Estalou o verniz ao Governo PS/Sócrates

Carlos Gonçalves
O Governo PS/Sócrates, quando a luta dos trabalhadores e do povo confronta directamente a substância das suas políticas de serviço aos grandes interesses e revela a perversidade e a burla da sua demagogia, demonstra uma perturbação do tamanho da sua fanfarronice e um vezo autoritário conforme à sua sede de poder absoluto.
E então estala o verniz da «modernidade Armani» do Engº. Sócrates que não hesita na provocação anti-sindical e anticomunista e na intimidação policial ao movimento sindical na Covilhã - cuja resposta impôs o recuo do Governo e impediu nova acção repressiva como a de Montemor o Velho.
Estas acções do Governo são «normais» vindas das classes dominantes e dos seus feitores, mas a verdade é que está muita coisa em jogo e que nunca, depois de Abril, qualquer governo foi tão longe como o de Sócrates/PS, na destruição de direitos sociais, na reconfiguração do Estado democrático, na exploração dos trabalhadores, no domínio do capital financeiro sobre o poder político e nesta desbragada ofensiva da política de direita e de declínio nacional. Nunca como hoje os grandes interesses tiveram tanto a defender e tanto a ganhar no curto prazo como com este governo do PS.
E nunca como hoje foi tão descomunal a concentração de meios num Governo e no seu Primeiro Ministro. A «Central de Comando» - é disso que se trata - é discreta mas omnipresente, na recolha de informações e na contra-informação, na coordenação policial, na fabricação de imagem, no abuso dos media, na instrumentalização do Estado e na direcção dos «poderes fácticos», para condicionar e impedir a luta dos trabalhadores e das populações e a intervenção e proposta dos comunistas.
Mas, apesar da ofensiva e da «central», fica cada dia mais claro que o vácuo das forças políticas à sua direita, que o PS vai preenchendo, não compensa o apoio perdido de tantos cidadãos que lhe deram o voto nas legislativas e que hoje combatem estas políticas e o seu Governo.
Estalou o verniz ao Governo, ficou a nu o vezo autoritário e o anticomunismo, confirmaram-se os perigos para o regime democrático. Mas ficou provado que os trabalhadores e o povo não temem a luta e estão em condições de lhes impor a derrota. Quando menos esperam.


Mais artigos de: Opinião

O método

No «Forum TSF» da passada terça-feira abriu-se a antena para os ouvintes se pronunciarem sobre a inacreditável «visita» de dois polícias à paisana, no dia anterior, à sede do Sindicato dos Professores da Região Centro (SPRC) na Covilhã, onde se apropriaram de documentos de informação e deram «conselhos» intimidatórios...

Os <em>media</em>, a democracia e a luta

Os portugueses que não tiveram acesso à edição do Avante! da passada semana foram privados da informação sobre uma importante iniciativa nacional e internacional realizada recentemente no nosso país.

A vingança das bruxas

Toda a gente conhece a famosa frase sobre as bruxas, as tais em que não se acredita... pero que las hay, las hay. Pois não é que voltaram ao ataque? Não, não foi nada com Sócrates, nem com polícias à paisana, nem com o debate sobre Segurança Interna, nem com nenhum outro tema palpipante, revoltante, sórdido, indigno ou...

«Mestre-escola»

Embalado por Cavaco Silva e pelo tema por ele escolhido para as comemorações do 5 de Outubro, a educação, José Sócrates recorreu, meio em jeito de comentário meio em tom de acusação, à pouco inédita ideia de «os que questionam o preço da educação não sabem quanto custa a ignorância». Afastada que seja a eloquência da...

Uma perigosa deriva militarista

Em Conferência de Imprensa realizada na passada segunda-feira, a Comissão Política do Comité Central do PCP divulgou uma importante Declaração que a comunicação social dominante escondeu dos trabalhadores e do povo português.Não é de surpreender que assim tenha acontecido. Intitulada «Política externa de submissão...