Prodi promete gastos sociais
O governo italiano está optimista em relação ao crescimento económico e, apesar do orçamento de «rigor» aprovado para este ano, já anunciou que irá destinar parte do aumento das receitas fiscais para a política social.
Saneamento das contas públicas passa para segundo plano
Embora as previsões indiquem um crescimento tímido de apenas 1,8 por cento, a saída da recessão é já dada como certa pelas autoridades italianas. No sábado, à margem da reunião do G7 em Washington, o ministro da Economia, Tommaso Padoa- Schioppa, declarou que «o estado de urgência já passou e sinto em meu redor uma maior confiança em Itália».
De facto, os dois primeiros meses deste ano trouxeram um inesperado aumento de receitas do Estado, que arrecadou mais 7,1 por cento do que em igual período de 2006. A manter-se esta tendência, o governo poderá contar com uma folga no orçamento de cerca de cinco mil milhões de euros.
O que fazer com tanto dinheiro? A resposta foi dada pelo próprio primeiro-ministro, numa carta publicada no jornal Correio della Sera: «Dois terços serão destinados, sob diversas formas, àqueles que enfrentam com maiores dificuldades o caminho da existência, quer sejam trabalhadores, reformados ou desempregados». O restante, acrescentou Romano Prodi, será atribuído às empresas, sob a forma de ajudas à inovação e à investigação, e à construção de infra-estruturas sobretudo no sul do país.
Recuperar apoio social
Ainda sem ter completado o primeiro ano de governação, a equipa liderada por Romano Prodi tem-se ressentido de uma sensível quebra de popularidade nas sondagens que traduz um crescente descontentamento na sociedade. A política externa pró-americana e a preparação de uma ofensiva contra os direitos sociais e laborais provocaram cisões na maioria que apoia o governo e o descrédito nas massas populares.
Com este anúncio, o primeiro-ministro tenta recuperar a imagem de «esquerda» do seu governo, sanar divergências internas e conquistar o apoio dos sindicatos e do eleitorado.
Contudo, esta pequena «compensação», como lhe chamou Romano Prodi, logo suscitou os protestos de Bruxelas e do patronato transalpino, escandalizados com tamanha generosidade social.
O comissário europeu da Economia, Joaquin Almunia, sentenciou que as receitas suplementares devem ser utilizadas para reduzir o défice e a dívida pública (uma das mais elevadas da UE): «É o melhor serviço que pode ser prestado ao país e à sociedade italiana».
No mesmo sentido pronunciou-se o presidente da confederação patronal (Cofindustria), Luca di Montezemolo, para quem, «pôr ordem nas contas públicas é a única maneira de baixar impostos às empresas e aos que nelas trabalham e suas famílias».
Contudo, provando afinal que estas pressões podem ser relativizadas, o titular da economia ripostou, assegurando que «o esforço de recuperação será prosseguido, mas trata-se de uma questão de tempo e de forma de o fazer», disse Padoa-Schioppa, mostrando-se partidário de medidas suaves e faseadas.
A este propósito, Romano Prodi foi ao pormenor de esclarecer que o saneamento completo das contas públicas necessitará de «uma dezena ou uma quinzena de anos», já que, considerou, «não se pode matar o país para combater a dívida».
Justificando a opção do seu governo, Prodi recordou que os salários dos italianos são dos mais baixos da Europa, logo a seguir aos dos portugueses, enquanto que os rendimentos dos empresários e gestores aumentaram 17 por cento entre 2005 e 2006, ou seja, oito vezes a inflação registada.
De facto, os dois primeiros meses deste ano trouxeram um inesperado aumento de receitas do Estado, que arrecadou mais 7,1 por cento do que em igual período de 2006. A manter-se esta tendência, o governo poderá contar com uma folga no orçamento de cerca de cinco mil milhões de euros.
O que fazer com tanto dinheiro? A resposta foi dada pelo próprio primeiro-ministro, numa carta publicada no jornal Correio della Sera: «Dois terços serão destinados, sob diversas formas, àqueles que enfrentam com maiores dificuldades o caminho da existência, quer sejam trabalhadores, reformados ou desempregados». O restante, acrescentou Romano Prodi, será atribuído às empresas, sob a forma de ajudas à inovação e à investigação, e à construção de infra-estruturas sobretudo no sul do país.
Recuperar apoio social
Ainda sem ter completado o primeiro ano de governação, a equipa liderada por Romano Prodi tem-se ressentido de uma sensível quebra de popularidade nas sondagens que traduz um crescente descontentamento na sociedade. A política externa pró-americana e a preparação de uma ofensiva contra os direitos sociais e laborais provocaram cisões na maioria que apoia o governo e o descrédito nas massas populares.
Com este anúncio, o primeiro-ministro tenta recuperar a imagem de «esquerda» do seu governo, sanar divergências internas e conquistar o apoio dos sindicatos e do eleitorado.
Contudo, esta pequena «compensação», como lhe chamou Romano Prodi, logo suscitou os protestos de Bruxelas e do patronato transalpino, escandalizados com tamanha generosidade social.
O comissário europeu da Economia, Joaquin Almunia, sentenciou que as receitas suplementares devem ser utilizadas para reduzir o défice e a dívida pública (uma das mais elevadas da UE): «É o melhor serviço que pode ser prestado ao país e à sociedade italiana».
No mesmo sentido pronunciou-se o presidente da confederação patronal (Cofindustria), Luca di Montezemolo, para quem, «pôr ordem nas contas públicas é a única maneira de baixar impostos às empresas e aos que nelas trabalham e suas famílias».
Contudo, provando afinal que estas pressões podem ser relativizadas, o titular da economia ripostou, assegurando que «o esforço de recuperação será prosseguido, mas trata-se de uma questão de tempo e de forma de o fazer», disse Padoa-Schioppa, mostrando-se partidário de medidas suaves e faseadas.
A este propósito, Romano Prodi foi ao pormenor de esclarecer que o saneamento completo das contas públicas necessitará de «uma dezena ou uma quinzena de anos», já que, considerou, «não se pode matar o país para combater a dívida».
Justificando a opção do seu governo, Prodi recordou que os salários dos italianos são dos mais baixos da Europa, logo a seguir aos dos portugueses, enquanto que os rendimentos dos empresários e gestores aumentaram 17 por cento entre 2005 e 2006, ou seja, oito vezes a inflação registada.