Pela culatra…

Ângelo Alves
Pela 16ª vez consecutiva desde 1992 a Assembleia-geral das Nações Unidas pronunciou-se contra o criminoso bloqueio económico imposto pelos EUA a Cuba. Desta feita com o recorde histórico de 184 votos a favor da resolução que defendia “a necessidade de por fim ao bloqueio económico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos da América contra Cuba” de entre um total de 192 membros da Assembleia-geral da ONU.
Tal resultado é uma profunda derrota diplomática dos EUA a somar a outras como a Eleição de Cuba para a Comissão de Direitos Humanos da ONU ou para a Presidência do Movimento dos Não Alinhados. Se a abrangência do apoio à resolução apresentada pelo Estado Cubano seria suficiente para evidenciar a derrota diplomática dos EUA, a análise sobre os que continuam a apoiar o bloqueio a Cuba comprova ainda mais o grau de isolamento a que os EUA chegaram nesta matéria. Os quatro Estados que se pronunciaram a favor da manutenção do bloqueio foram nem mais nem menos que os próprios EUA; Israel (que dispensa quaisquer comentários) e dois protectorados dos EUA: as Ilhas Marshal e o Palau.
A derrota diplomática da administração norte-americana é ainda mais evidente se tivermos em conta que em 2006 - durante o processo de negociações sobre igual resolução condenatória do bloqueio - a administração norte-americana tentou - numa clara manobra de desespero face ao mais que previsível apoio à resolução apresentada por Cuba – ganhar apoios para alterar o conteúdo da resolução, desvirtuando o seu conteúdo e objectivos, insistindo com o estafado discurso dos direitos do homem em Cuba.
A condenação do bloqueio por uma esmagadora maioria dos Estados representados na ONU é por si e de facto uma importante vitória do povo cubano. Mas este ano ela tem um valor acrescido. É que nas vésperas da votação da ONU Bush tinha – numa degradante manobra de escalada das ameaças contra Cuba – dirigido um discurso contra Cuba e o seu povo, mas sobretudo de apelo ao envolvimento de países terceiros em acções de intensificação do bloqueio a cuba e de envolvimento directo em manobras de desestabilização interna em Cuba.
É caso para dizer que, apesar do reconhecido poder de fogo dos EUA, o tiro saiu-lhe pela culatra.


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