Italianos contra base americana

Várias dezenas de milhares de pessoas participaram numa marcha de seis quilómetros, no sábado, 17, para protestar contra o alargamento da base militar norte-americana de Vincenza, perto de Veneza, no norte de Itália.
Durante quatro horas, os manifestantes (cerca de 100 mil segundo os organizadores, entre 50 mil e 80 mil segundo a polícia) desfilaram empunhando bandeiras vermelhas e gritando palavras de ordem como «Não às bases», «América, Não Obrigado».
Para a acção, organizada por comunistas, verdes e pacifistas, o governo mobilizou um contingente de 1 500 polícias e vários helicópteros que sobrevoaram o cortejo ao longo de todo o percurso.
A decisão de permitir o alargamento da base de Vincenza foi anunciada em Janeiro pelo presidente do conselho, Romano Prodi, que assim desencadeou uma crise no seio do governo de coligação. Os ministros comunistas e verdes, apesar de terem apoiado publicamente o protesto, não se deslocaram a Vicenza, obedecendo a Prodi que proibiu expressamente a sua presença na manifestação.
Contudo, tal não impediu o secretário-geral do PDCI (Partido dos Comunistas Italianos), Oliviero Diliberto, de apelar ao governo para que «ouça o grande povo da paz que faz parte do seu eleitorado».
A base de Vicenza, uma das sete que os EUA dispõem em Itália, acolhe actualmente cerca de 2.750 soldados da 173ª brigada aerotransportada. O projecto, orçado em 500 milhões de euros, prevê a duplicação da área da base e permitirá albergar 1 800 efectivos militares norte-americanos actualmente estacionados na Alemanha.


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