Governo acusa oligarquia de promover violência
A Assembleia Constituinte aprovou, sábado, o projecto de novo texto fundamental da Bolívia. A direita procurou impedir a votação através da violência semeando confrontos em Sucre.
A direita não aceita que os pobres governem, diz Morales
Em comunicação ao país, domingo à noite, no rescaldo dos confrontos do fim-de-semana em Sucre, Evo Morales acusou «alguns grupos oligárquicos, neoliberais e conservadores» de «incentivarem a destruição» da cidade e pretenderem afogar a nova Constituição da Bolívia num banho de sangue.
Para Morales, a oposição liderada pela aliança Poder Democrático e Social (Podemos) do ex-presidente Jorge Quiroga tem como objectivo impedir o avanço das reformas políticas e sociais consubstanciadas no futuro texto fundamental porque «lhes custa aceitar que que os pobres governem». Do plano faz parte no imediato, explicou, a criação de uma situação de caos no país que conduza à não ratificação da Constituição antes de expirar o prazo legalmente previsto para a conclusão do processo, o próximo dia 14 de Dezembro.
O presidente lamentou que dos confrontos tenham resultado vítimas mortais e esclareceu que o seu governo «jamais encarregou as forças armadas de usar armas de fogo» contra os manifestantes, acontecimentos sobre os quais, garantiu ainda, será aberta uma investigação cabal com carácter de urgência.
Calma depois do caos
Entretanto, em Sucre, a calma regressou às ruas depois da espiral de violência ter tomado conta da cidade roubando a vida a quatro pessoas e deixando mais de uma centena de feridos, alguns dos quais em estado grave.
Desde sexta-feira que grupos de jovens arregimentados pela oligarquia tentavam promover um levantamento contra os 139 deputados – a maioria, 136, partidários de Evo Morales em virtude do boicote decretado pelos eleitos da oposição - reunidos no Liceu Militar de Chuquichaqua, mas foi no domingo que a situação ficou temporariamente fora de controlo.
Segundo informações divulgadas pela estação de televisão venezuelana Telesur, que cita a Rádio Loyola, os manifestantes queimaram mais de uma dezena de veículos, atacaram o quartel dos bombeiros locais, destruíram e saquearam sedes da polícia e libertaram cerca de uma centena de presos da prisão de Sucre.
Ministro denuncia mandantes
Reagindo igualmente aos acontecimentos, o ministro da Presidência da Bolívia, Juan Ramón Quintana, veio a público denunciar o antigo chefe de Estado e líder do Podemos como um dos responsáveis pelos confrontos.
Em declarações aos órgão de comunicação social, Juan Quintana lembrou que Jorge Quiroga avisou, dias antes, que a Constituição iria ser aprovada entre espingardas e sangue, por isso o responsável governamental pretende que Quiroga esclareça o povo boliviano sobre o papel da oposição na promoção da violência.
Quanto ao jovem abatido nas ruas de Sucre, Quintana precisou que de acordo com os dados recolhidos o calibre da arma que o matou não corresponde a nenhuma arma usada pela polícia ou pelo exército, estando ainda por esclarecer quem baleou o manifestante durante os tumultos.
Deputado munido com metralhadora
A confirmar as convicções sobre o envolvimento da forças políticas de direita na promoção do acontecimentos do fim-de-semana em Sucre, está ainda a apreensão por parte da polícia boliviana de uma arma e munições transportadas por um deputado da oposição.
Dados veiculados pela Agência Boliviana de Informação afirmam que o deputado da Unidade Nacional Samuel Doria Medina foi surpreendido, sábado, numa estrada de acesso a Sucre, na posse de uma metralhadora USI e dezenas de munições de elevado calibre. Doria Medina afirmou que o arsenal se destinava à sua protecção pessoal.
Povo apoia programa social
Paralelamente aos acontecimentos de Sucre, cerca de 2500 camponeses, indígenas e activistas sociais continuam a marcha em direcção à capital, La Paz, em defesa da nova Constituição e do programa social levado a cabo pelo governo de Evo Morales.
Depois de se dirigir ao país, Morales juntou-se aos manifestantes na caminhada e protestou contra o bloqueio do Senado a projectos do executivo como o «Abono da Dignidade».
No mês passado, Morales propôs que parte dos impostos sobre os hidrocarbonetos servissem para pagar uma pensão mínima de 320 dólares a idosos com mais de 60 anos e sem qualquer rendimento, mas a câmara alta do parlamento alterou os mecanismos de financiamento procurando, por essa via, adiar a entrada em vigor da medida social.
Tal como acontece com o «Abono da Dignidade», os manifestantes exigem que os senadores deixem de bloquear outros projectos do governo de Morales.
Para Morales, a oposição liderada pela aliança Poder Democrático e Social (Podemos) do ex-presidente Jorge Quiroga tem como objectivo impedir o avanço das reformas políticas e sociais consubstanciadas no futuro texto fundamental porque «lhes custa aceitar que que os pobres governem». Do plano faz parte no imediato, explicou, a criação de uma situação de caos no país que conduza à não ratificação da Constituição antes de expirar o prazo legalmente previsto para a conclusão do processo, o próximo dia 14 de Dezembro.
O presidente lamentou que dos confrontos tenham resultado vítimas mortais e esclareceu que o seu governo «jamais encarregou as forças armadas de usar armas de fogo» contra os manifestantes, acontecimentos sobre os quais, garantiu ainda, será aberta uma investigação cabal com carácter de urgência.
Calma depois do caos
Entretanto, em Sucre, a calma regressou às ruas depois da espiral de violência ter tomado conta da cidade roubando a vida a quatro pessoas e deixando mais de uma centena de feridos, alguns dos quais em estado grave.
Desde sexta-feira que grupos de jovens arregimentados pela oligarquia tentavam promover um levantamento contra os 139 deputados – a maioria, 136, partidários de Evo Morales em virtude do boicote decretado pelos eleitos da oposição - reunidos no Liceu Militar de Chuquichaqua, mas foi no domingo que a situação ficou temporariamente fora de controlo.
Segundo informações divulgadas pela estação de televisão venezuelana Telesur, que cita a Rádio Loyola, os manifestantes queimaram mais de uma dezena de veículos, atacaram o quartel dos bombeiros locais, destruíram e saquearam sedes da polícia e libertaram cerca de uma centena de presos da prisão de Sucre.
Ministro denuncia mandantes
Reagindo igualmente aos acontecimentos, o ministro da Presidência da Bolívia, Juan Ramón Quintana, veio a público denunciar o antigo chefe de Estado e líder do Podemos como um dos responsáveis pelos confrontos.
Em declarações aos órgão de comunicação social, Juan Quintana lembrou que Jorge Quiroga avisou, dias antes, que a Constituição iria ser aprovada entre espingardas e sangue, por isso o responsável governamental pretende que Quiroga esclareça o povo boliviano sobre o papel da oposição na promoção da violência.
Quanto ao jovem abatido nas ruas de Sucre, Quintana precisou que de acordo com os dados recolhidos o calibre da arma que o matou não corresponde a nenhuma arma usada pela polícia ou pelo exército, estando ainda por esclarecer quem baleou o manifestante durante os tumultos.
Deputado munido com metralhadora
A confirmar as convicções sobre o envolvimento da forças políticas de direita na promoção do acontecimentos do fim-de-semana em Sucre, está ainda a apreensão por parte da polícia boliviana de uma arma e munições transportadas por um deputado da oposição.
Dados veiculados pela Agência Boliviana de Informação afirmam que o deputado da Unidade Nacional Samuel Doria Medina foi surpreendido, sábado, numa estrada de acesso a Sucre, na posse de uma metralhadora USI e dezenas de munições de elevado calibre. Doria Medina afirmou que o arsenal se destinava à sua protecção pessoal.
Povo apoia programa social
Paralelamente aos acontecimentos de Sucre, cerca de 2500 camponeses, indígenas e activistas sociais continuam a marcha em direcção à capital, La Paz, em defesa da nova Constituição e do programa social levado a cabo pelo governo de Evo Morales.
Depois de se dirigir ao país, Morales juntou-se aos manifestantes na caminhada e protestou contra o bloqueio do Senado a projectos do executivo como o «Abono da Dignidade».
No mês passado, Morales propôs que parte dos impostos sobre os hidrocarbonetos servissem para pagar uma pensão mínima de 320 dólares a idosos com mais de 60 anos e sem qualquer rendimento, mas a câmara alta do parlamento alterou os mecanismos de financiamento procurando, por essa via, adiar a entrada em vigor da medida social.
Tal como acontece com o «Abono da Dignidade», os manifestantes exigem que os senadores deixem de bloquear outros projectos do governo de Morales.