G8, OS VAMPIROS

Rui Paz

Aos eleitores apenas é permitido escolher as caras dos governantes

Os chefes de Estado e de Governo dos oito países mais ricos do mundo (G8) reúnem-se esta semana na Alemanha, para decidirem como é que o grande capital e em particular os monopólios transnacionais vão continuar a saquear, a explorar e a oprimir os povos do planeta. Desde 1975 que este grupo (G7), sob o manto da procura de soluções para os problemas globais, define conjuntamente e com grande pompa a sua estratégia de domínio mundial. Até hoje, nenhum problema do sistema capitalista foi resolvido mas todos se têm vindo a agravar. O balanço desta ditadura imperialista mundial é catastrófico e sintomático de um sistema mergulhado numa profunda crise política, económica, civilizacional, cultural e moral. Miséria galopante, desemprego, doenças, dívidas sem fim, poluição dos solos, das águas e da atmosfera, guerras de agressão e ocupação, massacres, tortura, ataques sem precedentes aos direitos políticos e sociais, corrupção generalizada desfilam diariamente diante dos nossos olhos.

O grupo dos oito é constituído pelos EUA, Canadá, França, Alemanha, Inglaterra, Itália, Japão, e nos últimos 10 anos também pela Rússia, embora excluída das questões referentes à esfera financeira e monetária. Estes estados compreendem apenas 13% da população do globo. Mas as suas estruturas imperialistas arrecadam 66% da riqueza produzida no planeta. 79 dos cem maiores monopólios transnacionais e 8 dos maiores 10 bancos mundiais estão sediados nos países do G8, assim como a esmagadora maioria dos 500 trustes que repartem o mundo entre si. Aliás, sem o recurso à mentira e sem o patrocínio do grande capital, os seus dirigentes políticos nunca teriam sido eleitos nem seriam governantes de nada. O governo de Bush é um exemplo paradigmático de que na «muralha sagrada» (Heiligendamm) - assim se chama o local em que decorre o encontro do G8 e dos sacerdotes da globalização - não são os representantes dos povos mas uma comissão executiva da indústria petrolífera, automóvel, aeronáutica, armamentista e do sector financeiro que se ali vai reunir-se em conclave.

A fusão entre os governos e os interesses dos grandes monopólios mundiais é tão grande que, praticamente em todas as questões fundamentais, verifica-se uma profunda contradição entre a vontade maioritária dos eleitores, e as políticas antidemocráticas que os governos executam. Para este sistema de poder, a democracia já não reside no povo mas reduz-se a um ritual, em que aos eleitores apenas é permitido escolher as caras dos governantes, proibindo-se-lhes determinar o conteúdo das políticas concretas. Só assim tem sido possível privatizar e expropriar estados e povos inteiros, instrumentalizar a ONU, decretar sanções contra países mais débeis, espezinhar os princípios do direito internacional, e utilizar a NATO e outro tipo de alianças militares agressivas para arrasar violentamente os poderes nacionais que não se submetam. Este grupo de oito estados capitalistas mais ricos possui também a mais poderosa máquina de guerra de sempre. Detêm três quartos de todas as armas existentes e 90% do poderio atómico mundial. Cinco estão directamente envolvidos na agressão e ocupação do Iraque, e, excluindo neste caso a Rússia e o Japão, massacram as populações no Afeganistão para manter a ditadura de Karsai, um ex-funcionário norte-americano de uma firma de petróleo texana. Aos povos que pretedem dominar pregam a «democracia dos mercados».

Mas, para si próprios, arrogam-se o direito de impor pela força das armas o saque das matérias primas e uma nova ordem mundial cada vez mais injusta. São os vampiros do universo. Como se cantava em Portugal nos tempos do fascismo: «eles comem tudo, eles comem tudo, e não deixam nada».


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