França ataca imigrantes

Expulsão iminente

O governo constituído pelo novo presidente de França, Nicolas Sarkozy, prepara-se para apresentar, em Julho, um projecto de lei sobre imigração que irá agravar a situação dos estrangeiros em situação irregular.

O novo governo de direita quer expulsar 25 mil imigrantes

Brice Hortefeux, ministro da Imigração, Integração, Identidade Nacional e Codesenvolvimento, revelou que um dos objectivos da nova legislação é «afastar [expulsar] de França 25 mil imigrantes irregulares durante 2007».
Num artigo que publicou, sexta-feira, 1, no jornal Le Fígaro, Hortefeux justifica a decisão de Sarkozy de criar o ministério que dirige, cuja tarefa, explica, é «controlar os fluxos migratórios, favorecer a integração, promover a identidade francesa e estimular o codesenvolvimento».
Elogiando a «política pragmática» de Sarkozy como ministro do Interior, Hortefeux recorda que as expulsões de estrangeiros aumentaram 140 por cento entre 2002 e 2006. No futuro, esta orientação será aprofundada: «Os estrangeiros “sem papéis” não têm vocação para ficar em França, mas para ser reconduzidos aos seus países de origem, de forma voluntária ou forçada», escreve o ministro.
Sem questionar o direito de asilo, que será mantido como «uma exigência moral» do país, Hortefeux considera que «o controlo da imigração não implica apenas regulá-la, mas significa também escolhê-la».
Neste sentido, o governante lamenta que actualmente em França, apenas sete por cento das autorizações de residência sejam concedidas na base de motivos profissionais e mostra-se disposto a tomar medidas para «melhor seleccionar os imigrantes e encorajar a imigração por razões profissionais».
Os critérios dessa selecção são definidos da seguinte forma: «Temos de ter em conta as nossas necessidades económicas e demográficas que evoluem. Estas últimas são menos elevadas que as dos nossos vizinhos. A França tem uma taxa de fecundidade de cerca de duas crianças por mulher em idade de procriar, o que assegura a renovação das gerações, enquanto na Espanha, na Itália e na Alemanha esta taxa oscila entre 1,3 e 1,35, provocando uma diminuição da população activa».
Com o mesmo calculismo frio, Hortefeux identifica, no plano económico, necessidades de mão-de-obra em vários sectores como «a construção civil, a hotelaria, a restauração, a agricultura, os serviços domésticos», mas também de «talentos de origem estrangeira» nas actividades científicas. Assim, conclui que «sem praticar a pilhagem de cérebros, devemos favorecer a sua circulação. Sabemo-lo: a imigração zero não é possível nem desejável».


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