Vitória anti-Kaczynski
A Plataforma Cívica (PO) do liberal Donald Tusk ganhou as eleições legislativas realizadas no domingo, 21, pondo fim a 15 meses de governação do partido Lei e Justiça, de Jarozlaw Kaczynski, marcados pela fobia anticomunista.
O eleitorado polaco mobilizou-se para derrotar o governo conservador
Mais do que uma adesão ao programa liberal proposto por Donald Tusk, que não augura nada de bom para as camadas desfavorecidas da população, a vitória da Plataforma Cívica resultou sobretudo de uma mobilização de amplos sectores da sociedade polaca contra as práticas obscurantistas e persecutórias dos irmãos Kaczynski, apostados no ajuste de contas com o passado comunista.
Beneficiando deste sentimento de rejeição, que se traduziu numa participação recorde no sufrágio (52,6% contra 40,5% em 2005), a direita liberal recolheu 41,4 por cento dos votos, elegendo 202 deputados num total de 406 lugares. Em 2005, esta formação tinha obtido 24,1 por cento de votos e 123 deputados,
Em simultâneo, o partido Lei e Justiça conseguiu esvaziar os seus antigos parceiros de coligação, os populistas Samoobrona (autodefesa) e a Liga das Famílias Polacas (extrema-direita) que ficaram abaixo dos dois por cento, sendo erradicados do parlamento.
Desta forma, para os gémeos Kaczynski, as eleições de domingo não constituíram um revés total. Pelo contrário, se em 2005 o seu partido venceu com 26 por cento dos votos e cerca de três milhões de votos, hoje conta com mais de quatro milhões de votos, 32,1 por cento dos sufrágios e 166 deputados.
No centro esquerda, a coligação LiD (Esquerda e Democratas) obteve 12,9 por cento dos votos e 49 deputados. Um pouco abaixo ficou partido camponês com 9,7 por cento e 41 lugares.
Um programa neoliberal
Os planos de Donald Tusk passam por alterar as posições da Polónia em relação à União Europeia, tendo já anunciado que irá assinar a «Carta dos Direitos Fundamentais», recusada pelo seu predecessor, e definido como prioridade a ratificação do «tratado reformador» acordado na semana passada em Lisboa.
«Somos membros da União Europeia, não dos Estados Unidos», declarou na segunda-feira, Bronislaw Komorowski, que é apontado como futuro ministro dos Negócios Estrangeiros.
Durante a campanha eleitoral, Donald Tusk prometeu uma rápida retirada das tropas polacas (cerca de 900 efectivos), do Iraque, decisão que poderá ser tomada até ao final do ano.
No plano interno, aludindo a um «milagre económico» do tipo irlandês, Tusk promete reformas «modernizadoras» que significam o relançamento das privatizações, a criação de um imposto de taxa única e de novos incentivos à instalação e actividade das empresas.
Fiel aos dogmas liberais tanto na política económica como na organização do Estado, Tusk é adversário do intervencionismo estatal e dos sistemas de protecção social, privilegiando as iniciativas da sociedade civil e do mundo empresarial.
Contudo, o seu «liberalismo» fica-se por aí. O próximo governo não irá promover a despenalização do aborto, clarificou o futuro primeiro-ministro que também se revelou recentemente adepto da «descomunização» do país, ameaçando continuar a saga dos Kaczynski. «Não teremos uma Polónia transparente sem levantar o véu sobre a Polónia comunista», disse o liberal Tusk que se reclama dos valores família de centro-direita agrupada no Partido Popular Europeu.
Beneficiando deste sentimento de rejeição, que se traduziu numa participação recorde no sufrágio (52,6% contra 40,5% em 2005), a direita liberal recolheu 41,4 por cento dos votos, elegendo 202 deputados num total de 406 lugares. Em 2005, esta formação tinha obtido 24,1 por cento de votos e 123 deputados,
Em simultâneo, o partido Lei e Justiça conseguiu esvaziar os seus antigos parceiros de coligação, os populistas Samoobrona (autodefesa) e a Liga das Famílias Polacas (extrema-direita) que ficaram abaixo dos dois por cento, sendo erradicados do parlamento.
Desta forma, para os gémeos Kaczynski, as eleições de domingo não constituíram um revés total. Pelo contrário, se em 2005 o seu partido venceu com 26 por cento dos votos e cerca de três milhões de votos, hoje conta com mais de quatro milhões de votos, 32,1 por cento dos sufrágios e 166 deputados.
No centro esquerda, a coligação LiD (Esquerda e Democratas) obteve 12,9 por cento dos votos e 49 deputados. Um pouco abaixo ficou partido camponês com 9,7 por cento e 41 lugares.
Um programa neoliberal
Os planos de Donald Tusk passam por alterar as posições da Polónia em relação à União Europeia, tendo já anunciado que irá assinar a «Carta dos Direitos Fundamentais», recusada pelo seu predecessor, e definido como prioridade a ratificação do «tratado reformador» acordado na semana passada em Lisboa.
«Somos membros da União Europeia, não dos Estados Unidos», declarou na segunda-feira, Bronislaw Komorowski, que é apontado como futuro ministro dos Negócios Estrangeiros.
Durante a campanha eleitoral, Donald Tusk prometeu uma rápida retirada das tropas polacas (cerca de 900 efectivos), do Iraque, decisão que poderá ser tomada até ao final do ano.
No plano interno, aludindo a um «milagre económico» do tipo irlandês, Tusk promete reformas «modernizadoras» que significam o relançamento das privatizações, a criação de um imposto de taxa única e de novos incentivos à instalação e actividade das empresas.
Fiel aos dogmas liberais tanto na política económica como na organização do Estado, Tusk é adversário do intervencionismo estatal e dos sistemas de protecção social, privilegiando as iniciativas da sociedade civil e do mundo empresarial.
Contudo, o seu «liberalismo» fica-se por aí. O próximo governo não irá promover a despenalização do aborto, clarificou o futuro primeiro-ministro que também se revelou recentemente adepto da «descomunização» do país, ameaçando continuar a saga dos Kaczynski. «Não teremos uma Polónia transparente sem levantar o véu sobre a Polónia comunista», disse o liberal Tusk que se reclama dos valores família de centro-direita agrupada no Partido Popular Europeu.