Beja investe no idoso
No dia em que se comemorou o Dia Internacional do Idosos, 1 de Outubro, a Câmara Municipal de Beja inaugurou o Centro Social do Lidador. Com um investimento de cerca de um milhão de euros, este equipamento, sedeado na antiga sede do Sindicato dos Trabalhadores Agrícolas, junto ao Castelo de Beja, tem como objectivo o convívio e a confraternização entre os mais velhos para os ajudar a combater o isolamento a que estão sujeitos no dia-a-dia.
«É um projecto que nasceu em 2000/2001 de uma discussão muito alargada entre a Câmara de Beja e as várias entidades da área social do concelho. Entretanto, concluiu-se que um equipamento deste estilo era necessário para a terceira idade», afirmou Maria Manuela Repolho, directora do Centro Social do Lidador.
A autarquia definiu, de imediato, esta infra-estrutura, no Plano de Desenvolvimento Social do Concelho de Beja, como um investimento prioritário. «Grande parte do investimento foi suportado pela autarquia», sublinhou a responsável.
Com este equipamento a Câmara de Beja pretende, para além da promoção do convívio, combater o isolamento social. Ali, os mais idosos, para além de disporem de uma cafetaria e vários espaços para jogos, leitura de jornais e visualização de filmes e documentários, têm acesso às novas tecnologias (computadores com Internet) e às artes tradicionais. «Aproveitar o património cultural de memória que estas pessoas têm para que, no fundo, se sintam em casa», acentuou a directora do projecto.
Entretanto, apenas com alguns meses de funcionamento, é já possível fazer um retrato dos utentes que frequentam este equipamento. «Aqueles que aqui estão em permanência, de manhã até ao final do dia, que aqui tomam o pequeno-almoço e o almoço a preços reduzidos, são os que menor poder de compra têm», informou, acrescentando: «São também aqueles que têm menos apoio familiar, e por isso passam aqui o dia para não ficarem isolados».
Com 14 freguesias, este é um concelho, fruto das políticas dos sucessivos governos, com insuficientes condições para acolher todos os reformados. O Centro Social do Lidador é, talvez, um oásis no meio de um deserto.
Para colmatar esta insuficiência, que deveria ser uma prioridade para o Governo, a Câmara Municipal, em conjunto com as freguesias rurais, está a tentar encontrar forma de transportar os idosos para o Centro Social do Lidador.
História de sucesso
Com apenas alguns meses de funcionamento, este projecto já deu frutos. «As pessoas estão mesmo sozinhas, não têm retaguarda, não têm filhos por perto e estavam nas suas casas com grandes dificuldades», acentuou Maria Manuela Repolho, lembrando-se de um episódio: «Um senhora, que teve um AVC, com sérias dificuldades para cozinhar, agora compra a senha da refeição para a semana inteira. A existência deste serviço veio melhorar a sua qualidade de vida. Apropriou-se do espaço de uma forma tão engraçada que já pediu se podia trazer alguns objectos pessoais, nomeadamente uma poltrona, na qual dormia a sesta.»
Sobre o Complemento Solidário de Reforma, medida que o Governo implementou recentemente, a directora do centro lamentou que este, praticamente, «não abrange ninguém».
«O conjunto de requisitos do complemento solidário é tão vasto que ninguém se inscreve», acusou.
Envelhecer em Mora tem outro sabor
Apostar na qualidade de vida
No concelho de Mora, envelhecimento é sinónimo de evolução e reconhecimento. A mais recente novidade apresentada pela autarquia é a Oficina Domiciliária, um novo serviço camarário gratuito que executa pequenas obras de construção civil, electricidade, carpintaria e águas.
Para quem já não pode, ou nunca teve jeito, mudar uma torneira, colocar um autoclismo, colocar lâmpadas novas, consertar tomadas ou interruptores, mudar fechaduras, substituir um vidro partido, deixou de ser um problema.
Mas atenção, este é um serviço apenas para os utilizadores do Cartão Municipal do Idoso, um programa que beneficia reformados e pensionistas residentes em Mora há pelo menos um ano e cujas reformas não ultrapassam os 350 euros mensais.
«Anjo da guarda»
Naquele dia, o biscate era montar uma porta num sótão de uma casa. No dia anterior, da parte da manhã, foi canalizador, à tarde electricista. «O trabalho varia consoante os serviços que são pedidos», comentou, enquanto pregava uns pregos, Fernando José Enderenso.
«É um trabalho engraçado, que dá gosto fazer, ajudar a terceira idade», continuou, martelando, o faz tudo lá da terra. No entanto, a sua alcunha é outra, já lhe chamam o «anjo da guarda» de Mora.
O objectivo da Oficina Domiciliária não é concorrer com os privados, muito pelo contrário. Foi criada para fazer pequenas reparações em áreas onde é difícil, mesmo com dinheiro na mão, encontrar quem faça aquele tipo de trabalho.
«Uma senhora, a quem eu fui colocar uns candeeiros e montar umas tomadas, falou com um electricista que lhe disse que não tinha disponibilidade», contou o homem dos sete ofícios.
Para quem usufrui do serviço, as palavras são poucas para agradecer à Câmara Municipal. «Estou muito contente com esta iniciativa. Não tinha possibilidade de fazer esta obra sem o apoio da autarquia», salientou Joaquina Rosa, lamentando:
Ajudar os reformados
Para além da Oficina Domiciliária, este cartão, dá descontos nas taxas camarárias, nos medicamentos (uma responsabilidade que deveria ser do Estado), nos bilhetes de futebol e de cinema, e na Piscina de Mora, aberta todo ano. Os utilizadores deste cartão têm ainda ao seu dispor transporte municipal das freguesias para a sede do concelho.
Percorrendo as ruas da cidade, fomos encontrar, numa pequena mercearia, Francisca Farrusco, e perguntámos-lhe quais as vantagens do cartão do idoso. «A Câmara ajuda muito os reformados aqui no concelho. Com o cartão vou comprar os medicamentos, o que me dá um desconto grande. Eu e o meu marido, por exemplo, no total, temos cerca de 90 contos de reforma (450 euros), se não tivéssemos essa ajuda não dava sequer para viver», comentou.
«É um projecto que nasceu em 2000/2001 de uma discussão muito alargada entre a Câmara de Beja e as várias entidades da área social do concelho. Entretanto, concluiu-se que um equipamento deste estilo era necessário para a terceira idade», afirmou Maria Manuela Repolho, directora do Centro Social do Lidador.
A autarquia definiu, de imediato, esta infra-estrutura, no Plano de Desenvolvimento Social do Concelho de Beja, como um investimento prioritário. «Grande parte do investimento foi suportado pela autarquia», sublinhou a responsável.
Com este equipamento a Câmara de Beja pretende, para além da promoção do convívio, combater o isolamento social. Ali, os mais idosos, para além de disporem de uma cafetaria e vários espaços para jogos, leitura de jornais e visualização de filmes e documentários, têm acesso às novas tecnologias (computadores com Internet) e às artes tradicionais. «Aproveitar o património cultural de memória que estas pessoas têm para que, no fundo, se sintam em casa», acentuou a directora do projecto.
Entretanto, apenas com alguns meses de funcionamento, é já possível fazer um retrato dos utentes que frequentam este equipamento. «Aqueles que aqui estão em permanência, de manhã até ao final do dia, que aqui tomam o pequeno-almoço e o almoço a preços reduzidos, são os que menor poder de compra têm», informou, acrescentando: «São também aqueles que têm menos apoio familiar, e por isso passam aqui o dia para não ficarem isolados».
Com 14 freguesias, este é um concelho, fruto das políticas dos sucessivos governos, com insuficientes condições para acolher todos os reformados. O Centro Social do Lidador é, talvez, um oásis no meio de um deserto.
Para colmatar esta insuficiência, que deveria ser uma prioridade para o Governo, a Câmara Municipal, em conjunto com as freguesias rurais, está a tentar encontrar forma de transportar os idosos para o Centro Social do Lidador.
História de sucesso
Com apenas alguns meses de funcionamento, este projecto já deu frutos. «As pessoas estão mesmo sozinhas, não têm retaguarda, não têm filhos por perto e estavam nas suas casas com grandes dificuldades», acentuou Maria Manuela Repolho, lembrando-se de um episódio: «Um senhora, que teve um AVC, com sérias dificuldades para cozinhar, agora compra a senha da refeição para a semana inteira. A existência deste serviço veio melhorar a sua qualidade de vida. Apropriou-se do espaço de uma forma tão engraçada que já pediu se podia trazer alguns objectos pessoais, nomeadamente uma poltrona, na qual dormia a sesta.»
Sobre o Complemento Solidário de Reforma, medida que o Governo implementou recentemente, a directora do centro lamentou que este, praticamente, «não abrange ninguém».
«O conjunto de requisitos do complemento solidário é tão vasto que ninguém se inscreve», acusou.
Envelhecer em Mora tem outro sabor
Apostar na qualidade de vida
No concelho de Mora, envelhecimento é sinónimo de evolução e reconhecimento. A mais recente novidade apresentada pela autarquia é a Oficina Domiciliária, um novo serviço camarário gratuito que executa pequenas obras de construção civil, electricidade, carpintaria e águas.
Para quem já não pode, ou nunca teve jeito, mudar uma torneira, colocar um autoclismo, colocar lâmpadas novas, consertar tomadas ou interruptores, mudar fechaduras, substituir um vidro partido, deixou de ser um problema.
Mas atenção, este é um serviço apenas para os utilizadores do Cartão Municipal do Idoso, um programa que beneficia reformados e pensionistas residentes em Mora há pelo menos um ano e cujas reformas não ultrapassam os 350 euros mensais.
«Anjo da guarda»
Naquele dia, o biscate era montar uma porta num sótão de uma casa. No dia anterior, da parte da manhã, foi canalizador, à tarde electricista. «O trabalho varia consoante os serviços que são pedidos», comentou, enquanto pregava uns pregos, Fernando José Enderenso.
«É um trabalho engraçado, que dá gosto fazer, ajudar a terceira idade», continuou, martelando, o faz tudo lá da terra. No entanto, a sua alcunha é outra, já lhe chamam o «anjo da guarda» de Mora.
O objectivo da Oficina Domiciliária não é concorrer com os privados, muito pelo contrário. Foi criada para fazer pequenas reparações em áreas onde é difícil, mesmo com dinheiro na mão, encontrar quem faça aquele tipo de trabalho.
«Uma senhora, a quem eu fui colocar uns candeeiros e montar umas tomadas, falou com um electricista que lhe disse que não tinha disponibilidade», contou o homem dos sete ofícios.
Para quem usufrui do serviço, as palavras são poucas para agradecer à Câmara Municipal. «Estou muito contente com esta iniciativa. Não tinha possibilidade de fazer esta obra sem o apoio da autarquia», salientou Joaquina Rosa, lamentando:
Ajudar os reformados
Para além da Oficina Domiciliária, este cartão, dá descontos nas taxas camarárias, nos medicamentos (uma responsabilidade que deveria ser do Estado), nos bilhetes de futebol e de cinema, e na Piscina de Mora, aberta todo ano. Os utilizadores deste cartão têm ainda ao seu dispor transporte municipal das freguesias para a sede do concelho.
Percorrendo as ruas da cidade, fomos encontrar, numa pequena mercearia, Francisca Farrusco, e perguntámos-lhe quais as vantagens do cartão do idoso. «A Câmara ajuda muito os reformados aqui no concelho. Com o cartão vou comprar os medicamentos, o que me dá um desconto grande. Eu e o meu marido, por exemplo, no total, temos cerca de 90 contos de reforma (450 euros), se não tivéssemos essa ajuda não dava sequer para viver», comentou.