«Mestre-escola»
Embalado por Cavaco Silva e pelo tema por ele escolhido para as comemorações do 5 de Outubro, a educação, José Sócrates recorreu, meio em jeito de comentário meio em tom de acusação, à pouco inédita ideia de «os que questionam o preço da educação não sabem quanto custa a ignorância». Afastada que seja a eloquência da frase, o essencial do trocadilho sobra para o primeiro-ministro e para a política educativa do seu governo: em matéria de custos da ignorância a factura tem ali um justo destinatário.
Enganado andaria Sócrates se confundisse investimento na educação e formação com uns quantos actos de distribuição de computadores. Como enganado estaria Cavaco Silva se acreditasse que o desígnio enunciado em matéria educativa se resolveria com menos Estado e mais sociedade civil. Um e outro, até porque raramente têm dúvidas e ainda menos se enganam, estão longe de cometer tal pecado. Um e outro, ao seu estilo e de acordo com os papéis que lhe cabem, cooperam no que têm por essencial: a desvalorização da escola pública, o afastamento do principio constitucional de uma educação gratuita e de qualidade, a progressiva desresponsabilização do Estado. Um, encerrando escolas, atacando os direitos dos professores, desvalorizando a carreira docente, desvalorizando conteúdos curriculares, oferecendo como alternativa ao custo crescente com a educação a oportunidade de um endividamento precoce a milhares de estudantes. Outro, sublinhando o desígnio mas corroborando da visão neoliberal da educação, desvalorizando o papel do Estado, remetendo a função educativa para a esfera privada, apontando à classe empresarial o espaço de oportunidade que lhe cabe nesta nova fileira de negócio.
Melhor e mais a propósito do que a eloquente expressão acima referida, teria Sócrates podido recorrer àquela letra de uma popular canção que, dividida na opção entre a fisga num bolso de trás e o caderno dos deveres noutro, se questiona sobre qual o melhor dos dois saberes.
Enganado andaria Sócrates se confundisse investimento na educação e formação com uns quantos actos de distribuição de computadores. Como enganado estaria Cavaco Silva se acreditasse que o desígnio enunciado em matéria educativa se resolveria com menos Estado e mais sociedade civil. Um e outro, até porque raramente têm dúvidas e ainda menos se enganam, estão longe de cometer tal pecado. Um e outro, ao seu estilo e de acordo com os papéis que lhe cabem, cooperam no que têm por essencial: a desvalorização da escola pública, o afastamento do principio constitucional de uma educação gratuita e de qualidade, a progressiva desresponsabilização do Estado. Um, encerrando escolas, atacando os direitos dos professores, desvalorizando a carreira docente, desvalorizando conteúdos curriculares, oferecendo como alternativa ao custo crescente com a educação a oportunidade de um endividamento precoce a milhares de estudantes. Outro, sublinhando o desígnio mas corroborando da visão neoliberal da educação, desvalorizando o papel do Estado, remetendo a função educativa para a esfera privada, apontando à classe empresarial o espaço de oportunidade que lhe cabe nesta nova fileira de negócio.
Melhor e mais a propósito do que a eloquente expressão acima referida, teria Sócrates podido recorrer àquela letra de uma popular canção que, dividida na opção entre a fisga num bolso de trás e o caderno dos deveres noutro, se questiona sobre qual o melhor dos dois saberes.