Eles vêm aí
A gente bem os vê, mas não se lhes pode chegar. Estou a falar de andares. Dos mais modestos T0, que alguns jovens cobiçam a pensar que a família lhes não vai crescer porque a bolsa não estica, até às múltiplas divisões, com garagem e banheira de borbulhas. De facto, cada vez há mais, com os letreiros de «vende-se» a roerem-se com as intempéries do Inverno e as ardências do Verão, até se delirem por completo. É verdade que os mais caros são aqueles que mais se vendem, vá-se lá saber por quê. Arrisco uma opinião – é que, se os pobres são cada vez mais e os juros fazem disparar as mensalidades ao banco, as grandes fortunas também aumentam para os capitalistas e os seus especiais lacaios. Portanto, se a maioria não chega ao andar, a minoria pode bem acumular condomínios fechados que ninguém lhes vai à mão. E, como não vivemos «no Estado soviético», como esclarece ao Expresso um tal Apolinário, presidente da Câmara de Faro, apodado de «socialista» por esse jornal, «não podemos ter restrições e condicionalismos, com uma lógica de planeamento central»...
Vem isto a propósito de um trabalho publicado no semanário que referi, cujo afirma que, se os PDM fossem cumpridos até ao limite pelas autarquias, haveria em Portugal nada menos que 40 milhões de fogos.
Sabe-se que as casas devolutas chegariam para pôr a morar todas as famílias carentes de habitação. Mas a construção continua, e os preços não baixam. Com a ajuda do Banco Central Europeu, a mãozinha do Governo de Sócrates e a ganância dos grupos financeiros nacionais e estrangeiros que operam no País, vai continuar a sobrar habitação e a faltar poder de compra para lá chegar.
Como ainda não chegámos, infelizmente, ao Estado «soviético», há-de haver certamente uma razão, obscura para o português comum, que explique a desaustinada febre de construção civil. Será que os governantes – mais os seus parceiros autárquicos da «cor» (seja cor-de-rosa ou laranja) – apostam tanto no turismo residencial que esperam atrair para cá os milhões de reformados do resto da Europa? Ou esperam mesmo que os espanhóis invadam Portugal?
Vem isto a propósito de um trabalho publicado no semanário que referi, cujo afirma que, se os PDM fossem cumpridos até ao limite pelas autarquias, haveria em Portugal nada menos que 40 milhões de fogos.
Sabe-se que as casas devolutas chegariam para pôr a morar todas as famílias carentes de habitação. Mas a construção continua, e os preços não baixam. Com a ajuda do Banco Central Europeu, a mãozinha do Governo de Sócrates e a ganância dos grupos financeiros nacionais e estrangeiros que operam no País, vai continuar a sobrar habitação e a faltar poder de compra para lá chegar.
Como ainda não chegámos, infelizmente, ao Estado «soviético», há-de haver certamente uma razão, obscura para o português comum, que explique a desaustinada febre de construção civil. Será que os governantes – mais os seus parceiros autárquicos da «cor» (seja cor-de-rosa ou laranja) – apostam tanto no turismo residencial que esperam atrair para cá os milhões de reformados do resto da Europa? Ou esperam mesmo que os espanhóis invadam Portugal?