«Resignação patriótica»
É inevitável – para usar a palavra preferida do Governo nos últimos meses – falar do Congresso do PS. Um Congresso tão mas tão democrático que a moção a aprovar foi sendo apresentada como aperitivo – ou sobremesa – em jantares pelo país em que os militantes, calados, serviram de cenário ao chefe. Um Congresso tão mas tão espontâneo que Sócrates tinha dois telepontos, para poder parecer que olhava para os delegados, quando na verdade nunca desfitou o ecrãn. Um Congresso tão mas tão de esquerda que até começou com imagens do 25 de Abril. Um Congresso tão mas tão ligado à vida que quem lê os discursos de Sócrates teme ter entrado noutra dimensão, tais são os «avanços», as «reformas», as «vitórias no debate orçamental». Poderia ser cómico, se não fosse trágico ser este o partido do Governo do nosso país.
O Congresso abriu com o discurso do presidente do PS, Almeida Santos, que rasgou os mais ensaboados elogios a Sócrates. Entre as profecias – inevitáveis - sobre o futuro do mundo, Almeida Santos lá deixou cair que, de facto, a vida está difícil para o povo português: custo de vida, desemprego, baixos salários, taxas moderadoras. Tudo o que já sabemos. Mas Almeida Santos consegue surpreender o mais empedernido céptico militante, ao dizer que o povo português a tudo resiste com «resignação patriótica».
Dizer que os portugueses estão «resignados» à política do PS exigiu decerto muita criatividade a Almeida Santos. Ainda por cima no último de dois dias de uma greve geral da Administração Pública que fechou largas centenas de locais de trabalho pelo país fora, numa semana em que se repetiram acções de luta e protesto de estudantes, trabalhadores, populações. É obra. Há que reconhecer-lhe o mérito.
Mas «patriótico»?! Ao contrário do que possa pensar o presidente do PS, os portugueses que não se resignam, que protestam e lutam são patriotas. Defendem a independência nacional e um país mais justo, de igualdade e desenvolvimento. Quem se submete aos ditames da União Europeia e do grande capital é que não é grande patriota.
Ao contrário da tese que o PS tenta fazer vingar, quem recusa esta política não quer que fique tudo na mesma. Quem se prepara para deixar tudo «na mesma» é o Governo, que aplica as mesmíssimas medidas dos últimos 29 anos. Lá está: patriotas são todos os que lutam contra esta velha política.
O Congresso abriu com o discurso do presidente do PS, Almeida Santos, que rasgou os mais ensaboados elogios a Sócrates. Entre as profecias – inevitáveis - sobre o futuro do mundo, Almeida Santos lá deixou cair que, de facto, a vida está difícil para o povo português: custo de vida, desemprego, baixos salários, taxas moderadoras. Tudo o que já sabemos. Mas Almeida Santos consegue surpreender o mais empedernido céptico militante, ao dizer que o povo português a tudo resiste com «resignação patriótica».
Dizer que os portugueses estão «resignados» à política do PS exigiu decerto muita criatividade a Almeida Santos. Ainda por cima no último de dois dias de uma greve geral da Administração Pública que fechou largas centenas de locais de trabalho pelo país fora, numa semana em que se repetiram acções de luta e protesto de estudantes, trabalhadores, populações. É obra. Há que reconhecer-lhe o mérito.
Mas «patriótico»?! Ao contrário do que possa pensar o presidente do PS, os portugueses que não se resignam, que protestam e lutam são patriotas. Defendem a independência nacional e um país mais justo, de igualdade e desenvolvimento. Quem se submete aos ditames da União Europeia e do grande capital é que não é grande patriota.
Ao contrário da tese que o PS tenta fazer vingar, quem recusa esta política não quer que fique tudo na mesma. Quem se prepara para deixar tudo «na mesma» é o Governo, que aplica as mesmíssimas medidas dos últimos 29 anos. Lá está: patriotas são todos os que lutam contra esta velha política.