Mais uma Guerra nos Balcãs?

Rui Paz

São as po­tên­cias im­pe­ri­a­listas que terão de res­ponder pelos seus crimes di­ante da hu­ma­ni­dade

Pouco se sabe do que foi discutido pelos Ministros da Defesa dos Estados da União Europeia recentemente realizada na Alemanha. Numa entrevista ao «Frankfurter Allgemeine Sonntagszeitung», o ministro da Defesa de Berlim, Jung, coloca a construção de um monumento aos soldados alemães falecidos em missões militares no centro das suas preocupações. Sobe a febre do inaltecer da guerra e das tradições militaristas.

Dias antes do conclave de guerreiros em Wiesbaden, Solana afirmou pretender uma resolução do Conselho de Segurança para o Kosovo, de acordo com o art. 7.° da Carta da ONU, o que permitirá intervir militarmente contra a população sérvia se esta se opuser aos planos da União Europeia da separação ilegal daquela província. O Junge Welt (02.03.07) avisa que a intervenção militar da UE visa atacar Belgrado, uma vez que será muito difícil a um Governo sérvio aceitar os planos separatistas do imperialismo. O diário alemão cita um prognóstico da «Fundação Política e Ciência», uma instituição muito próxima do Governo de Merkel que prevê uma situação idêntica à da «crise do ano de 1999», isto é, a desestabilização do Kosovo, da Voivodina, de Sandzak e do vale de Presevo. Segundo aquela fundação, «manifestações organizadas envolvendo confrontos entre forças radicais e moderadas, e a polícia, poderão conduzir à dissolução das estruturas do Estado». É aqui que a União Europeia, quer intervir em nome da «estabilização». O imperialismo ainda não está satisfeito. Depois do desmantelamento da Jugoslávia, prossegue agora o desmantelamento da Sérvia. Não deve ficar pedra sobre pedra de um Estado que teve a dignidade de não andar a mendigar a sua adesão à NATO e à União Europeia e se atreveu a resistir à brutalidade da Alemanha e das restantes potências imperialistas.

A recente tomada de posição do Supremo Tribunal Internacional da Haia, reconhecendo a impossibilidade de atribuir à Sérvia a responsabilidade na guerra civil na Bósnia, é uma vitória póstuma para Milosevic e a confirmação de que foi o ódio e a mentira, que conduziram ao rapto, à perseguição e à morte do Presidente da República Jugoslávia. A tentativa de atribuir à Sérvia a responsabilidade histórica pelos acontecimentos que provocaram a guerra civil e a intervenção imperialista nos Balcãs falhou. São as potências imperialistas, como a Alemanha, que desde a morte de Tito agiram com esse objectivo, que terão de responder pelos seus crimes diante da humanidade.

A recente demissão do primeiro-ministro italiano, Prodi, logo seguida da sua recondução, configurou mais um golpe de teatro, que não obstante divergências surgidas no seio da sua maioria parlamentar, confirmam o pendor militarista e o seguidismo do actual governo italiano em relação à agressão dos EUA e NATO ao Afeganistão. Também na Alemanha, o chanceler Schröder ameaçou várias vezes os deputados com a demissão, se estes não se submetessem às suas medidas anti-sociais e continuassem a querer defender o programa apresentado aos eleitores. O tão apregoado «consenso» é visto pelos governantes servidores do imperialismo como a obrigação dos povos a renunciarem à paz e à justica social em benefício dos interesses egoístas do grande capital. Mas, o dever do Estado de defender e proteger os interesses e os direitos dos trabalhadores é torpedeado recorrendo-se ao autoritarismo e à chantagem. É este o modo como a social-democracia europeia tem vindo a interpretar e a pregar o chamado «consenso». Mas a única linguagem que faz recuar os capatazes do imperialismo é a luta de resistência à subversão dos princípios da justiça social, da paz e do respeito pela independência e soberania dos povos.


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