Novo Centro de Trabalho é fruto do empenho
Ter um Centro de Trabalho era um sonho antigo dos comunistas de São Paio de Oleiros, no concelho de Santa Maria da Feira. Cansados de reunir em casas particulares ou salas emprestadas, decidiram que teriam uma sede própria. Desde o dia 25 de Abril que a têm.
O Centro de Trabalho é um instrumento para o reforço do Partido
A inauguração do novo Centro de Trabalho realizou-se simbolicamente no dia 25 de Abril. Na festa, que durou toda a tarde, foi contabilizada a presença de 140 pessoas. Mas, garante Maria Alenquer Cunha, da organização local do Partido, passaram por lá muitas mais que, «como não almoçaram não entraram nas contas».
Dos presentes, muitos eram militantes do Partido em São Paio de Oleiros e nas freguesias vizinhas, mas a maioria não era comunista, garante Luís Quintino, da Direcção da Organização Regional de Aveiro do PCP.
A festa de inauguração do novo Centro de Trabalho do Partido culminou um trabalho iniciado meses antes, em Dezembro do ano passado. Foi no dia 16 desse mês, lembra Joaquim Gomes, que «viemos para aqui pela primeira vez, mandar umas paredes abaixo». Mas as obras propriamente ditas iniciaram-se no segundo dia de Janeiro de 2007. Dias antes da festa, foram dados os últimos retoques.
Outro dirigente local, Joaquim Silva, recorda que «muitos materiais foram oferecidos ao Partido, mas tivemos de comprar algumas coisas. Já o trabalho foi todo gratuito, militante». Entre aqueles que ofereceram materiais e os que ali deixaram meses de trabalho, foram cerca de trinta as pessoas envolvidas, revelaram os entrevistados.
Para realizar este sonho, recorreu-se a campanhas de fundos. E, com imaginação e empenho, angariou-se o dinheiro necessário. «Até chegámos a comprar coisas que nós mesmo tínhamos oferecido», ironizou Joaquim Silva.
Alberto Pinto conta que o edifício onde hoje funciona o Centro de Trabalho estava muito degradado e que as obras foram profundas. Mas confessa que a vontade era tanta de estrear o Centro que «chegámos a reunir aqui à luz da vela, antes da electricidade estar completa».
Ana Capela é militante do Partido há poucos meses mas teve um papel importante na criação deste Centro de Trabalho. Os proprietários são seus tios e houve que os convencer a ceder – a título de empréstimo – o imóvel ao Partido. Depois de algumas resistências dos proprietários e de pressões exteriores, lembra, acabaram por aceitar, «apesar de não serem do Partido».
Um sonho antigo
Se as obras começaram no início deste ano, a ideia é já antiga. As reuniões do Partido realizavam-se frequentemente em casas particulares ou em espaços públicos cedidos. Durante as campanhas eleitorais alguns «amigos» cediam espaços comerciais onde eram instaladas as sedes de candidatura.
Segundo Ana Capela, foi na «ressaca» das eleições autárquicas de Outubro de 2005 que a ideia ganhou forma: a CDU alcançara um grande resultado para a Assembleia de Freguesia e por pouco não elegeu o terceiro elemento, que acabou por ser ganho pelo PSD. «Ficou decidido que começaríamos logo a preparar as próximas eleições», realçou.
«Cedo percebemos que as sedes de campanha eram úteis, mas que precisávamos de algo mais», afirma Joaquim Silva. «Há certas actividades que não podemos fazer na loja de um amigo ou na casa de um camarada», afirmou. «E começou a crescer a ideia de que uma sede do Partido aqui dava jeito».
Agora, iniciou-se outra etapa. O Centro de Trabalho está aberto e funciona. Apesar de não haver capacidade para abrir «a cem por cento, todos os dias», como afirmou Joaquim Silva, «sempre que houver trabalho do Partido ele estará aberto». Mas não só, «também o queremos abrir mais à população, chamar mais gente, com iniciativas». E, claro, fazer dele um instrumento para o reforço do Partido.
Ana Capela pensa que «haverá sempre pessoas com preconceitos em cá entrar e participar nas coisas», visto que a região é profundamente conservadora. Maria Cunha concorda, mas considera que a participação na festa de inauguração de muita gente de fora do Partido é um bom prenúncio. «As pessoas constataram o esforço que nós fizemos nesta casa e aquilo que se trabalhou aqui. Quando nos empenhamos a fazer as coisas, as pessoas também reconhecem.»
Uma terra com tradições progressistas
A abertura do Centro de Trabalho em São Paio de Oleiros não é fruto do acaso. Nesta freguesia de Santa Maria da Feira os comunistas têm tradição e influência. Segundo Joaquim Silva, os comunistas estão ligados ao povo e inseridos nas principais colectividades e instituições da terra. Além do mais, prossegue, «o facto de todos os membros do Partido na freguesia serem pessoas bem vistas e respeitadas contribui para a nossa implantação». Em sua opinião, «um comunista não tem só que dizer que é comunista, tem que o provar».
Os resultados eleitorais obtidos pela CDU, muito superiores aos registados noutras freguesias do concelho, também comprovam esta ligação. Nas últimas autárquicas, a CDU ficou apenas a 90 votos do PSD e a muito poucos de eleger um terceiro elemento para a Assembleia de Freguesia. No referendo à despenalização do aborto, o «Sim» apenas venceu em três freguesias do concelho. São Paio de Oleiros foi uma delas.
Também a realização da Assembleia da Organização de Freguesia, em Julho do ano passado, é reveladora da força da organização do Partido. Fez-se um balanço de organização, planificou-se a actividade e elegeu-se uma comissão de freguesia de 10 elementos.
Os militantes já foram em maior número, confessa Joaquim Silva. Mas tal facto deve-se fundamentalmente ao facto de muitos militantes do Partido terem rumado a outras terras em busca de trabalho. «Muitos deles são hoje militantes noutros locais, mas foram formados aqui», realça.
Já Moisés Sousa prefere valorizar que a influência do Partido em São Paio de Oleiros se prende sobretudo com as suas tradições de luta antifascista. Antes do 25 de Abril o MDP (Movimento Democrático Português) «tinha muita força e uniu muita gente contra o fascismo e a guerra», lembra. Também os católicos progressistas exerceram ali grande actividade, antes e depois da Revolução.
O médico comunista Ferreira Soares, o «Dr. Prata», exerceu ali uma intensa actividade, até ser assassinado pela polícia política do fascismo na localidade vizinha da Nogueira da Regedora. «Ele salvou muita gente de morrer, era o médico dos pobres», destacou Ana Capela.
Para Joaquim Silva, há outro nome a destacar: José António Cunha, «um grande obreiro do Partido aqui na freguesia». «Havia quem dissesse que o Partido acabaria em São Paio de Oleiros quando o Cunha desaparecesse, mas ele morreu e o Partido continua», valorizou.
Dos presentes, muitos eram militantes do Partido em São Paio de Oleiros e nas freguesias vizinhas, mas a maioria não era comunista, garante Luís Quintino, da Direcção da Organização Regional de Aveiro do PCP.
A festa de inauguração do novo Centro de Trabalho do Partido culminou um trabalho iniciado meses antes, em Dezembro do ano passado. Foi no dia 16 desse mês, lembra Joaquim Gomes, que «viemos para aqui pela primeira vez, mandar umas paredes abaixo». Mas as obras propriamente ditas iniciaram-se no segundo dia de Janeiro de 2007. Dias antes da festa, foram dados os últimos retoques.
Outro dirigente local, Joaquim Silva, recorda que «muitos materiais foram oferecidos ao Partido, mas tivemos de comprar algumas coisas. Já o trabalho foi todo gratuito, militante». Entre aqueles que ofereceram materiais e os que ali deixaram meses de trabalho, foram cerca de trinta as pessoas envolvidas, revelaram os entrevistados.
Para realizar este sonho, recorreu-se a campanhas de fundos. E, com imaginação e empenho, angariou-se o dinheiro necessário. «Até chegámos a comprar coisas que nós mesmo tínhamos oferecido», ironizou Joaquim Silva.
Alberto Pinto conta que o edifício onde hoje funciona o Centro de Trabalho estava muito degradado e que as obras foram profundas. Mas confessa que a vontade era tanta de estrear o Centro que «chegámos a reunir aqui à luz da vela, antes da electricidade estar completa».
Ana Capela é militante do Partido há poucos meses mas teve um papel importante na criação deste Centro de Trabalho. Os proprietários são seus tios e houve que os convencer a ceder – a título de empréstimo – o imóvel ao Partido. Depois de algumas resistências dos proprietários e de pressões exteriores, lembra, acabaram por aceitar, «apesar de não serem do Partido».
Um sonho antigo
Se as obras começaram no início deste ano, a ideia é já antiga. As reuniões do Partido realizavam-se frequentemente em casas particulares ou em espaços públicos cedidos. Durante as campanhas eleitorais alguns «amigos» cediam espaços comerciais onde eram instaladas as sedes de candidatura.
Segundo Ana Capela, foi na «ressaca» das eleições autárquicas de Outubro de 2005 que a ideia ganhou forma: a CDU alcançara um grande resultado para a Assembleia de Freguesia e por pouco não elegeu o terceiro elemento, que acabou por ser ganho pelo PSD. «Ficou decidido que começaríamos logo a preparar as próximas eleições», realçou.
«Cedo percebemos que as sedes de campanha eram úteis, mas que precisávamos de algo mais», afirma Joaquim Silva. «Há certas actividades que não podemos fazer na loja de um amigo ou na casa de um camarada», afirmou. «E começou a crescer a ideia de que uma sede do Partido aqui dava jeito».
Agora, iniciou-se outra etapa. O Centro de Trabalho está aberto e funciona. Apesar de não haver capacidade para abrir «a cem por cento, todos os dias», como afirmou Joaquim Silva, «sempre que houver trabalho do Partido ele estará aberto». Mas não só, «também o queremos abrir mais à população, chamar mais gente, com iniciativas». E, claro, fazer dele um instrumento para o reforço do Partido.
Ana Capela pensa que «haverá sempre pessoas com preconceitos em cá entrar e participar nas coisas», visto que a região é profundamente conservadora. Maria Cunha concorda, mas considera que a participação na festa de inauguração de muita gente de fora do Partido é um bom prenúncio. «As pessoas constataram o esforço que nós fizemos nesta casa e aquilo que se trabalhou aqui. Quando nos empenhamos a fazer as coisas, as pessoas também reconhecem.»
Uma terra com tradições progressistas
A abertura do Centro de Trabalho em São Paio de Oleiros não é fruto do acaso. Nesta freguesia de Santa Maria da Feira os comunistas têm tradição e influência. Segundo Joaquim Silva, os comunistas estão ligados ao povo e inseridos nas principais colectividades e instituições da terra. Além do mais, prossegue, «o facto de todos os membros do Partido na freguesia serem pessoas bem vistas e respeitadas contribui para a nossa implantação». Em sua opinião, «um comunista não tem só que dizer que é comunista, tem que o provar».
Os resultados eleitorais obtidos pela CDU, muito superiores aos registados noutras freguesias do concelho, também comprovam esta ligação. Nas últimas autárquicas, a CDU ficou apenas a 90 votos do PSD e a muito poucos de eleger um terceiro elemento para a Assembleia de Freguesia. No referendo à despenalização do aborto, o «Sim» apenas venceu em três freguesias do concelho. São Paio de Oleiros foi uma delas.
Também a realização da Assembleia da Organização de Freguesia, em Julho do ano passado, é reveladora da força da organização do Partido. Fez-se um balanço de organização, planificou-se a actividade e elegeu-se uma comissão de freguesia de 10 elementos.
Os militantes já foram em maior número, confessa Joaquim Silva. Mas tal facto deve-se fundamentalmente ao facto de muitos militantes do Partido terem rumado a outras terras em busca de trabalho. «Muitos deles são hoje militantes noutros locais, mas foram formados aqui», realça.
Já Moisés Sousa prefere valorizar que a influência do Partido em São Paio de Oleiros se prende sobretudo com as suas tradições de luta antifascista. Antes do 25 de Abril o MDP (Movimento Democrático Português) «tinha muita força e uniu muita gente contra o fascismo e a guerra», lembra. Também os católicos progressistas exerceram ali grande actividade, antes e depois da Revolução.
O médico comunista Ferreira Soares, o «Dr. Prata», exerceu ali uma intensa actividade, até ser assassinado pela polícia política do fascismo na localidade vizinha da Nogueira da Regedora. «Ele salvou muita gente de morrer, era o médico dos pobres», destacou Ana Capela.
Para Joaquim Silva, há outro nome a destacar: José António Cunha, «um grande obreiro do Partido aqui na freguesia». «Havia quem dissesse que o Partido acabaria em São Paio de Oleiros quando o Cunha desaparecesse, mas ele morreu e o Partido continua», valorizou.