Começou a batalha do Árctico
Canadianos, russos, dinamarqueses, noruegueses e norte-americanos deram início ao que pode vir a ficar conhecida como a batalha do Árctico. A disputa da soberania sobre uma parte ou a totalidade daquele Círculo Polar tem como objectivo garantir o acesso aos recursos naturais ali existentes.
Três das cinco nações envolvidas iniciaram já missões científicas ou militares junto do território. Estima-se que 25 por cento das reservas mundiais de petróleo e gás natural por explorar se encontrem nas jazidas do Árctico. A questão actual é saber qual dos cinco países com direitos territoriais naquela região conseguirá reclamar a maior fatia em tempo de crise energética.
Moscovo parte primeiro
O conflito estalou quando, no início de Agosto, Moscovo enviou uma missão composta por dois mini-submarinos. O objectivo, alcançado, diga-se, era colocar a mais de quatro mil metros de profundidade um bandeira russa, símbolo da soberania da nação sobre uma extensa zona da bacia hidrográfica do Oceano Árctico que a ex-república soviética entende ser uma extensão da plataforma continental da Sibéria.
Em resposta, o primeiro-ministro do Canadá, Stephen Harper, deslocou-se, sexta-feira, a Resolute, no território árctico canadiano do Nunavut, para anunciar o reforço dos efectivos do exército, a construção de um centro de treino militar naquela baía, e ainda a edificação de uma base das forças armadas do país nas águas profundas de Nanisivik.
O governo federal de Otava pretende, com isto, assegurar os respectivos direitos sobre a Passagem do Noroeste, tida como fundamental na disputa.
Escandinavos na corrida
Quem não quer ficar atrás na batalha é a Dinamarca, nação que reclama que a cordilheira de Lomonósov é uma extensão da Gronelândia. Copenhaga conta com o apoio dos vizinhos da Noruega e Suécia. Embora estes últimos não possam reclamar qualquer espécie de soberania no Árctico, também não estão dispostos a desperdiçar a oportunidade de aceder a um quinhão das suas riquezas.
Neste sentido uma equipa de 40 cientistas dos três países partiu, domingo, do porto norueguês de Svalbard, a bordo de um quebra-gelo sueco para uma missão inédita por águas nunca antes navegadas. Durante sensivelmente um mês vão procurar traçar o mapa do leito marítimo que se encontra sob o gelo e, desta forma, nutrir os governos escandinavos de provas que sustentem as respectivas pretensões.
Washington acusa Canadá
Como não podia deixar de ser, quando toca a reclamar direitos sobre jazidas de hidrocarbonetos, os EUA não poupam esforços.
A estratégia da Casa Branca neste particular não é ainda totalmente clara, mas para começar os norte-americanos apontaram o dedo ao Canadá, país que num eventual processo de negociação será sempre obrigado a ceder fruto do domínio que detém sobre o Árctico.
David Wilkins, representante diplomático dos EUA no Canadá, afirmou, domingo, respeitar «o direito do Canadá abrir portos neste território» ou de colocar «tropas onde considera necessário», mas considerou que tal «não muda a nossa posição».
O embaixador esclareceu depois que a Passagem do Noroeste «deve ser aberta à navegação internacional» considerando, por fim, que nesta matéria «é o Canadá contra o resto do mundo».
Três das cinco nações envolvidas iniciaram já missões científicas ou militares junto do território. Estima-se que 25 por cento das reservas mundiais de petróleo e gás natural por explorar se encontrem nas jazidas do Árctico. A questão actual é saber qual dos cinco países com direitos territoriais naquela região conseguirá reclamar a maior fatia em tempo de crise energética.
Moscovo parte primeiro
O conflito estalou quando, no início de Agosto, Moscovo enviou uma missão composta por dois mini-submarinos. O objectivo, alcançado, diga-se, era colocar a mais de quatro mil metros de profundidade um bandeira russa, símbolo da soberania da nação sobre uma extensa zona da bacia hidrográfica do Oceano Árctico que a ex-república soviética entende ser uma extensão da plataforma continental da Sibéria.
Em resposta, o primeiro-ministro do Canadá, Stephen Harper, deslocou-se, sexta-feira, a Resolute, no território árctico canadiano do Nunavut, para anunciar o reforço dos efectivos do exército, a construção de um centro de treino militar naquela baía, e ainda a edificação de uma base das forças armadas do país nas águas profundas de Nanisivik.
O governo federal de Otava pretende, com isto, assegurar os respectivos direitos sobre a Passagem do Noroeste, tida como fundamental na disputa.
Escandinavos na corrida
Quem não quer ficar atrás na batalha é a Dinamarca, nação que reclama que a cordilheira de Lomonósov é uma extensão da Gronelândia. Copenhaga conta com o apoio dos vizinhos da Noruega e Suécia. Embora estes últimos não possam reclamar qualquer espécie de soberania no Árctico, também não estão dispostos a desperdiçar a oportunidade de aceder a um quinhão das suas riquezas.
Neste sentido uma equipa de 40 cientistas dos três países partiu, domingo, do porto norueguês de Svalbard, a bordo de um quebra-gelo sueco para uma missão inédita por águas nunca antes navegadas. Durante sensivelmente um mês vão procurar traçar o mapa do leito marítimo que se encontra sob o gelo e, desta forma, nutrir os governos escandinavos de provas que sustentem as respectivas pretensões.
Washington acusa Canadá
Como não podia deixar de ser, quando toca a reclamar direitos sobre jazidas de hidrocarbonetos, os EUA não poupam esforços.
A estratégia da Casa Branca neste particular não é ainda totalmente clara, mas para começar os norte-americanos apontaram o dedo ao Canadá, país que num eventual processo de negociação será sempre obrigado a ceder fruto do domínio que detém sobre o Árctico.
David Wilkins, representante diplomático dos EUA no Canadá, afirmou, domingo, respeitar «o direito do Canadá abrir portos neste território» ou de colocar «tropas onde considera necessário», mas considerou que tal «não muda a nossa posição».
O embaixador esclareceu depois que a Passagem do Noroeste «deve ser aberta à navegação internacional» considerando, por fim, que nesta matéria «é o Canadá contra o resto do mundo».