Fox manda esmagar povo de Oaxaca
Depois dos professores terem garantido o reinicio das aulas em Oaxaca, Vincent Fox ordenou às autoridades que reprimissem os protestos naquele Estado do Sul do México.
«Venham para a rua e reforcem as barricadas», apela a APPO
Decorridos mais de cinco meses após o início da greve dos professores no Estado de Oaxaca, o presidente mexicano decidiu enviar para o terreno um numeroso efectivo das forças de intervenção federais, medida justificada pela alegada incapacidade das autoridades municipais e estaduais em restabelecerem a «lei e a ordem públicas e a paz social».
Aparentemente, as ordens de Fox ignoram o facto do sindicato dos professores ter alcançado, na sequência de prolongadas e difíceis negociações, um acordo de princípios com o governo local no sentido de se retomar o regular funcionamento do calendário lectivo naquela região.
Não obstante os sinais de entendimento, o chefe de Estado cessante considerou adequado esmagar a revolta pela força, por certo temendo deixar o poder com uma mácula de «fraqueza» na impecável folha de serviços ao capital transnacional, a mesma que nos últimos anos se encheu de «valentia» em sucessivas cargas contra trabalhadores, estudantes e comunidades indígenas mexicanas.
Domingo, um robusto contingente da polícia de intervenção apoiado por carros de assalto, helicópteros e canhões de água iniciou a marcha em direcção à cidade de Oaxaca. Inicialmente, a coluna não encontrou obstáculos capazes de travarem o seu avanço, mas com a aproximação do centro da cidade, ocupado pelo povo em luta, as barricadas em chamas foram-se multiplicando, sem no entanto serem suficientemente eficazes para travar de uma vez por todas o passo ao assalto policial. Um manifestante morreu atingido por um projéctil da polícia e pelo menos 14 outros resultaram feridos. Dados oficiais dão conta de 5 mortos e quase 40 feridos desde o início dos confrontos. Centenas de pessoas estão detidas.
Resistência continua
O caso mais complicado de resolver para as autoridades durante o percurso deu-se quando militantes da Assembleia Popular dos Povos de Oaxaca (APPO) interpuseram dois camiões de carga numa estrada junto à estação de Vigera. Agências internacionais relatam ainda que os activistas da APPO se encontravam em maior número que os polícias à chegada dos uniformizados à sede do governo estadual, mas os dirigentes do movimento conseguiram convencer os manifestantes a não se envolverem em novos confrontos, entendidos como argumentos férteis para a actuação violenta e a provocação policial gratuita.
À hora de fecho da nossa redacção, a APPO fazia uma chamada urgente aos populares para que acorressem a defender a praça central da cidade, isto após uma carga da polícia rechaçada pelos presentes. Para a tarde estava ainda agendada uma manifestação na zona urbana.
Ocupados pelos manifestantes continuam, apesar de tudo, o Zócalo e a Universidade Autónoma Benito Juárez, edifício a partir do qual funciona uma rádio afecta à APPO que transmite constantemente as mensagens da direcção do movimento aos populares. A palavra de ordem é de desobediência: «venham para a rua e reforcem as barricadas», apela a APPO.
Regressa a incerteza
Com a entrada das unidades federais em Oaxaca, a incerteza sobre a solução do conflito volta a tomar o lugar cimeiro. Informações contraditórias circularam durante todo o dia de segunda-feira sobre a suposta demissão do governador Ulises Ruíz, exigência que o movimento popular não abandona.
Ruís é apontado pelos autóctones como o principal instigador do conflito, mas cinco meses de greve e uma revolta popular que ganha cada vez mais força encheram de conteúdo as demandas iniciais. Acresce que, domingo, na Cidade do México, milhares de pessoas juntaram-se em solidariedade com os revoltosos e apelaram à demissão de Ruíz, mas o governador não deu certeza do abandono do cargo nem sequer revelou o seu paradeiro.
Entretanto, o vencedor das últimas eleições presidenciais no México, Andrés Manuel López Obrador – não reconhecido como tal pelas autoridades eleitorais fruto de uma fraude cujos contornos estão amplamente documentados – expressou palavras de repúdio contra Ruíz e classificou a situação no Estado de Oaxaca de «inaceitável e indigna».
Ásperas foram também as palavras de Obrador para a intervenção federal e o acordo anunciado entre o Partido de Acção Nacional e o Partido Revolucionário Institucional, grupos que sustentam a manutenção do governador de Oaxaca e permanecem apostados em levar por diante a farsa que conduziu Felipe Calderon à presidência.
Repúdio e solidariedade
A crise social generalizada no México, da qual os acontecimentos de Oaxaca são o reflexo mais incandescente, exigem uma mobilização concertada não só no país, mas também além fronteiras. Este é o pedido lançado pelo Partido Popular Socialista do México (PPS) em comunicado divulgado, segunda-feira, na página oficial em www.ppsdemexico.org .
Os comunistas consideram que, ao nível internacional, o protesto junto às representações diplomáticas do México deve constituir uma clara demonstração de repúdio pela repressão a que está a ser sujeito o povo de Oaxaca e pela resolução célere e pacífica do diferendo.
O apelo agora lançado pelo PPS para o reforço da resistência em Oaxaca junta-se a outras lutas em curso no país nas quais os militantes do partido tem destacada intervenção junto das massas, nomeadamente na região de Atenco e na campanha do Sindicato Mexicano dos Electricistas.
Aparentemente, as ordens de Fox ignoram o facto do sindicato dos professores ter alcançado, na sequência de prolongadas e difíceis negociações, um acordo de princípios com o governo local no sentido de se retomar o regular funcionamento do calendário lectivo naquela região.
Não obstante os sinais de entendimento, o chefe de Estado cessante considerou adequado esmagar a revolta pela força, por certo temendo deixar o poder com uma mácula de «fraqueza» na impecável folha de serviços ao capital transnacional, a mesma que nos últimos anos se encheu de «valentia» em sucessivas cargas contra trabalhadores, estudantes e comunidades indígenas mexicanas.
Domingo, um robusto contingente da polícia de intervenção apoiado por carros de assalto, helicópteros e canhões de água iniciou a marcha em direcção à cidade de Oaxaca. Inicialmente, a coluna não encontrou obstáculos capazes de travarem o seu avanço, mas com a aproximação do centro da cidade, ocupado pelo povo em luta, as barricadas em chamas foram-se multiplicando, sem no entanto serem suficientemente eficazes para travar de uma vez por todas o passo ao assalto policial. Um manifestante morreu atingido por um projéctil da polícia e pelo menos 14 outros resultaram feridos. Dados oficiais dão conta de 5 mortos e quase 40 feridos desde o início dos confrontos. Centenas de pessoas estão detidas.
Resistência continua
O caso mais complicado de resolver para as autoridades durante o percurso deu-se quando militantes da Assembleia Popular dos Povos de Oaxaca (APPO) interpuseram dois camiões de carga numa estrada junto à estação de Vigera. Agências internacionais relatam ainda que os activistas da APPO se encontravam em maior número que os polícias à chegada dos uniformizados à sede do governo estadual, mas os dirigentes do movimento conseguiram convencer os manifestantes a não se envolverem em novos confrontos, entendidos como argumentos férteis para a actuação violenta e a provocação policial gratuita.
À hora de fecho da nossa redacção, a APPO fazia uma chamada urgente aos populares para que acorressem a defender a praça central da cidade, isto após uma carga da polícia rechaçada pelos presentes. Para a tarde estava ainda agendada uma manifestação na zona urbana.
Ocupados pelos manifestantes continuam, apesar de tudo, o Zócalo e a Universidade Autónoma Benito Juárez, edifício a partir do qual funciona uma rádio afecta à APPO que transmite constantemente as mensagens da direcção do movimento aos populares. A palavra de ordem é de desobediência: «venham para a rua e reforcem as barricadas», apela a APPO.
Regressa a incerteza
Com a entrada das unidades federais em Oaxaca, a incerteza sobre a solução do conflito volta a tomar o lugar cimeiro. Informações contraditórias circularam durante todo o dia de segunda-feira sobre a suposta demissão do governador Ulises Ruíz, exigência que o movimento popular não abandona.
Ruís é apontado pelos autóctones como o principal instigador do conflito, mas cinco meses de greve e uma revolta popular que ganha cada vez mais força encheram de conteúdo as demandas iniciais. Acresce que, domingo, na Cidade do México, milhares de pessoas juntaram-se em solidariedade com os revoltosos e apelaram à demissão de Ruíz, mas o governador não deu certeza do abandono do cargo nem sequer revelou o seu paradeiro.
Entretanto, o vencedor das últimas eleições presidenciais no México, Andrés Manuel López Obrador – não reconhecido como tal pelas autoridades eleitorais fruto de uma fraude cujos contornos estão amplamente documentados – expressou palavras de repúdio contra Ruíz e classificou a situação no Estado de Oaxaca de «inaceitável e indigna».
Ásperas foram também as palavras de Obrador para a intervenção federal e o acordo anunciado entre o Partido de Acção Nacional e o Partido Revolucionário Institucional, grupos que sustentam a manutenção do governador de Oaxaca e permanecem apostados em levar por diante a farsa que conduziu Felipe Calderon à presidência.
Repúdio e solidariedade
A crise social generalizada no México, da qual os acontecimentos de Oaxaca são o reflexo mais incandescente, exigem uma mobilização concertada não só no país, mas também além fronteiras. Este é o pedido lançado pelo Partido Popular Socialista do México (PPS) em comunicado divulgado, segunda-feira, na página oficial em www.ppsdemexico.org .
Os comunistas consideram que, ao nível internacional, o protesto junto às representações diplomáticas do México deve constituir uma clara demonstração de repúdio pela repressão a que está a ser sujeito o povo de Oaxaca e pela resolução célere e pacífica do diferendo.
O apelo agora lançado pelo PPS para o reforço da resistência em Oaxaca junta-se a outras lutas em curso no país nas quais os militantes do partido tem destacada intervenção junto das massas, nomeadamente na região de Atenco e na campanha do Sindicato Mexicano dos Electricistas.