Contradições
São cada vez mais visíveis as contradições em que o capitalismo monopolista se atola, nesta sua fase profundamente agressiva do neoliberalismo, em que as discrepâncias entre a economia real e a economia de casino atingiram níveis tão elevados que permitiram ganhos escandalosos para o grupo restrito dos que vivem da utilização crescente dos mecanismos financeiros com expressão na roleta da bolsa, refugiando-se, quando os problemas surgem, nos paraísos fiscais que o próprio capitalismo financeiro cria e alimenta. E que servem de esconderijo quando os senhores poderosos dos grupos económicos e financeiros querem fugir ao fisco e a outras negociatas lucrativas que, nalguns países, de vez em quando são crimes, mas que, em Portugal, quase sempre conseguem fugir às malhas da justiça, até porque, na maioria dos casos, os protege a legislação aprovada pelos partidos que os apoiam, e que vão sucessivamente governando o país, mudando os rostos, mas mantendo as políticas.
Neste contexto, assume especial gravidade saber-se que as taxas de juro do crédito ao consumo, pagas pelos consumidores, são, em Portugal, as mais elevadas da União Europeia. Na Finlândia, por exemplo, as taxas médias situam-se nos 6%, enquanto a Alemanha pratica taxas de 8% e Portugal de 12%. O que tem permitido os lucros fabulosos do sector financeiro em Portugal, um dos grandes beneficiários da crise que a maioria dos portugueses está a viver, seja devido ao desemprego que alimenta o trabalho precário e os baixos salários, seja devido às baixas reformas e pensões e ao ataque aos serviços públicos e micro e pequenos empresários.
A perda constante de poder de compra da maioria da população portuguesa, nestes anos recentes, teve como consequência um crescimento exponencial de pedidos de empréstimos bancários e de recurso ao crédito ao consumo, que o sector financeiro explorou para aumentar os seus lucros fabulosos e compensar com ganhos principescos os administradores que conseguiram impor as taxas elevadas.
Desigualdades agravadasa
Aliás, é uma situação idêntica à de grupos económicos e grandes empresas, designadamente das que resultaram de privatizações de empresas públicas de sectores básicos e fundamentais para o desenvolvimento português, em nome de mais concorrência e de preços mais baixos aos consumidores, mas que, afinal, mantêm também preços que são dos mais elevados da União Europeia, como acontece, por exemplo, na electricidade, gás, combustíveis, telecomunicações. E os enormes lucros que têm apresentado nos últimos anos demonstram bem que a nova concentração de capital que se verifica em Portugal é acompanhada de maiores desigualdades na repartição e distribuição dos rendimentos, mesmo que novos cálculos usados pelo INE e Eurostat tenham conseguido o milagre de alguma redução dos valores, mas onde Portugal continua a ter uma grave situação de desigualdade na distribuição dos rendimentos, apenas ultrapassado pela Letónia nos 27 Estados que compõem a União Europeia.
Por isso, num momento em que era fundamental reanimar a economia, a questão da valorização dos salários e das reformas assume uma particular importância, aliada a mais investimento produtivo e melhores serviços públicos, para o que deveria contribuir uma descida da taxa orientadora do Banco Central Europeu, um maior investimento público sem o espartilho do tecto excessivamente baixo do défice orçamental, que o governo português teima em manter, com cobertura das políticas da União Europeia e do seu Pacto de Estabilidade.
Neste contexto, é particularmente escandaloso que o Conselho Europeu e o primeiro-ministro José Sócrates se mantenham passivos e calados perante uma reunião à porta fechada dos quatro grandes (Alemanha, França, Reino Unido e Itália) sobre a situação financeira nos EUA e as suas consequências para os interesses dos seus países, que identificam com os interesses da União Europeia. A verdade é que nem esperam pela ratificação do Tratado de Lisboa para já funcionarem como o directório que comanda a economia e os destinos dos 27. O presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, ainda bateu à porta, e lá conseguiu entrar, para saber o que há-de fazer.
Como sempre, a luta é o caminho para impedir que sejam sempre os mesmos a pagar a crise.
Neste contexto, assume especial gravidade saber-se que as taxas de juro do crédito ao consumo, pagas pelos consumidores, são, em Portugal, as mais elevadas da União Europeia. Na Finlândia, por exemplo, as taxas médias situam-se nos 6%, enquanto a Alemanha pratica taxas de 8% e Portugal de 12%. O que tem permitido os lucros fabulosos do sector financeiro em Portugal, um dos grandes beneficiários da crise que a maioria dos portugueses está a viver, seja devido ao desemprego que alimenta o trabalho precário e os baixos salários, seja devido às baixas reformas e pensões e ao ataque aos serviços públicos e micro e pequenos empresários.
A perda constante de poder de compra da maioria da população portuguesa, nestes anos recentes, teve como consequência um crescimento exponencial de pedidos de empréstimos bancários e de recurso ao crédito ao consumo, que o sector financeiro explorou para aumentar os seus lucros fabulosos e compensar com ganhos principescos os administradores que conseguiram impor as taxas elevadas.
Desigualdades agravadasa
Aliás, é uma situação idêntica à de grupos económicos e grandes empresas, designadamente das que resultaram de privatizações de empresas públicas de sectores básicos e fundamentais para o desenvolvimento português, em nome de mais concorrência e de preços mais baixos aos consumidores, mas que, afinal, mantêm também preços que são dos mais elevados da União Europeia, como acontece, por exemplo, na electricidade, gás, combustíveis, telecomunicações. E os enormes lucros que têm apresentado nos últimos anos demonstram bem que a nova concentração de capital que se verifica em Portugal é acompanhada de maiores desigualdades na repartição e distribuição dos rendimentos, mesmo que novos cálculos usados pelo INE e Eurostat tenham conseguido o milagre de alguma redução dos valores, mas onde Portugal continua a ter uma grave situação de desigualdade na distribuição dos rendimentos, apenas ultrapassado pela Letónia nos 27 Estados que compõem a União Europeia.
Por isso, num momento em que era fundamental reanimar a economia, a questão da valorização dos salários e das reformas assume uma particular importância, aliada a mais investimento produtivo e melhores serviços públicos, para o que deveria contribuir uma descida da taxa orientadora do Banco Central Europeu, um maior investimento público sem o espartilho do tecto excessivamente baixo do défice orçamental, que o governo português teima em manter, com cobertura das políticas da União Europeia e do seu Pacto de Estabilidade.
Neste contexto, é particularmente escandaloso que o Conselho Europeu e o primeiro-ministro José Sócrates se mantenham passivos e calados perante uma reunião à porta fechada dos quatro grandes (Alemanha, França, Reino Unido e Itália) sobre a situação financeira nos EUA e as suas consequências para os interesses dos seus países, que identificam com os interesses da União Europeia. A verdade é que nem esperam pela ratificação do Tratado de Lisboa para já funcionarem como o directório que comanda a economia e os destinos dos 27. O presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, ainda bateu à porta, e lá conseguiu entrar, para saber o que há-de fazer.
Como sempre, a luta é o caminho para impedir que sejam sempre os mesmos a pagar a crise.