Empobrecer a trabalhar
Na semana passada, a Comissão Europeia divulgou um estudo em que afirma que 20% dos portugueses vivem abaixo do limiar da pobreza - considerando que este se situa em 60% do rendimento médio nacional, incluindo prestações sociais. A este dado, já conhecido, soma-se outro, igualmente preocupante: 14% dos trabalhadores por conta de outrém no activo estão abaixo deste limiar, a maior percentagem, de longe, da União Europeia dos 27.
Os habituais porta-vozes do capital, sempre tão rápidos a comentar as últimas de Bruxelas, emudeceram perante este dado. De facto, para quem propagandeia as virtudes da precariedade, da flexigurança e dos altos custos da mão-de-obra portuguesa, é difícil encaixar 14% de trabalhadores pobres no cenário idílico.
Mas para quem tem vindo a denunciar estas políticas, não há infelizmente nada que surpreenda neste estudo: baixos salários, aumentos bem abaixo da inflação, progressões nas carreiras congeladas há anos, trabalho ilegal, recibos verdes, estágios falsos que se prolongam, 828 mil trabalhadores com contrato a termo, 570 mil com empregos a tempo parcial e salários mais parciais ainda.
Se a isto juntarmos as restantes parcelas da equação, a situação fica mais clara ainda: aumentos dos impostos, directos e indirectos, dos preços do pão, da electricidade, da água, dos empréstimos para a habitação - cuja prestação subiu mais 12% no último ano - e das rendas de casa. Nos últimos 5 anos, as despesas das famílias com a educação subiram 38%, com a saúde 20,1%, o preço dos combustíveis aumentou 47%.
O resultado está aí, claríssimo nos números da insuspeita Comissão Europeia: os trabalhadores portugueses estão a empobrecer.
Perante isto, o Governo português insiste no caminho de sempre: apertar o cinto a quem já o tem bem apertado. Mais aumentos, despedimentos, encerramentos de serviços públicos, com promessas de despedimentos mais céleres e o caminho mais facilitado às empresas de trabalho temporário. Sem uma palavra sobre os escandalosos lucros de empresas e bancos.
Mas a verdade é que cada vez mais portugueses se apercebem desta insanável contradição. E, apercebendo-se, transformam em protesto e luta esse descontentamento. Que o digam os trabalhadores do Arsenal do Alfeite, dos TST, da Lisnave, cujas lutas o Avante noticiou na semana passada. Como o vão dizer amanhã os milhares de trabalhadores que exigirão nas ruas de Lisboa uma mudança de políticas. Porque assim não pode ser!
Os habituais porta-vozes do capital, sempre tão rápidos a comentar as últimas de Bruxelas, emudeceram perante este dado. De facto, para quem propagandeia as virtudes da precariedade, da flexigurança e dos altos custos da mão-de-obra portuguesa, é difícil encaixar 14% de trabalhadores pobres no cenário idílico.
Mas para quem tem vindo a denunciar estas políticas, não há infelizmente nada que surpreenda neste estudo: baixos salários, aumentos bem abaixo da inflação, progressões nas carreiras congeladas há anos, trabalho ilegal, recibos verdes, estágios falsos que se prolongam, 828 mil trabalhadores com contrato a termo, 570 mil com empregos a tempo parcial e salários mais parciais ainda.
Se a isto juntarmos as restantes parcelas da equação, a situação fica mais clara ainda: aumentos dos impostos, directos e indirectos, dos preços do pão, da electricidade, da água, dos empréstimos para a habitação - cuja prestação subiu mais 12% no último ano - e das rendas de casa. Nos últimos 5 anos, as despesas das famílias com a educação subiram 38%, com a saúde 20,1%, o preço dos combustíveis aumentou 47%.
O resultado está aí, claríssimo nos números da insuspeita Comissão Europeia: os trabalhadores portugueses estão a empobrecer.
Perante isto, o Governo português insiste no caminho de sempre: apertar o cinto a quem já o tem bem apertado. Mais aumentos, despedimentos, encerramentos de serviços públicos, com promessas de despedimentos mais céleres e o caminho mais facilitado às empresas de trabalho temporário. Sem uma palavra sobre os escandalosos lucros de empresas e bancos.
Mas a verdade é que cada vez mais portugueses se apercebem desta insanável contradição. E, apercebendo-se, transformam em protesto e luta esse descontentamento. Que o digam os trabalhadores do Arsenal do Alfeite, dos TST, da Lisnave, cujas lutas o Avante noticiou na semana passada. Como o vão dizer amanhã os milhares de trabalhadores que exigirão nas ruas de Lisboa uma mudança de políticas. Porque assim não pode ser!