Controverso
Morreu, finalmente, o sanguinário aliado dos norte-americanos, que durante mais de trinta anos tiranizou a Indonésia. Agora, depois de afastado, por incómodo, do poder que deteve, depois de morto e enterrado, aceita-se, na linguagem «politicamente correcta» dos media nacionais e internacionais, que Suharto houvesse sido má pessoa, corrupto e, mesmo, genocida.
A história recente está cheia destes ex-heróis que os Estados Unidos cultivaram por todos os continentes e a quem encomendaram, ordenaram e facilitaram o assassínio de milhões de pessoas. Pinochet, Sadam Hussein, o Xá da Pérsia, fazem parte dessa vasta e negra galeria que policiava o mundo em nome da Liberdade, da Democracia, dos Direitos Humanos e o espírito cristão e ocidental. Do médio Oriente à África – do Norte, do Meio e do Sul – ao Vietname, da América Latina aos remotos lugares da Ásia, os homens de mão dos EUA lançaram o terror sobre os povos, torturaram e assassinaram quem lhes resistia, ocupando os comunistas os primeiros lugares no morticínio, acompanhados de todos os que elevavam a voz pela democracia, pela justiça social e contra o imperialismo.
Por cá, é hoje de bom tom apontar os crimes de Suharto, já que o homem teve o desplante de, quando a hora era de Timor – longamente esquecido por todos menos pelo PCP – ter-se oposto à independência do povo mauber.
Mas será bom não esquecer que, aquando do golpe militar que derrubou Sukarno, o presidente indonésio suspeito de simpatias socialistas, a própria CIA forneceu ao golpista Suharto os primeiros 500 mil nomes de comunistas que foram assassinados nos primeiros dias. E que, nos cerca de dois milhões de assassinados, mais de milhão e meio pertenciam ao Partido Comunista da Indonésia.
Sobre esse crime monstruoso, nem uma palavra. Aliás, tem-se ouvido que, apesar dos seus crimes de corrupção e de sangue, o homem era... «controverso». Controverso também foi Pinochet, na linguagem neoliberal que lhe deu o galardão de ter conseguido o «milagre económico» no seu país, à custa da exploração desenfreada. «Controverso» é hoje a palavra para designar um assassino, um ditador, um corrupto.
«Controverso» terá sido, talvez, a palavra que Xanana terá invocado, para se deslocar ao funeral do assassino num avião da Indonésia.
A história recente está cheia destes ex-heróis que os Estados Unidos cultivaram por todos os continentes e a quem encomendaram, ordenaram e facilitaram o assassínio de milhões de pessoas. Pinochet, Sadam Hussein, o Xá da Pérsia, fazem parte dessa vasta e negra galeria que policiava o mundo em nome da Liberdade, da Democracia, dos Direitos Humanos e o espírito cristão e ocidental. Do médio Oriente à África – do Norte, do Meio e do Sul – ao Vietname, da América Latina aos remotos lugares da Ásia, os homens de mão dos EUA lançaram o terror sobre os povos, torturaram e assassinaram quem lhes resistia, ocupando os comunistas os primeiros lugares no morticínio, acompanhados de todos os que elevavam a voz pela democracia, pela justiça social e contra o imperialismo.
Por cá, é hoje de bom tom apontar os crimes de Suharto, já que o homem teve o desplante de, quando a hora era de Timor – longamente esquecido por todos menos pelo PCP – ter-se oposto à independência do povo mauber.
Mas será bom não esquecer que, aquando do golpe militar que derrubou Sukarno, o presidente indonésio suspeito de simpatias socialistas, a própria CIA forneceu ao golpista Suharto os primeiros 500 mil nomes de comunistas que foram assassinados nos primeiros dias. E que, nos cerca de dois milhões de assassinados, mais de milhão e meio pertenciam ao Partido Comunista da Indonésia.
Sobre esse crime monstruoso, nem uma palavra. Aliás, tem-se ouvido que, apesar dos seus crimes de corrupção e de sangue, o homem era... «controverso». Controverso também foi Pinochet, na linguagem neoliberal que lhe deu o galardão de ter conseguido o «milagre económico» no seu país, à custa da exploração desenfreada. «Controverso» é hoje a palavra para designar um assassino, um ditador, um corrupto.
«Controverso» terá sido, talvez, a palavra que Xanana terá invocado, para se deslocar ao funeral do assassino num avião da Indonésia.