A Constituição e a guerra

José Casanova
Passaram três meses sobre a invasão e ocupação do Iraque às ordens de Bush, com o apoio do fidelíssimo Blair e as genuflexões servis de Berlusconi, Aznar, Barroso e outros cúmplices. Tratou-se de um crime de guerra com a barbaridade e a hipocrisia de que se revestem todos os muitos crimes de guerra praticados pelos criminosos que, em cada momento, têm estado à frente do Império.
Bush, Blair, Berlusconi, Aznar, Barroso e outros são, directa ou indirectamente, responsáveis pela morte de milhares de inocentes e, por isso, deveriam ser julgados se existisse um verdadeiro Tribunal Internacional para julgamento de crimes de guerra. Assim, ficarão quanto muito conhecidos como mentirosos, aldrabões, trapaceiros que, na base de uma invencionice, pondo os seus media a espalhar a notícia e a divulgar as provas da existência, no Iraque, de armas de destruição maciça e químicas e biológicas e de organizações terroristas (as quais se preparavam para vir lançar aquelas terríveis bombas sobre o «mundo civilizado», ou seja, sobre os EUA e a Europa ), mandaram matar milhares de pessoas inocentes, mandaram destruir um país, mandaram vandalizar e pilhar património histórico de valor incalculável, enfim comportaram-se como autênticos bárbaros. E ocuparam esse país que passou a ser propriedade do Império, funcionando sob as ordens do representante do Fuherer para ali destacado e tendo como assessores, com contratos especiais, os habituais lacaios do Reich – sempre postados de cócoras, servis, viscosos como répteis e pagos para matar ou para aplaudir os assassinos.
Três meses depois do «fim» da guerra, soldados ocupantes morrem diariamente e o facínora Bush ainda não conseguiu prender nem matar o tirano Saddam. Por isso, o Império ordenou aos seus servos que mandassem tropas. E Barroso vai obedecer. Vai mandar 121 portugueses: Lamego, do PS (e cujas simpatias pelos EUA parecem ter tido sempre visível reciprocidade), que vai para a área dos negócios; e 120 GNR’s que vão para a área da «resposta a tumultos». O que quer dizer que, em princípio, o Lamego não vai correr o mínimo risco – antes pelo contrário, muito lhe irá sorrir a vida.
Com esta decisão, o Governo Barroso/Portas entra na guerra de facto. E não há malabarismos de linguagem que o escondam.
O que é que a Constituição da República Portuguesa diz sobre esta matéria? O que pensa disto o Presidente da República?


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