Uma desumanidade cruel
Em cada ano que passa são detectados no nosso país 900 novos casos de cancro do colo do útero, 300 dos quais mortais, vitimando quase uma mulher por dia. Portugal é dos países da União Europeia em que a incidência e a mortalidade deste tipo de cancro é maior.
O Plano Oncológico Nacional prevê desde 2001 que cada mulher faça um diagnóstico precoce da doença de três em três anos. A verdade é que seis anos depois só a Região Centro tem um plano de rastreio organizado. No Norte, no Sul e nas Regiões Autónomas não existe.
O cancro do colo do útero é causado por um vírus, o Papiloma Vírus Humano (PVH), que também é responsável por outros tipos de lesões e infecções genitais, em homens e mulheres. Estima-se que 70% dos indivíduos sexualmente activos estejam expostos a este vírus nalgum momento das suas vidas.
Recentemente foi descoberta uma vacina que protege da infecção pelos sub-tipos do vírus responsáveis por 75% dos casos de cancro do colo do útero. Os estudos realizados mostram uma eficácia total quando a vacina é aplicada na adolescência, a rapazes e raparigas entre os 9 e os 15 anos, e a mulheres entre os 16 e os 25 anos. É um avanço enorme na saúde pública e na medicina preventiva.
A vacina vende-se em Portugal desde Janeiro. Custa 481,35€ e nem sequer é comparticipada pelo Estado – a comparticipação estará em estudo pelo menos até Abril e depende da decisão do Governo. A Sociedade Portuguesa de Oncologia defende que a vacina seja obrigatória e gratuita para ambos os sexos, incluindo-a no Plano Nacional de Vacinação. Mas o responsável deste Plano diz que isso só acontecerá, na melhor das hipóteses, daqui a três anos, depois de se avaliar a relação entre «custos e benefícios».
Manter esta vacina com um custo perto dos 500€, no Portugal concreto em que 20% da população vive na pobreza, é uma terrível injustiça. Significa que a maior parte dos jovens não será vacinado e que muitos pais terão de poupar meses a fio o dinheiro que chegue para vacinar as filhas. Significa que as mulheres mais ricas terão menos probabilidades de ter um cancro do que as outras.
Trata-se de mais um exemplo, chocante, de como se põem os interesses e os lucros acima das vidas humanas. Com esta descoberta podem evitar-se 75% dos casos de cancro do colo do útero. Olhar para esta vacina como um «custo» revela uma desumanidade cruel, típica do mais selvagem capitalismo. É urgente pôr o conhecimento científico ao serviço humanidade.
O Plano Oncológico Nacional prevê desde 2001 que cada mulher faça um diagnóstico precoce da doença de três em três anos. A verdade é que seis anos depois só a Região Centro tem um plano de rastreio organizado. No Norte, no Sul e nas Regiões Autónomas não existe.
O cancro do colo do útero é causado por um vírus, o Papiloma Vírus Humano (PVH), que também é responsável por outros tipos de lesões e infecções genitais, em homens e mulheres. Estima-se que 70% dos indivíduos sexualmente activos estejam expostos a este vírus nalgum momento das suas vidas.
Recentemente foi descoberta uma vacina que protege da infecção pelos sub-tipos do vírus responsáveis por 75% dos casos de cancro do colo do útero. Os estudos realizados mostram uma eficácia total quando a vacina é aplicada na adolescência, a rapazes e raparigas entre os 9 e os 15 anos, e a mulheres entre os 16 e os 25 anos. É um avanço enorme na saúde pública e na medicina preventiva.
A vacina vende-se em Portugal desde Janeiro. Custa 481,35€ e nem sequer é comparticipada pelo Estado – a comparticipação estará em estudo pelo menos até Abril e depende da decisão do Governo. A Sociedade Portuguesa de Oncologia defende que a vacina seja obrigatória e gratuita para ambos os sexos, incluindo-a no Plano Nacional de Vacinação. Mas o responsável deste Plano diz que isso só acontecerá, na melhor das hipóteses, daqui a três anos, depois de se avaliar a relação entre «custos e benefícios».
Manter esta vacina com um custo perto dos 500€, no Portugal concreto em que 20% da população vive na pobreza, é uma terrível injustiça. Significa que a maior parte dos jovens não será vacinado e que muitos pais terão de poupar meses a fio o dinheiro que chegue para vacinar as filhas. Significa que as mulheres mais ricas terão menos probabilidades de ter um cancro do que as outras.
Trata-se de mais um exemplo, chocante, de como se põem os interesses e os lucros acima das vidas humanas. Com esta descoberta podem evitar-se 75% dos casos de cancro do colo do útero. Olhar para esta vacina como um «custo» revela uma desumanidade cruel, típica do mais selvagem capitalismo. É urgente pôr o conhecimento científico ao serviço humanidade.