Governo de Xanana acusado de interferir na justiça

FRETILIN alvo de perseguição

A FRETILIN acusou o governo de Timor-leste de mover contra altas figuras do partido uma campanha de perseguição interferindo na autonomia da magistratura.

Lúcia Lobato tentou impedir a execução de uma ordem do tribunal

Em causa estão o desrespeito da ministra da Justiça, Lúcia Lobato, por um mandato judicial emitido pelo juiz nomeado pelas Nações Unidas, e os alegados pedidos de prisão de altos dirigentes da Frente Revolucionária de Timor-leste Independente, FRETILIN, feitos por figuras ligadas ao poder.
Segundo informações reveladas quinta-feira, dia 30, pelo partido da resistência maubere, Lúcia Lobato terá tentado impedir que o ex-ministro do Interior e antigo dirigente da FRETILIN, Rogério Lobato, viajasse até à Malásia para efectuar tratamento médico.
Apesar da deslocação ser sustentada por relatórios de três clínicos e autorizada pelo magistrado do Tribunal de Distrito, Ivo Rosa, a ministra logo no seu primeiro dia de exercício de funções procurou manipular a justiça chegando mesmo a exigir que os filhos de Lobato ficassem reféns em Díli como garantia de que o ex-governante regressava a Timor. Rogério Lobato cumpre uma pena de sete anos na sequência da crise política de Abril de 2006 no território.
O porta-voz da FRETILIN, o deputado José Teixeira, explicou ainda aos jornalistas que a correligionária de Xanana no governo mentiu no parlamento quando disse que Ivo Rosa estava no aeroporto, pretendendo, desta forma, induzir que o juiz a teria autorizado a deter o voo que transportava Rogério Lobato, quando, na verdade, o magistrado não só não estava no local como avisou Lúcia Lobato de que esta cometia uma ilegalidade ao interferir com uma ordem do tribunal.
Teixeira revelou também que Pedro da Costa e Francisco Xavier do Amaral, parlamentares do CNRT e da ASDT, formações incluídas na Aliança para a Maioria Parlamentar liderada por Xanana Gusmão, entraram com pedidos de detenção de alguns dos principais dirigentes da FRETILIN, prática que comparou aos tempos da ocupação indonésia quando se escolhia quem era processado ou não.

Ligações perigosas

Em nome da FRETILIN, José Teixeira divulgou outros casos que mostram o desprezo do governo ilegítimo pelos processos judiciais, ao contrário do que o seu partido fez quando estava no governo, sublinhou.
«Durante a recente campanha eleitoral das legislativas, o CNRT de Xanana nomeou o antigo sargento Vicente de Conceição Railos para liderar a sua campanha no distrito de Liquiçá – apesar de ter sido recomendado pela Comissão Especial Independente de Inquérito da ONU que este fosse processado por homicídio», disse.
Iguais dúvidas levanta o salvo conduto emitido pelo Procurador-Geral nomeado por Gusmão, Longuinhos Monteiro, ao foragido Alfredo Reinado, também ele na mira da ONU por envolvimento na crise do ano passado.

Os amigos do costume

Entretanto, o primeiro-ministro, Xanana Gusmão, mostrou-se pouco receptivo em voltar a conversar com a FRETILIN, deixando um eventual processo de diálogo e pacificação política do país para depois da aprovação do orçamento.
Na sessão solene que comemorou o 8.º aniversário da vitória dos independentistas timorenses no referendo realizado em 1999, o governante foi corroborado pelo presidente da república, Ramos-Horta, nas críticas à FRETILIN, partido que acusou de não ter aprendido nada com o passado.
Quem também esteve em Díli foi o ministro dos Negócios Estrangeiros australiano, Alexander Downer. O responsável de Camberra rejeitou que o seu país tenha alguma vez conspirado contra o governo da FRETILIN e acrescentou que a Austrália apenas «pretende estabilidade e prosperidade para os vizinhos».
Metade dos eleitos na bancada parlamentar da FRETILIN, incluindo Francisco Guterres «Lu Olo» e Mari Alkatiri, não compareceram à cerimónia por se encontrarem com o mandato suspenso em protesto contra a usurpação do poder pelos derrotados nas urnas a 30 de Junho.


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