Ocupação afunda Iraque

Parlamento sob fogo

Dezenas de mortos, um governo incapaz de funcionar e um parlamento vulnerável a atentados suicidas marcaram a semana no cada vez mais caótico território iraquiano.

«Ministros de al-Sadr abandonam governo colaboracionista»

Oito mortos e pelo menos 23 feridos é o balanço do atentado a meio da semana passada no parlamento de Bagdad. De acordo com dados divulgados pelo comando norte-americano, citado pela Lusa, o ataque foi perpetrado por «um bombista suicida que accionou os explosivos numa cafetaria do edifício do parlamento, onde entrara com uma mala na mão».
A explicação sucinta deixa por apurar como é que a chamada «zona verde» - tida pelos ocupantes como a mais vigiada do país, muito embora informações diárias dêem conta de diversos ataques e bombardeamentos da resistência naquela área – se torna, de um momento para o outro, vulnerável à entrada de um indivíduo com um pacote de explosivos debaixo do braço, mas deixa bem claro que nem as dezenas de barreiras de betão e postos de controlo que circundam o bairro das embaixadas estrangeiras e do governo títere conseguem travar a revolta contra os ocupantes.

Fragmentação do poder

Tão grave como a agressão que atingiu a assembleia foi o anúncio, dias depois, da demissão dos seis ministros afectos ao partido do clérigo xiita Moqtada al-Sadr. Sadr foi durante o último ano indicado como um dos principais sustentáculos do executivo liderado Nuri al-Maliki, mas as desavenças na distribuição dos recursos e a recusa do ainda primeiro-ministro em negociar com Washington um calendário para a partida das tropas fez transbordar um copo aparentemente mais cheio que vazio desde o primeiro dia de partilha do poder. A recente proposta de federalização do país, feita por um alto responsável do governo de al-Maliki, pode também ter sido um sinal dos projectos futuros daquela facção.

Plano de (in)segurança

A nu ficou também a crescente insegurança e o caos em que se encontra mergulhado o território. Dois meses depois de ter sido accionado o novo plano de contenção da violência em Bagdad, a realidade demonstra a falência das medidas adoptadas.
Só na segunda-feira, 28 pessoas perderam a vida e mais de uma centena ficou ferida em diversos ataques contra as forças de segurança em Bagdad, números negros aos quais se juntam a morte de pelo menos 83 pessoas durante a jornada de sábado.
Nas províncias de Al-Anbar e Salaheddin, os combates também não dão tréguas aos ocupantes e soldados colaboracionistas. Fallujah e Beiyi foram cidades onde se registaram emboscadas contra altas patentes das forças policiais e do exército iraquiano.

Conferência dos remendos

Entretanto, em Genebra, terça e quarta-feira, reuniu-se a conferência internacional da ONU sobre os refugiados do conflito iraquiano. No encontro promovido sob a égide do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados, organismo presidido por António Guterres, alertou-se para a dramática situação dos cerca de quatro milhões de deslocados iraquianos, obrigados a fugir para os países vizinhos, sobretudo Síria e Jordânia.
Na iniciativa, o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, apelou à «comunidade internacional» para que «comparta o peso» da situação, nomeadamente através do apoio financeiro aos programas de ajuda de emergência, e às nações fronteiriças do Iraque para que não procedam a «repatriamentos forçados».
O alerta traduz a política de remendos da instituição fundada após a II Guerra Mundial, mas também revela o medo que os ocupantes nutrem pelo regresso de centenas de milhares de iraquianos dispostos a expulsar os invasores.


Mais artigos de: Internacional

Povo vota constituinte

Quase três milhões e duzentos mil equatorianos aprovaram a realização de uma assembleia constituinte no país, respondendo afirmativamente ao apelo de mudança feito pelo presidente.

Direita tenta travar progresso

O governo boliviano acusa a direita do país de tentar boicotar os processos de nacionalização dos recursos petrolíferos e de reforma agrária em curso no país.Segundo Héctor Arce, responsável pela coordenação do executivo liderado por Evo Morales, os eleitos do Movimento Nacionalista Revolucionário (MNR), Poder...

Cinco anos depois do golpe

Centenas de milhares de venezuelanos comemoraram, durante o fim-de-semana, a vitória sobre o golpe anticonstitucional de 2002 que, entre 11 e 13 de Abril, durante pouco menos de 48 horas, afastou do poder as forças progressistas e o presidente democraticamente eleito, Hugo Chávez Frias.No arranque das cerimónias oficiais...

Mais um «título» para Bush!

Após quatro meses de estudos, o Lovenstein Institute[1] (Pensilvânia) publicou um relatório sobre o quociente intelectual do inquilino da Casa Branca, coisa que vem fazendo em relação a todos os presidentes desde 1973.Os resultados não trouxeram nenhuma novidade. George Bush é o presidente com o QI mais baixo da...