Suécia

Protecção reduzida

O governo sueco fez aprovar, dia 20, no parlamento, uma lei que aumenta para o triplo as contribuições dos trabalhadores e simultaneamente reduz o valor do subsídio de desemprego.

Sindicatos mobilizam-se contra ofensiva anti-social

O ataque ao forte sistema de segurança social da Suécia tornou-se uma prioridade central da nova maioria de conservadora que, em Setembro passado, derrotou os sociais-democratas no poder desde há 12 anos.
O governo, que lançou igualmente um vasto programa de privatizações orçado em 16 mil milhões de euros, alega que a reforma do subsídio de desemprego, em vigor já a partir de 1 de Janeiro, se destina a combater abusos e a encorajar as pessoas a encontrar trabalho.
Apesar de a taxa oficial de desemprego rondar os 4,3 por cento, o executivo sueco considera que estes números não traduzem a realidade, insistindo em contabilizar como desempregados as pessoas abrangidas por programas de formação.
Com o seu plano de reformas «para o crescimento e o emprego» o governo afirma que serão criados 230 mil postos de trabalho nos próximos dois anos.
Por seu lado, os sindicatos opõem-se às reformas sociais, sublinhado que, ao contrário dos objectivos proclamados, a diminuição do subsídio de desemprego para 65 por cento do vencimento vai obrigar os trabalhadores a aceitar salários mais baixos.
Em simultâneo, o aumento decretado das contribuições para as caixas de desemprego, para além de penalizar sobremaneira as camadas laboriosas, é visto como uma tentativa do governo de diminuir os elevados níveis de sindicalização no país, que atingem os 80 por cento.
Actualmente a maioria das caixas de desemprego são geridas pelos sindicatos. Por norma, um terço da quota mensal paga ao sindicato destina-se ao fundo de desemprego. Ora, o aumento exagerado desta contribuição, que triplica em muitos casos, poderá levar os trabalhadores com salários mais baixos a abdicarem da sua filiação sindical, limitando-se a descontar para a caixa de desemprego.
Para a principal confederação sindical sueca, LO, não restam dúvidas de que se trata de um ataque que visa diminuir os direitos dos trabalhadores e enfraquecer as suas organizações.
Nesse sentido, após ter recolhido 250 mil assinaturas contra o projecto do governo, a LO, que congrega dezena e meia de sindicatos sectoriais e representa cerca de dois milhões de trabalhadores, realizou, dia 14, uma jornada nacional de luta com manifestações nas principais cidades do país.
O protesto não fez o governo recuar mas foi um sinal claro de que os trabalhadores suecos estão dispostos a fazer frente à destruição do modelar sistema de protecção social consolidado ao longo de décadas. Tanto mais que o país vive num contexto económico bastante favorável. Em 2006 terá crescido quatro por cento, prevendo-se uma taxa de 3,3 por cento no próximo ano.


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