EUA afundam-se no conflito
Os EUA não têm nenhuma solução militar para o Iraque, admitiu o novo comandante dos ocupantes no território. Apesar disso, Bush insiste no envio de mais tropas, alheio à crescente oposição do povo norte-americano à guerra.
«Homens e meios são esmagados pelo rolo compressor da violência»
Uma sondagem divulgada anteontem pelo canal de televisão CNN indica que mais de 60 por cento dos norte-americanos defende a retirada gradual das tropas norte-americanas do Iraque e que 21 por cento dos inquiridos exige tal medida com carácter imediato.
Os resultados parecem não abalar as convicções de George W. Bush e dos falcões com quem se aconselha na Casa Branca. Em Janeiro, o presidente dos EUA anunciou o envio de mais 21 mil soldados para o teatro de operações e na última semana insistiu no reforço de verbas destinadas a fazer face às pesadas despesas do conflito.
A poucos dias de se completarem quatro anos sobre o início da agressão, no terreno a situação é absolutamente incontrolável, superando mesmo os prognósticos mais pessimistas. Homens e meios são esmagados pelo rolo compressor da violência indiscriminada num país ingovernável. A maioria da população vive em condições miseráveis e o número de refugiados não pára de aumentar, segundo dados da ACNUR.
Em declarações proferidas na quinta-feira da semana passada, o novo comandante norte-americano para o território, o general David Petraeus, afirmou sem rodeios não existir «solução militar para um problema como o do Iraque». Petraeus deixou ainda claro que os acordos políticos devem ser agora o caminho a seguir face à falência de um desfecho militar favorável aos ocupantes e demais forças colaboracionistas.
O desnorte entre os meios castrenses americanos revela-se ainda pelo facto de vários responsáveis por operações no Iraque pedirem desesperadamente o reforço dos respectivos contingentes. Certa, para já, é a concentração até ao próximo mês de Junho de cerca de 90 mil militares na região de Bagdad. O Pentágono diz estar a estudar várias outras hipóteses.
Igualmente garantida é a falta de homens dispostos a seguir para o Médio Oriente. Informações divulgadas pela imprensa dos EUA revelam que as forças armadas norte-americanas se debatem com um problema de escassez de oficiais. Feridos e incapacitados de guerra estão a receber notificações para se apresentarem ao serviço.
Despojos da guerra
Entretanto, em Washington somam-se os escândalos. Depois do Washington Post ter denunciado que o maior hospital de veteranos dos EUA acolhia doentes em condições insalubres, agora são especialistas das universidades da Califórnia e do Centro Médico de Veteranos de São Francisco que vêm afirmar que mais de 30 por cento dos soldados que regressam do Iraque e do Afeganistão apresentam sérios problemas psicológicos. 52 por cento sofrem de stress pós-traumático, valor muito superior ao registado durante a guerra do Vietname.
Paralelamente, outro tema ensombra o governo republicano: as contas da guerra. Em causa estão cobranças pouco claras apresentadas pela multinacional Halliburton ao erário público.
A empresa, responsável por serviços prestados ao contingente dos EUA e beneficiária de chorudos contratos de «reconstrução», encontra-se sob tal suspeita que já ameaçou transferir a sua sede social para o Dubai, «democracia amiga» e acólita do «novo século americano», almejado pelo capitalismo e respectivos lacaios.
Os resultados parecem não abalar as convicções de George W. Bush e dos falcões com quem se aconselha na Casa Branca. Em Janeiro, o presidente dos EUA anunciou o envio de mais 21 mil soldados para o teatro de operações e na última semana insistiu no reforço de verbas destinadas a fazer face às pesadas despesas do conflito.
A poucos dias de se completarem quatro anos sobre o início da agressão, no terreno a situação é absolutamente incontrolável, superando mesmo os prognósticos mais pessimistas. Homens e meios são esmagados pelo rolo compressor da violência indiscriminada num país ingovernável. A maioria da população vive em condições miseráveis e o número de refugiados não pára de aumentar, segundo dados da ACNUR.
Em declarações proferidas na quinta-feira da semana passada, o novo comandante norte-americano para o território, o general David Petraeus, afirmou sem rodeios não existir «solução militar para um problema como o do Iraque». Petraeus deixou ainda claro que os acordos políticos devem ser agora o caminho a seguir face à falência de um desfecho militar favorável aos ocupantes e demais forças colaboracionistas.
O desnorte entre os meios castrenses americanos revela-se ainda pelo facto de vários responsáveis por operações no Iraque pedirem desesperadamente o reforço dos respectivos contingentes. Certa, para já, é a concentração até ao próximo mês de Junho de cerca de 90 mil militares na região de Bagdad. O Pentágono diz estar a estudar várias outras hipóteses.
Igualmente garantida é a falta de homens dispostos a seguir para o Médio Oriente. Informações divulgadas pela imprensa dos EUA revelam que as forças armadas norte-americanas se debatem com um problema de escassez de oficiais. Feridos e incapacitados de guerra estão a receber notificações para se apresentarem ao serviço.
Despojos da guerra
Entretanto, em Washington somam-se os escândalos. Depois do Washington Post ter denunciado que o maior hospital de veteranos dos EUA acolhia doentes em condições insalubres, agora são especialistas das universidades da Califórnia e do Centro Médico de Veteranos de São Francisco que vêm afirmar que mais de 30 por cento dos soldados que regressam do Iraque e do Afeganistão apresentam sérios problemas psicológicos. 52 por cento sofrem de stress pós-traumático, valor muito superior ao registado durante a guerra do Vietname.
Paralelamente, outro tema ensombra o governo republicano: as contas da guerra. Em causa estão cobranças pouco claras apresentadas pela multinacional Halliburton ao erário público.
A empresa, responsável por serviços prestados ao contingente dos EUA e beneficiária de chorudos contratos de «reconstrução», encontra-se sob tal suspeita que já ameaçou transferir a sua sede social para o Dubai, «democracia amiga» e acólita do «novo século americano», almejado pelo capitalismo e respectivos lacaios.