Agentes procurados
As actividades da CIA estão, pela primeira vez, no centro das atenções da justiça alemã. No dia 31, o tribunal de Munique emitiu mandados de captura contra 13 presumíveis funcionários da agência de espionagem norte-americana.
A justiça alemã persegue 13 agentes da CIA cuja identidade desconhece
Os agentes visados pelos magistrados germânicos são suspeitos de terem raptado, por erro, o cidadão alemão de origem libanesa, Khaled Al-Masri, que esteve encarcerado durante vários meses em instalações da CIA no Afeganistão.
Al-Masri chegou à Alemanha em 1985, tendo-se naturalizado em 1994. Em 31 de Dezembro de 2003, foi preso ao entrar na Macedónia, pela polícia deste país, sendo transferido, algumas semanas mais tarde, para o Afeganistão.
Libertado em 28 de Maio de 2004, na Albânia, Al-Masri denunciou ter sido vítima de torturas durante os cerca de cinco meses de detenção ilegal. O escândalo conduziu à criação de uma comissão de inquérito no parlamento alemão que, ao longo de numerosas audições, tem vindo a examinar o papel dos serviços secretos do país na guerra do Iraque e as operações ilegais da CIA.
As investigações revelaram indícios de que o governo social-democrata de Gerhard Schroeder teve conhecimento do rapto e prisão de Al-Masri antes da sua libertação. Contudo, o ministro do Interior da altura, Otto Schily, negou tal facto, garantindo que só foi informado do caso em 31 de Maio de 2004, pelo embaixador americano em Berlim, ou seja, dois dias depois de a vítima ter sido libertada.
A iniciativa dos magistrados de Munique teve grande repercussão mediática, sendo saudada pelo conjunto das forças políticas, incluindo, pelos sociais-democratas, que eram o principal partido da coligação governativa naquele período. Thomas Oppermann, deputado do SPD, considerou que a decisão judicial «aumenta a pressão do Estado de direito sobre os Estados Unidos».
No mesmo sentido reagiu a generalidade da imprensa, que se congratulou com a posição do tribunal, vendo nela, como sublinhou o Süddeuctsche Zeitung, a prova de que a justiça, «mesmo em relação ao mais importante e forte aliado, não permitirá acções de comandos ilegais».
Identidades desconhecidas
Todavia, o alcance prático da acção judicial é bastante limitado. A verdadeira identidade dos 11 homens e duas mulheres visados pelos mandados de captura permanece desconhecida dos investigadores. Contudo, existem pistas seguras reveladas por informações da polícia espanhola, da procuradoria de Milão e pelo relatório do deputado suíço Dick Marty, relator do Conselho da Europa sobre as actividades ilícitas da CIA.
Segundo a Guarda Civil espanhola, o grupo de agentes constituía a tripulação do Boeing 737, com a matrícula americana N313P, que deixou Palma de Mallorca, em 23 de Janeiro de 2004. Os 13 indivíduos passaram uma noite num hotel de luxo, onde apresentaram documentos falsos. Todavia, os seus rostos são conhecidos já que os funcionários fotocopiaram os passaportes.
Mas mesmo que as autoridades alemãs determinassem as identidades dos agentes, ninguém espera que o governo norte-americano satisfaça o correspondente pedido de extradição, apesar de os dois países terem um tratado que prevê este tipo de situações.
Também o governo de Angela Merkel já esclareceu que não irá exercer pressões sobre Washington para obter a extradição dos raptores de Al-Masri. O caso ficará pois entregue exclusivamente à justiça e, muito provavelmente, aí morrerá.
Al-Masri chegou à Alemanha em 1985, tendo-se naturalizado em 1994. Em 31 de Dezembro de 2003, foi preso ao entrar na Macedónia, pela polícia deste país, sendo transferido, algumas semanas mais tarde, para o Afeganistão.
Libertado em 28 de Maio de 2004, na Albânia, Al-Masri denunciou ter sido vítima de torturas durante os cerca de cinco meses de detenção ilegal. O escândalo conduziu à criação de uma comissão de inquérito no parlamento alemão que, ao longo de numerosas audições, tem vindo a examinar o papel dos serviços secretos do país na guerra do Iraque e as operações ilegais da CIA.
As investigações revelaram indícios de que o governo social-democrata de Gerhard Schroeder teve conhecimento do rapto e prisão de Al-Masri antes da sua libertação. Contudo, o ministro do Interior da altura, Otto Schily, negou tal facto, garantindo que só foi informado do caso em 31 de Maio de 2004, pelo embaixador americano em Berlim, ou seja, dois dias depois de a vítima ter sido libertada.
A iniciativa dos magistrados de Munique teve grande repercussão mediática, sendo saudada pelo conjunto das forças políticas, incluindo, pelos sociais-democratas, que eram o principal partido da coligação governativa naquele período. Thomas Oppermann, deputado do SPD, considerou que a decisão judicial «aumenta a pressão do Estado de direito sobre os Estados Unidos».
No mesmo sentido reagiu a generalidade da imprensa, que se congratulou com a posição do tribunal, vendo nela, como sublinhou o Süddeuctsche Zeitung, a prova de que a justiça, «mesmo em relação ao mais importante e forte aliado, não permitirá acções de comandos ilegais».
Identidades desconhecidas
Todavia, o alcance prático da acção judicial é bastante limitado. A verdadeira identidade dos 11 homens e duas mulheres visados pelos mandados de captura permanece desconhecida dos investigadores. Contudo, existem pistas seguras reveladas por informações da polícia espanhola, da procuradoria de Milão e pelo relatório do deputado suíço Dick Marty, relator do Conselho da Europa sobre as actividades ilícitas da CIA.
Segundo a Guarda Civil espanhola, o grupo de agentes constituía a tripulação do Boeing 737, com a matrícula americana N313P, que deixou Palma de Mallorca, em 23 de Janeiro de 2004. Os 13 indivíduos passaram uma noite num hotel de luxo, onde apresentaram documentos falsos. Todavia, os seus rostos são conhecidos já que os funcionários fotocopiaram os passaportes.
Mas mesmo que as autoridades alemãs determinassem as identidades dos agentes, ninguém espera que o governo norte-americano satisfaça o correspondente pedido de extradição, apesar de os dois países terem um tratado que prevê este tipo de situações.
Também o governo de Angela Merkel já esclareceu que não irá exercer pressões sobre Washington para obter a extradição dos raptores de Al-Masri. O caso ficará pois entregue exclusivamente à justiça e, muito provavelmente, aí morrerá.