O essencial
No Público de 9.11, Eduardo Prado Coelho (EPC) – recorrendo à memória e sublinhando que «a minha memória só fixa o essencial» - responde a um texto a seu respeito, publicado no mesmo jornal.
Para demonstrar que «não mudo muito velozmente de ideário político», informa: «em meados dos anos 70 passei, ao de leve, pelo Partido Comunista», mas porque «não tinha nada a fazer» em tal partido «ortodoxo e anquilosado», «em Novembro de 74 saí. E deslizei para a área socialista».
Ora, a memória é traiçoeira, e upa-upa se dela se fixa apenas o essencial . A verdade é que a passagem de EPC pelo PCP não foi tão «ao de leve» como ele diz, nem saíu «em Novembro de 74» como informa.
EPC teve uma actividade intensa enquanto militante do PCP: participou em múltiplas iniciativas, explicou em sessões de esclarecimento e debates «o que é o comunismo» – e publicou, em vários jornais, vários textos dos quais emergia a sua condição de comunista, de marxista, de leninista, de «cunhalista», de «gonçalvista».
Muito depois da data em que o «essencial» da memória lhe diz ter abandonado o tal partido «ortodoxo e anquilosado», escrevia EPC: «não se escolhe o Partido Comunista por não haver melhor, escolhe-se o Partido Comunista por não poder haver melhor»; e mais: «na prática da luta anticapitalista o PCP é uma força decisiva e insubstituível do processo revolucionário»; e ainda: «se é em nome da revolução que afirmamos a liberdade e a intransitividade da nossa escrita, temos que encontrar para a palavra “revolução” a força material que a referencia e transporta; e essa força é o movimento operário e a organização que a concretiza (falo do Partido Comunista Português)» ; e ainda: «a nossa prática cultural se se pretende revolucionária, tem que ser coincidente, convergente, paralela ou homóloga com a prática de luta do movimento operário e da vanguarda que a dirige».
Com a promessa de voltarmos ao tema, fiquemo-nos, hoje, por aqui. Não sem, contudo, corrigir uma outra falha do «essencial» da memória de EPC: é essencial que se diga que EPC saíu do PCP não em «Novembro de 74» - como o «essencial» da sua memória deseja – mas em Novembro de 75 – como o essencial da verdade diz.
É que a diferença não é de somenos – especialmente se tivermos em conta que a saída foi mais uma fuga do que um deslize: uma daquelas fugas em que o fugitivo, literalmente acagaçado, vê o essencial da coragem escapar-se-lhe pelo fundo das calças.
Para demonstrar que «não mudo muito velozmente de ideário político», informa: «em meados dos anos 70 passei, ao de leve, pelo Partido Comunista», mas porque «não tinha nada a fazer» em tal partido «ortodoxo e anquilosado», «em Novembro de 74 saí. E deslizei para a área socialista».
Ora, a memória é traiçoeira, e upa-upa se dela se fixa apenas o essencial . A verdade é que a passagem de EPC pelo PCP não foi tão «ao de leve» como ele diz, nem saíu «em Novembro de 74» como informa.
EPC teve uma actividade intensa enquanto militante do PCP: participou em múltiplas iniciativas, explicou em sessões de esclarecimento e debates «o que é o comunismo» – e publicou, em vários jornais, vários textos dos quais emergia a sua condição de comunista, de marxista, de leninista, de «cunhalista», de «gonçalvista».
Muito depois da data em que o «essencial» da memória lhe diz ter abandonado o tal partido «ortodoxo e anquilosado», escrevia EPC: «não se escolhe o Partido Comunista por não haver melhor, escolhe-se o Partido Comunista por não poder haver melhor»; e mais: «na prática da luta anticapitalista o PCP é uma força decisiva e insubstituível do processo revolucionário»; e ainda: «se é em nome da revolução que afirmamos a liberdade e a intransitividade da nossa escrita, temos que encontrar para a palavra “revolução” a força material que a referencia e transporta; e essa força é o movimento operário e a organização que a concretiza (falo do Partido Comunista Português)» ; e ainda: «a nossa prática cultural se se pretende revolucionária, tem que ser coincidente, convergente, paralela ou homóloga com a prática de luta do movimento operário e da vanguarda que a dirige».
Com a promessa de voltarmos ao tema, fiquemo-nos, hoje, por aqui. Não sem, contudo, corrigir uma outra falha do «essencial» da memória de EPC: é essencial que se diga que EPC saíu do PCP não em «Novembro de 74» - como o «essencial» da sua memória deseja – mas em Novembro de 75 – como o essencial da verdade diz.
É que a diferença não é de somenos – especialmente se tivermos em conta que a saída foi mais uma fuga do que um deslize: uma daquelas fugas em que o fugitivo, literalmente acagaçado, vê o essencial da coragem escapar-se-lhe pelo fundo das calças.