Mais do mesmo
Naquele já cansativo, monocórdico e empertigado jeito de padre a debitar homilias mandonas, José Sócrates começou por responder a Jerónimo de Sousa na passada terça-feira, na AR e durante o debate do Orçamento do Estado, que «lá está o PCP a dizer mal do Orçamento, há 30 anos que faz sempre a mesma coisa».
As palavras não terão sido exactamente estas – citamos de memória -, o que não faz qualquer diferença, pois José Sócrates também diz sempre a mesma coisa desde que responde ao PCP como Primeiro-Ministro: que o PCP é um «bota-baixo», que está sempre contra os Governos sobretudo se forem do PS, que ora «usa sempre a mesma cassete» ora «não se renova e mantém-se preso ao estalinismo» (dependendo, uma coisa ou outra, do assanhamento anticomunista no momento).
Após isto, desenrola invariavelmente uma alfombra de banalidades para fugir às questões levantadas e louvaminhar os «sucessos» do Governo.
Desta vez alinhou umas patacoadas embrulhadas numa interrogação retórica («por que não fala» disto e mais daquilo?), repetindo o fenómeno de nada responder à intervenção que, por acaso, mais questões colocou em relação ao assunto em debate – o Orçamento do Estado.
Todavia – benza-o Deus – todo se aplicou a ripostar, com minúcia e manha, às incursões muitas vezes fofoqueiras ao passado político recente palmilhadas por outros dirigentes da oposição, com relevo para os reboliços de Santana Lopes.
Então, já agora, por que não respondeu José Sócrates à acusação de Jerónimo de Sousa de que a sua «coroa de glória» - a redução do défice – se fez «à custa do emprego, dos salários da administração pública e dos demais trabalhadores, do corte nos direitos dos portugueses e das funções sociais do Estado, nomeadamente na Saúde e na Educação»?
Por que não explicou as razões de sermos «o único país europeu a cortar no investimento desde 2003» ou da decisão do seu Governo de «em vez de aproveitar os prazos mais alargados do Pacto de Estabilidade para relançar a economia e fazer recuar o desemprego, fez o contrário penalizando ainda mais os portugueses»?
Por que não esclareceu o motivo de «os benefícios fiscais para o offshore da Madeira irem aumentar de 1000 milhões de euros em 2007 para 1780 milhões em 2008», enquanto «as reformas passam a ser tributadas a partir de 6000 euros/ano»?
Por que não respondeu à acusação de que «dramatiza-se o défice para cortar nos salários e nos direitos das pessoas, mas nem um tostão se corta, antes se acrescenta, nos benefícios fiscais que permitiria reduzir o tão empolado défice»? Por que não contestou que «os 1780 milhões de benefícios fiscais previstos para 2008 seriam iguais a 44% do défice para 2008»?
Por que não se opôs, finalmente, à afirmação de que enquanto se corta na «boa despesa» (a da Saúde, da Educação ou da formação), «continua a crescer a má despesa dos offshores, das empresas de consultoria, como agora também acontece neste Orçamento, com mais 1200 milhões de euros para estudos e pareceres do Governo»?
A nada disto respondeu Sócrates, preferindo produzir a «ironia» de que «o PCP está sempre contra». Pois está. Na proporção exacta em que o seu Governo, dito «socialista», está todo a favor – mas dos grandes interesses capitalistas.
As palavras não terão sido exactamente estas – citamos de memória -, o que não faz qualquer diferença, pois José Sócrates também diz sempre a mesma coisa desde que responde ao PCP como Primeiro-Ministro: que o PCP é um «bota-baixo», que está sempre contra os Governos sobretudo se forem do PS, que ora «usa sempre a mesma cassete» ora «não se renova e mantém-se preso ao estalinismo» (dependendo, uma coisa ou outra, do assanhamento anticomunista no momento).
Após isto, desenrola invariavelmente uma alfombra de banalidades para fugir às questões levantadas e louvaminhar os «sucessos» do Governo.
Desta vez alinhou umas patacoadas embrulhadas numa interrogação retórica («por que não fala» disto e mais daquilo?), repetindo o fenómeno de nada responder à intervenção que, por acaso, mais questões colocou em relação ao assunto em debate – o Orçamento do Estado.
Todavia – benza-o Deus – todo se aplicou a ripostar, com minúcia e manha, às incursões muitas vezes fofoqueiras ao passado político recente palmilhadas por outros dirigentes da oposição, com relevo para os reboliços de Santana Lopes.
Então, já agora, por que não respondeu José Sócrates à acusação de Jerónimo de Sousa de que a sua «coroa de glória» - a redução do défice – se fez «à custa do emprego, dos salários da administração pública e dos demais trabalhadores, do corte nos direitos dos portugueses e das funções sociais do Estado, nomeadamente na Saúde e na Educação»?
Por que não explicou as razões de sermos «o único país europeu a cortar no investimento desde 2003» ou da decisão do seu Governo de «em vez de aproveitar os prazos mais alargados do Pacto de Estabilidade para relançar a economia e fazer recuar o desemprego, fez o contrário penalizando ainda mais os portugueses»?
Por que não esclareceu o motivo de «os benefícios fiscais para o offshore da Madeira irem aumentar de 1000 milhões de euros em 2007 para 1780 milhões em 2008», enquanto «as reformas passam a ser tributadas a partir de 6000 euros/ano»?
Por que não respondeu à acusação de que «dramatiza-se o défice para cortar nos salários e nos direitos das pessoas, mas nem um tostão se corta, antes se acrescenta, nos benefícios fiscais que permitiria reduzir o tão empolado défice»? Por que não contestou que «os 1780 milhões de benefícios fiscais previstos para 2008 seriam iguais a 44% do défice para 2008»?
Por que não se opôs, finalmente, à afirmação de que enquanto se corta na «boa despesa» (a da Saúde, da Educação ou da formação), «continua a crescer a má despesa dos offshores, das empresas de consultoria, como agora também acontece neste Orçamento, com mais 1200 milhões de euros para estudos e pareceres do Governo»?
A nada disto respondeu Sócrates, preferindo produzir a «ironia» de que «o PCP está sempre contra». Pois está. Na proporção exacta em que o seu Governo, dito «socialista», está todo a favor – mas dos grandes interesses capitalistas.