A coutada
O presidente do PSD, Luís Filipe Menezes, reclamou alto e bom-som a partilha de lugares entre o PS e o PSD nas novas administrações da Caixa Geral de Depósitos (CGD) e do BCP, chegando ao desplante de justificar a coisa com «a tradição» da partilha da presidência da CGD e do Banco de Portugal entre os dois «partidos de Governo».
Rui Gomes da Silva, famoso homem de mão de Santana Lopes e agora vice-presidente do PSD, ajuntou em conferência de imprensa que tal partilha «é a regra que sempre existiu», sem sequer reparar que tal ilegalidade jamais foi mencionada por qualquer dos dois partidos que a «inventaram» e dela têm beneficiado.
O PS fingiu que se escandalizava, com o ministro da Presidência, Pedro Silva Pereira, a considerar «indecorosa» a proposta do líder do PSD por andar «a meter cunhas para nomear os seus amigos do PSD», enquanto horas depois o PS realizava pressurosamente a indecorosidade, nomeando para a presidência da CGD Faria de Oliveira, alto dignitário do PSD e ex-ministro de Cavaco Silva o que, aliás, propiciou a Rui Gomes da Silva a farronca de ter «obrigado o PS a ceder».
Quando o Governo de José Sócrates gizou esta saída para o interminável escândalo do BCP (transferência de Santos Ferreira, alto quadro do PS, da presidência da CGD para a presidência do BCP, ao mesmo tempo que se interditava a anterior administração do BCP a recandidatar-se ao cargo), houve algum burburinho na imprensa e entre os comentadores do costume protestando contra a «governamentalização» em curso nos dois maiores bancos portugueses, dirigidos em sucessão por um quadro do PS.
Tal indignação, apesar de flagrantemente apologista da liberalização e da «economia de mercado» sacralizada por toda esta gente, não contagiou Luís Filipe Menezes: o actual líder do PSD preferiu avaliar o bolo e exigir publicamente o seu quinhão. E fê-lo tão cruamente, que o ministro da Presidência não resistiu a chamar-lhe «indecoroso».
Está bem de ver que este arroubo de Pedro Silva Pereira não passava de fogo de vista: horas depois o PS cedia a Menezes pondo na CGD um homem do PSD, enquanto tratava, igualmente, de transferir para o BCP, como vice-presidente de Santos Ferreira, o extraordinário quadro do PS Armando Vara, que de obscuro funcionário bancário há umas décadas atrás se alcandoraria, nos últimos anos, a administrador da CGD e agora do BCP, tudo porque é um amigo do peito de José Sócrates e um diligente correligionário de António Guterres que, de resto, o integrou nos seus Governos, apesar de não se lhe conhecer qualquer competência profissional ou sequer académica de relevo. Provavelmente, agora até já será «doutor». Como se viu com a licenciatura de Sócrates, tirar cursos não é problema na nova direcção do PS.
Entretanto, ninguém fala na entrada em força do PS de Sócrates no mundo da banca e dos negócios, disputando ao PSD esse «território de promiscuidade» da coisa pública e dos grandes interesses privados onde os dirigentes de ambos os partidos, agora também aqui «em paridade», vão paulatinamente circulando entre governos e conselhos de administração públicos e privados, instalando-se em ricas vidas pessoais e alastrando, como um polvo, no controle político do País, que fatiam e repartem entre si como se vivessem numa coutada.
E foi isso mesmo que Filipe Menezes verbalizou: que o País era uma coutada ao dispor do PSD e do PS.
Rui Gomes da Silva, famoso homem de mão de Santana Lopes e agora vice-presidente do PSD, ajuntou em conferência de imprensa que tal partilha «é a regra que sempre existiu», sem sequer reparar que tal ilegalidade jamais foi mencionada por qualquer dos dois partidos que a «inventaram» e dela têm beneficiado.
O PS fingiu que se escandalizava, com o ministro da Presidência, Pedro Silva Pereira, a considerar «indecorosa» a proposta do líder do PSD por andar «a meter cunhas para nomear os seus amigos do PSD», enquanto horas depois o PS realizava pressurosamente a indecorosidade, nomeando para a presidência da CGD Faria de Oliveira, alto dignitário do PSD e ex-ministro de Cavaco Silva o que, aliás, propiciou a Rui Gomes da Silva a farronca de ter «obrigado o PS a ceder».
Quando o Governo de José Sócrates gizou esta saída para o interminável escândalo do BCP (transferência de Santos Ferreira, alto quadro do PS, da presidência da CGD para a presidência do BCP, ao mesmo tempo que se interditava a anterior administração do BCP a recandidatar-se ao cargo), houve algum burburinho na imprensa e entre os comentadores do costume protestando contra a «governamentalização» em curso nos dois maiores bancos portugueses, dirigidos em sucessão por um quadro do PS.
Tal indignação, apesar de flagrantemente apologista da liberalização e da «economia de mercado» sacralizada por toda esta gente, não contagiou Luís Filipe Menezes: o actual líder do PSD preferiu avaliar o bolo e exigir publicamente o seu quinhão. E fê-lo tão cruamente, que o ministro da Presidência não resistiu a chamar-lhe «indecoroso».
Está bem de ver que este arroubo de Pedro Silva Pereira não passava de fogo de vista: horas depois o PS cedia a Menezes pondo na CGD um homem do PSD, enquanto tratava, igualmente, de transferir para o BCP, como vice-presidente de Santos Ferreira, o extraordinário quadro do PS Armando Vara, que de obscuro funcionário bancário há umas décadas atrás se alcandoraria, nos últimos anos, a administrador da CGD e agora do BCP, tudo porque é um amigo do peito de José Sócrates e um diligente correligionário de António Guterres que, de resto, o integrou nos seus Governos, apesar de não se lhe conhecer qualquer competência profissional ou sequer académica de relevo. Provavelmente, agora até já será «doutor». Como se viu com a licenciatura de Sócrates, tirar cursos não é problema na nova direcção do PS.
Entretanto, ninguém fala na entrada em força do PS de Sócrates no mundo da banca e dos negócios, disputando ao PSD esse «território de promiscuidade» da coisa pública e dos grandes interesses privados onde os dirigentes de ambos os partidos, agora também aqui «em paridade», vão paulatinamente circulando entre governos e conselhos de administração públicos e privados, instalando-se em ricas vidas pessoais e alastrando, como um polvo, no controle político do País, que fatiam e repartem entre si como se vivessem numa coutada.
E foi isso mesmo que Filipe Menezes verbalizou: que o País era uma coutada ao dispor do PSD e do PS.