O alegado jornalismo
À medida que se degradam os jornais e o jornalismo se reduz à voz do dono – e à medida que os órgãos de comunicação se concentram nas mãos de uns poucos e a informação se sujeita ao modelo imposto pelo imperialismo e pelos interesses das multinacionais –, e à medida que a bondade e a «verdade» da informação se medem pelo volume de vendas e pela dominação ideológica que distribuem, cresce o número e a variedade de «provedores» que visariam assegurar a deontologia da informação e velar pelas regras que a lei estabelece.
Os provedores, porém, nada provêem, nada podem providenciar para que as mais elementares regras da decência se cumpram e para que a trafulhice substitua a propaganda.
Porque pensamos que a propaganda de ideias é subjacente ao jornalismo e que esta actividade não é nada «objectiva» como dizem ser. E que o que está mal neste mundo é o facto de que a concentração dos media favorece apenas o domínio ideológico do capital e que o pluralismo democrático foi chão que deu uvas, no terreno devastado pela recuperação política da direita.
Vem isto a propósito de uma «reportagem» de um canal televisivo que dava conta do assassinato de um português numa discoteca na Venezuela. A «repórter» explicava o facto pela onda de violência que se verificaria no país, por obra e graça de... Hugo Chávez! E «explicava» tal violência pelas medidas tomadas por Chávez, nomeadamente pela imposição de limites aos preços do comércio! Isto «porque» os comerciantes seriam «obrigados» a comprar mais caro do que vendiam ao público!
Mas o que choca não será tanto o absurdo dos argumentos e a trafulhice do raciocínio. É que, enquanto por cá não há notícia sem que o advérbio «alegadamente» seja usado, por terras do Chávez, a culpa é directa e impunemente apontada: Foi assassinado um português? – A «culpa é do Chávez»!
Por cá fala-se da «alegada» vítima quando alguém foi mesmo assassinado e se vê a faca plantada nas costas do sujeito. Fala-se de «alegadas» vítimas de abuso sexual. De «alegados» salários em atraso. De «alegados» despedimentos ilegais, mesmo quando os tribunais já debitaram as suas sentenças favoráveis aos trabalhadores.
Mas vale tudo contra as vítimas, os trabalhadores, os progressistas, quando a informação está nas mãos do dono e a voz e a escrita é de alegados jornalistas.
Os provedores, porém, nada provêem, nada podem providenciar para que as mais elementares regras da decência se cumpram e para que a trafulhice substitua a propaganda.
Porque pensamos que a propaganda de ideias é subjacente ao jornalismo e que esta actividade não é nada «objectiva» como dizem ser. E que o que está mal neste mundo é o facto de que a concentração dos media favorece apenas o domínio ideológico do capital e que o pluralismo democrático foi chão que deu uvas, no terreno devastado pela recuperação política da direita.
Vem isto a propósito de uma «reportagem» de um canal televisivo que dava conta do assassinato de um português numa discoteca na Venezuela. A «repórter» explicava o facto pela onda de violência que se verificaria no país, por obra e graça de... Hugo Chávez! E «explicava» tal violência pelas medidas tomadas por Chávez, nomeadamente pela imposição de limites aos preços do comércio! Isto «porque» os comerciantes seriam «obrigados» a comprar mais caro do que vendiam ao público!
Mas o que choca não será tanto o absurdo dos argumentos e a trafulhice do raciocínio. É que, enquanto por cá não há notícia sem que o advérbio «alegadamente» seja usado, por terras do Chávez, a culpa é directa e impunemente apontada: Foi assassinado um português? – A «culpa é do Chávez»!
Por cá fala-se da «alegada» vítima quando alguém foi mesmo assassinado e se vê a faca plantada nas costas do sujeito. Fala-se de «alegadas» vítimas de abuso sexual. De «alegados» salários em atraso. De «alegados» despedimentos ilegais, mesmo quando os tribunais já debitaram as suas sentenças favoráveis aos trabalhadores.
Mas vale tudo contra as vítimas, os trabalhadores, os progressistas, quando a informação está nas mãos do dono e a voz e a escrita é de alegados jornalistas.