Coerência de betão
Dão-nos noticia de que o Governo vem defendendo junto de Bush a candidatura de José Lamego a um cargo de administração no Iraque com vista à «reconstrução» daquele país.
A novidade não está seguramente na iniciativa. Durão e o seu Governo aspirarão por certo a alguma generosa retribuição pelo papel a que se prestaram perante os Estados Unidos no processo de invasão e de posterior ocupação do Iraque. Pelo que não adiantará sequer tentar demover o Governo, e quem o conduz, a abandonar uma postura que, colocando o nosso país naquela posição de quem não podendo sentar-se à mesa dos que decidem se dispõe a, junto ou debaixo dela, aguardar que ao regaço lhe vá parar alguma migalha do espólio que os novos donos agora repartem.
Talvez o que mais pudesse surpreender, o que em boa verdade de todo a alguns não surpreende, é a solução que diligentemente o governo anda pelos corredores da Casa Branca defendendo. Nem mais nem menos que José Lamego, destacado dirigente do PS com largas e continuadas responsabilidades ao nível das relações internacionais naquele partido, que contará em defesa da sua candidatura com o alto patrocínio, seguramente movido pelo inquestionável desprendimento e altruísmo, de uma conhecida empresa cimenteira. Deixemos de lado os mais ou menos sinceros sinais de incomodidade e as mais ou menos convincentes explicações dos actuais responsáveis pelo PS sobre esta bem cimentada aliança que reúne numa só, o bloco central de interesses políticos e as sua tentaculares ramificações económicas. Atentemos apenas no significado de ver alguém com as responsabilidades passadas e presentes de José Lamego dispor-se ao papel de joguete e testa de ferro de interesses de quem vê na premeditada destruição de um país uma oportunidade de negócio. Se assim o fizermos talvez possamos ver que esta curiosa atracção de José Lamego para os interesses ligados aos cimentos e ao betão melhor possa explicar as razões que o possam ter motivado a concorrer à Presidência do município de Cascais. Pelo que se tem de fazer o esforço de perceber que, goradas que foram as expectativas de poder prosseguir com a betonização do concelho que o anterior presidente Judas tão esforçadamente empreendera, o homem teria de encontrar alternativas para a sua nova vocação. E assim concluir com inteira justiça que, ao contrário das más línguas que injustamente o acusam de incoerência, o homem é afinal um poço da mais sólida e consistente coerência: a de betão.
A novidade não está seguramente na iniciativa. Durão e o seu Governo aspirarão por certo a alguma generosa retribuição pelo papel a que se prestaram perante os Estados Unidos no processo de invasão e de posterior ocupação do Iraque. Pelo que não adiantará sequer tentar demover o Governo, e quem o conduz, a abandonar uma postura que, colocando o nosso país naquela posição de quem não podendo sentar-se à mesa dos que decidem se dispõe a, junto ou debaixo dela, aguardar que ao regaço lhe vá parar alguma migalha do espólio que os novos donos agora repartem.
Talvez o que mais pudesse surpreender, o que em boa verdade de todo a alguns não surpreende, é a solução que diligentemente o governo anda pelos corredores da Casa Branca defendendo. Nem mais nem menos que José Lamego, destacado dirigente do PS com largas e continuadas responsabilidades ao nível das relações internacionais naquele partido, que contará em defesa da sua candidatura com o alto patrocínio, seguramente movido pelo inquestionável desprendimento e altruísmo, de uma conhecida empresa cimenteira. Deixemos de lado os mais ou menos sinceros sinais de incomodidade e as mais ou menos convincentes explicações dos actuais responsáveis pelo PS sobre esta bem cimentada aliança que reúne numa só, o bloco central de interesses políticos e as sua tentaculares ramificações económicas. Atentemos apenas no significado de ver alguém com as responsabilidades passadas e presentes de José Lamego dispor-se ao papel de joguete e testa de ferro de interesses de quem vê na premeditada destruição de um país uma oportunidade de negócio. Se assim o fizermos talvez possamos ver que esta curiosa atracção de José Lamego para os interesses ligados aos cimentos e ao betão melhor possa explicar as razões que o possam ter motivado a concorrer à Presidência do município de Cascais. Pelo que se tem de fazer o esforço de perceber que, goradas que foram as expectativas de poder prosseguir com a betonização do concelho que o anterior presidente Judas tão esforçadamente empreendera, o homem teria de encontrar alternativas para a sua nova vocação. E assim concluir com inteira justiça que, ao contrário das más línguas que injustamente o acusam de incoerência, o homem é afinal um poço da mais sólida e consistente coerência: a de betão.