O relatório
No mesmo dia em que o Exército dos EUA anunciava a morte de mais sete soldados norte-americanos no Iraque (o total, em finais de Maio último, já atingia os 3800 mortos desde a invasão), o Washington Post publicava um relatório - confidencial até agora, está bem de ver -, onde a CIA advertia a administração Bush para as possíveis e prováveis «consequências negativas» do derrube de Saddam Hussein, isto antes da invasão do Iraque.
Que «consequências negativas»? Nem mais nem menos que «anarquia e secessão territorial, um aumento no terrorismo global e um aumento da antipatia muçulmana em relação aos EUA», ou seja, exactamente o que se veio a instalar no Iraque e a alastrar pelo mundo após a inacreditável invasão deste país a pretexto de umas armas de destruição maciça que ninguém demonstrou na altura existirem e que, hoje, é tranquilamente reconhecido em toda a parte – a começar nos próprios EUA - ter-se tratado de uma mistificação deliberada do governo norte-americano.
Afinal - e muito ao contrário do que a administração Bush procurou recentemente assacar à CIA, apontando-a como «responsável» pelos «erros de avaliação» na análise da questão iraquiana -, estes sombriamente famosos serviços secretos norte-americanos até cumpriram com eficácia o seu trabalho, aconselhando correctamente o seu governo nesta matéria.
A administração Bush – como já todo o mundo havia percebido... – é que não apenas ignorou completamente os estudos, as avaliações e as advertências dos seus serviços secretos, como pôs em marcha um plano criminoso e aventureiro de invasão do Iraque, concebido com premeditação para obter o controle das vastas reservas petrolíferas iraquianas e sem atender a quaisquer considerações que pusessem em causa esta ambição brutal do capitalismo cripto-fascista, que há muito pulsa nos EUA e de que a administração Bush se constituiu mandatária.
O resultado é dramático e catastrófico: o Iraque continua sem ter quaisquer «armas de destruição maciça», o ex-amigo dos norte-americanos, Saddam Hussein, foi afastado e morto mas, em contrapartida, o imenso país onde se localizou o paraíso bíblico foi esquartejado pela invasão norte-americana, as três principais etnias afogam-se diariamente num sangrento fratricídio, os fundamentalistas islâmicos da Al-Qaeda – que no tempo de Saddam não conseguiram penetrar no Iraque - lograram instalar-se no país e ali montar uma poderosa base operacional, as vítimas civis iraquianas, em quatro anos de ocupação e guerra, ascendem entre o mínimo de 150 mil mortos e um máximo que vai não se sabe a quantas centenas de milhares, contando-se entre eles inumeráveis mulheres, crianças, velhos e famílias inteiras, enquanto a estrutura económica, social e civilizacional do país foi completamente desarticulada.
Quanto aos norte-americanos, além de também serem abatidos diariamente, estão encurralados em bunkers nas principais cidades e vivendo um quotidiano de pavor, onde a arrogância do exército avassalador que tomou o país de assalto em poucas semanas deu, há muito, lugar ao desespero acossado de um ocupante que já só almeja a retirada, deixando atrás o caos e levando para casa mais uma derrota imperial.
Que «consequências negativas»? Nem mais nem menos que «anarquia e secessão territorial, um aumento no terrorismo global e um aumento da antipatia muçulmana em relação aos EUA», ou seja, exactamente o que se veio a instalar no Iraque e a alastrar pelo mundo após a inacreditável invasão deste país a pretexto de umas armas de destruição maciça que ninguém demonstrou na altura existirem e que, hoje, é tranquilamente reconhecido em toda a parte – a começar nos próprios EUA - ter-se tratado de uma mistificação deliberada do governo norte-americano.
Afinal - e muito ao contrário do que a administração Bush procurou recentemente assacar à CIA, apontando-a como «responsável» pelos «erros de avaliação» na análise da questão iraquiana -, estes sombriamente famosos serviços secretos norte-americanos até cumpriram com eficácia o seu trabalho, aconselhando correctamente o seu governo nesta matéria.
A administração Bush – como já todo o mundo havia percebido... – é que não apenas ignorou completamente os estudos, as avaliações e as advertências dos seus serviços secretos, como pôs em marcha um plano criminoso e aventureiro de invasão do Iraque, concebido com premeditação para obter o controle das vastas reservas petrolíferas iraquianas e sem atender a quaisquer considerações que pusessem em causa esta ambição brutal do capitalismo cripto-fascista, que há muito pulsa nos EUA e de que a administração Bush se constituiu mandatária.
O resultado é dramático e catastrófico: o Iraque continua sem ter quaisquer «armas de destruição maciça», o ex-amigo dos norte-americanos, Saddam Hussein, foi afastado e morto mas, em contrapartida, o imenso país onde se localizou o paraíso bíblico foi esquartejado pela invasão norte-americana, as três principais etnias afogam-se diariamente num sangrento fratricídio, os fundamentalistas islâmicos da Al-Qaeda – que no tempo de Saddam não conseguiram penetrar no Iraque - lograram instalar-se no país e ali montar uma poderosa base operacional, as vítimas civis iraquianas, em quatro anos de ocupação e guerra, ascendem entre o mínimo de 150 mil mortos e um máximo que vai não se sabe a quantas centenas de milhares, contando-se entre eles inumeráveis mulheres, crianças, velhos e famílias inteiras, enquanto a estrutura económica, social e civilizacional do país foi completamente desarticulada.
Quanto aos norte-americanos, além de também serem abatidos diariamente, estão encurralados em bunkers nas principais cidades e vivendo um quotidiano de pavor, onde a arrogância do exército avassalador que tomou o país de assalto em poucas semanas deu, há muito, lugar ao desespero acossado de um ocupante que já só almeja a retirada, deixando atrás o caos e levando para casa mais uma derrota imperial.