Romper a austeridade
A capital alemã ficou privada de transportes públicos, na sexta-feira e sábado, em resultado de uma expressiva greve convocada pelo sindicato Ver.di em defesa de aumentos salariais de oito por cento.
Vários sectores estão em luta por significativos aumentos salariais
Nenhum metro, autocarro ou eléctrico circularam em Berlim no final da semana passada. Os 11 500 trabalhadores da companhia pública BVG, que asseguram diariamente o transporte de 2,5 milhões de pessoas, aderiram maciçamente à greve, mostrando-se determinados a lutar pela recuperação do poder de compra perdido.
Esta firmeza foi reafirmada pelo Ver.di, sindicato dos serviços públicos locais, que recusou a oferta da administração de aumentos até seis por cento para algumas categorias, classificando-a como «pura provocação» (AFP, 01.02).
«Não aceitaremos que os empregadores façam economias à custa dos salários». «Se a administração não nos fizer uma proposta adequada, continuaremos o conflito», declarou, Andreas Splanemann, representante da secção berlinense do Ver.di.
Este sindicato e a Federação dos Funcionários Públicos Alemães (DBB) exigem uma actualização de oito por cento com a garantia de um aumento mínimo de 200 euros para todos os trabalhadores dos serviços públicos, o que representa a maior reivindicação salarial nos últimos 15 anos.
Em sua defesa, alegam que é preciso romper com a moderação salarial em vigor há mais de dez anos, responsável pela abrupta redução do poder de compra germânico. Segundo dados do próprio Ministério das Finanças alemão, o salário médio situa-se actualmente abaixo do nível de 1991, fruto de sucessivas actualizações que não cobrem os valores da inflação. Por exemplo, no ano passado os vencimentos subiram apenas dois por cento enquanto os preços galgaram em média 2,2 por cento.
Na área dos serviços de âmbito local, o Ver.di considera que os aumentos reclamados estão dentro das capacidades financeiras dos municípios, notando que estes beneficiaram nos últimos anos de fortes incrementos nas receitas fiscais. Em 2003, os impostos arrecadados foram de 47 mil milhões de euros enquanto em 2007 este ascenderam a 66 mil milhões.
Distribuir melhor a riqueza
Noutros sectores de actividade, os sindicatos fundamentam de modo semelhante as suas reivindicações, exigindo que os trabalhadores beneficiem de algum modo com o crescimento da economia que tem proporcionado lucros recorde às empresas.
«Os trabalhadores têm direito à sua parte nos lucros quando estes disparam», declarou Roberte Sadowski, representante do IG Metall na Renânia do Norte-Vestefália.
Pressionando o patronado para desbloquear as negociações salariais, o poderoso sindicato dos metalúrgicos realizou, na sexta-feira, 1, uma greve no grupo siderúrgico Salzgitter, na Baixa Saxónia. Outras paralisações estavam anunciadas para esta semana em várias unidades do grupo ThyssenKrupp, líder do sector. Os sindicatos reclamam oito por cento de aumento salarial para os 90 mil trabalhadores da metalurgia.
Face à degradação crescente dos salários e à ausência de acordos colectivos em vários ramos de actividade, as centrais sindicais têm vindo a defender a instauração de um salário mínimo de 7,5 euros por hora em toda a Alemanha. A ideia tem o apoio dos sociais-democratas, mas esbarra com a oposição do partido maioritário de Ângela Merkel, que admite a introdução do princípio apenas nos sectores onde a negociação colectiva não existe.
De acordo com um estudo do instituto económico IWH, em 2006, no território da ex-RDA, um em cada cinco trabalhadores auferia menos de 7,50 euros por hora (Le Monde, 03.02).
Esta firmeza foi reafirmada pelo Ver.di, sindicato dos serviços públicos locais, que recusou a oferta da administração de aumentos até seis por cento para algumas categorias, classificando-a como «pura provocação» (AFP, 01.02).
«Não aceitaremos que os empregadores façam economias à custa dos salários». «Se a administração não nos fizer uma proposta adequada, continuaremos o conflito», declarou, Andreas Splanemann, representante da secção berlinense do Ver.di.
Este sindicato e a Federação dos Funcionários Públicos Alemães (DBB) exigem uma actualização de oito por cento com a garantia de um aumento mínimo de 200 euros para todos os trabalhadores dos serviços públicos, o que representa a maior reivindicação salarial nos últimos 15 anos.
Em sua defesa, alegam que é preciso romper com a moderação salarial em vigor há mais de dez anos, responsável pela abrupta redução do poder de compra germânico. Segundo dados do próprio Ministério das Finanças alemão, o salário médio situa-se actualmente abaixo do nível de 1991, fruto de sucessivas actualizações que não cobrem os valores da inflação. Por exemplo, no ano passado os vencimentos subiram apenas dois por cento enquanto os preços galgaram em média 2,2 por cento.
Na área dos serviços de âmbito local, o Ver.di considera que os aumentos reclamados estão dentro das capacidades financeiras dos municípios, notando que estes beneficiaram nos últimos anos de fortes incrementos nas receitas fiscais. Em 2003, os impostos arrecadados foram de 47 mil milhões de euros enquanto em 2007 este ascenderam a 66 mil milhões.
Distribuir melhor a riqueza
Noutros sectores de actividade, os sindicatos fundamentam de modo semelhante as suas reivindicações, exigindo que os trabalhadores beneficiem de algum modo com o crescimento da economia que tem proporcionado lucros recorde às empresas.
«Os trabalhadores têm direito à sua parte nos lucros quando estes disparam», declarou Roberte Sadowski, representante do IG Metall na Renânia do Norte-Vestefália.
Pressionando o patronado para desbloquear as negociações salariais, o poderoso sindicato dos metalúrgicos realizou, na sexta-feira, 1, uma greve no grupo siderúrgico Salzgitter, na Baixa Saxónia. Outras paralisações estavam anunciadas para esta semana em várias unidades do grupo ThyssenKrupp, líder do sector. Os sindicatos reclamam oito por cento de aumento salarial para os 90 mil trabalhadores da metalurgia.
Face à degradação crescente dos salários e à ausência de acordos colectivos em vários ramos de actividade, as centrais sindicais têm vindo a defender a instauração de um salário mínimo de 7,5 euros por hora em toda a Alemanha. A ideia tem o apoio dos sociais-democratas, mas esbarra com a oposição do partido maioritário de Ângela Merkel, que admite a introdução do princípio apenas nos sectores onde a negociação colectiva não existe.
De acordo com um estudo do instituto económico IWH, em 2006, no território da ex-RDA, um em cada cinco trabalhadores auferia menos de 7,50 euros por hora (Le Monde, 03.02).