração do calendário geológico onde se pode verificar o que se acumulou ao longo de milhões e milhões de anos, que, ao ritmo actual, vai ser gasto pela humanidade em cerca de dois séculos. Essa acumulação de energia, cuja principal e única fonte é o sol, assume-se como determinante para a vida da humanidade.
Esta exposição visa também incitar um «regresso ao sol» - que aliás esteve sempre presente, quer na mitologia das civilizações antigas, quer na expressão artística, na pintura, na literatura - sob o ponto de vista de que o futuro da humanidade passa pelas energias renováveis alternativas. Isto tem consequências para o capital, interessado em vender as formas de energia de que se apropriou em guerras de rapina.
Esta é a vertente política importante. A pesquisa de novas energias não são incentivadas em nome do bem do homem e, o desenvolvimento tecnológico, ao qual estão associadas, torna ou não rentável a adopção de outras formas não poluentes e não esgotáveis. Como o capital não está interessado com o futuro do planeta...
Sílvia Silva: Teremos uma fase inicial em que fazemos referência a essa raiz histórica, filosófica, literária, mitológica, todo um passado que nos ajuda a compreender o presente. Depois um enquadramento para explicar o que são as energias renováveis e as não renováveis, fazendo referência a parques solares, eólicos, à geotermia, aos edifícios solares passivos, aos transportes e à poupança como uma forma de energia, tentando sensibilizar para estas e outras questões.
No contexto do consumo e da produção ao nível mundial vamos abordar o relacionamento entre desenvolvimento e energia e, numa perspectiva política, culminamos com o futuro, as soluções, o desenvolvimento sustentado, e o racionamento de energia.
A exposição vai conter uma componente interactiva?
Anabela Silva: Um dos espaços da exposição, lúdico e de lazer, será reservado às experiências, muitos simples, em que as pessoas poderão interagir com os objectos. Haverá um painel que, fazendo o aproveitamento da energia para o aquecimento de água e produção de electricidade, nos permitirá servir café e bolo «solar». Neste contexto vai ser importante a colaboração das escolas, que nos permite, por exemplo, ter dois carros eléctricos de mobilidade sustentável, e um projecto de uma escola do concelho do Seixal de conversão de óleos para combustível, o chamado biodisel.
SS: Teremos uma forte componente de energia eólica, com um gerador de dois metros, uma nau, um catavento e um gerador, explicando o processo de evolução da utilização desta energia. Para além dos painéis, vamos ter brinquedos solares e outros materiais que as pessoas vão poder adquirir, e também artigos e revistas para consulta, fazendo com que tomem consciência do que se vai desenvolvendo.
Procura-se então levar a ciência a quem visita a exposição?
Lucinda Lopes: A cultura e a ciência não são neutras e as pessoas têm, em geral, muito poucos conhecimentos científicos. Daí a nossa preocupação em trazer a ciência e a tecnologia para a Festa, traduzindo tudo numa linguagem precisa mas muito simples, para que sejam facilmente compreensíveis as questões fundamentais.
Fazemo-lo pegando, por exemplo, numa ideia do Einstein, que afirma que «o mistério do mundo mais incompreensível é que ele seja compreensível».
FV: Também Sagan, quando diz que «a distância que vai da ciência à magia é o conhecimento», reflecte de forma espantosa um dos nossos objectivos com a exposição. É um apelo à dúvida.
Interessa-nos mostrar que estes fenómenos não são inacessíveis, não pertencem a mentes privilegiadas, que tudo isto faz parte da nossa vida. Mas também os riscos desproporcionados que a humanidade enfrenta, que está em causa o futuro do planeta, tudo ao serviço dos interesses e valores do capital.
Qual vai ser o enquadramento da actualidade política mundial?
Miguel Amaral: No âmbito que falaste vamos analisar as catástrofes ambientais e os problemas ecológicos na vertente do uso e apropriação das energias não renováveis, mostrando que há alternativas que só não são eficazes porque o capital não está interessado. Por outro lado, as tentativas internacionais para salvaguardar o ambiente, denunciando a sabotagem do capitalismo, a ânsia de dominar o conjunto dos recursos, os responsáveis pelo aquecimento global e a libertação de energias que eram ambientalmente inócuas, mas cujas formas de utilização, profundamente nocivas, comprometem seriamente as gerações vindoiras, tudo em nome do lucro de agora, o lucro comprado com o sacrifício do futuro.
E a expressão artística, também vai marcar presença na exposição?
LL: Vão decorrer sessões de leitura de poemas, não só ligados à energia, com o sol como mote, mas também à paz, nomeadamente a «Ode ao Petróleo» que encaixa muito bem na actualidade.
FV: Alguns dos autores que vamos abordar são bons exemplos. Miró, e as suas representações do sol; Camões, que falando das descobertas portuguesas e das navegações - apesar de ter mistificado e não lhe ter chamado energia - mostra como o homem dominou uma outra forma de energia, a força do vento; Cervantes, que com o Dom Quixote também refere a energia eólica; e a Pedra Filosofal, de António Gedeão, que é um hino à energia.
Espaço Astronomia
De nariz no ar
Uma das iniciativas que nos últimos anos mais gente tem cativado na Festa do Avante! é o espaço da Astronomia.
Situado junto ao lago, local privilegiado de descontraídos encontros e salutar convívio, o Pavilhão da Astronomia (PA) procura esclarecer os visitantes acerca da dinâmica astral, da actividade solar e da sua influência sobre o meio ambiente terrestre.
Dinamizado em colaboração com o Núcleo de Física do Instituto Superior Técnico e com a Associação Heliades, de Constância, o PA abre a possibilidade ao milhares de pessoas que todos os anos visitam a Quinta da Atalaia, de usarem telescópios e ver in locco objectos celestes impossíveis de verificar a «olho nu».
Durante os três dias da Festa estarão no terreno muitos camaradas e amigos que facultam a indispensável orientação didáctica e pedagógica para que possamos compreender o que está por cima das nossas cabeças. A única condição é, pelo menos durante a visita, prometer andar de nariz no ar.