Onde é que pára a direita?
Curvado perante a «verdadeira personalidade política de recorte inesperado e excepcional» de José Sócrates; extasiado pelas suas «performances cheias de humor e desenvoltura na Assembleia da República»; deslumbrado pelo facto de, não obstante tanta desgraça que vai por este País, as sondagens mostrarem que «o povo português, na sua grande maioria, considera o governo positivo e tem um apreço notável pelo Primeiro-Ministro»; finalmente, compadecido pela figura penosa de «Marques Mendes a pretender ser o rosto da oposição inexistente» - o previsível Eduardo Prado Coelho, decide que não há oposição ao governo de Sócrates; diagnostica que «a direita em Portugal está pela hora da morte»; e conclui, que se trata de uma «morte matada pela argúcia de Sócrates».
Ficamos, então, a saber que EPC foi à procura de oposição ao governo e nada encontrou. Ele bem procurou, bem tentou detectar um sinal, uma frase, um gesto, provindos de Marques Mendes. Em vão: o líder do PSD, certamente por não possuir as capacidades de performance do seu colega do PS, não deu sinal de si. Ora, como não sabia de outro sítio onde procurar oposição, EPC concluiu pela inexistência da dita. E é aí que bate o ponto: onde procurar o que (não) se pretende encontrar. Questão que, como se sabe, já vai com trinta e dois anos de existência na vida política portuguesa - ora com o PS no governo e o PSD a representar o papel de oposição; ora com o PSD a governar e o PS mascarado de oposição. E ambos, no essencial, sempre fazendo a mesma política: a política de direita ao serviço dos interesses do grande capital.
Mas a verdade é que a nenhuma oposição anterior foi exigido o que à actual oposição PSD está a ser exigido. E é aí que entra a «argúcia de Sócrates», louvada por EPC. Imagino José Sócrates – no intervalo de uma das suas «performances cheias de humor e desenvoltura» a perguntar-se: «Como é que eu hei-de arrumar esta oposição por mais de dez anos?» - e a responder: «Já sei, vou fazer tudo o que eles fariam se estivessem no governo, mais o que o PS, por dever de oposição de serviço, não lhes deixaria fazer». E assim fez. E assim retirou qualquer possibilidade de existência à oposição PSD. Simples, como se vê.
Resta a questão do estado da direita em Portugal. EPC considera-a morta de morte matada. Estará? Fica a pergunta: se a política de direita está no governo, onde é que pára a direita?
Ficamos, então, a saber que EPC foi à procura de oposição ao governo e nada encontrou. Ele bem procurou, bem tentou detectar um sinal, uma frase, um gesto, provindos de Marques Mendes. Em vão: o líder do PSD, certamente por não possuir as capacidades de performance do seu colega do PS, não deu sinal de si. Ora, como não sabia de outro sítio onde procurar oposição, EPC concluiu pela inexistência da dita. E é aí que bate o ponto: onde procurar o que (não) se pretende encontrar. Questão que, como se sabe, já vai com trinta e dois anos de existência na vida política portuguesa - ora com o PS no governo e o PSD a representar o papel de oposição; ora com o PSD a governar e o PS mascarado de oposição. E ambos, no essencial, sempre fazendo a mesma política: a política de direita ao serviço dos interesses do grande capital.
Mas a verdade é que a nenhuma oposição anterior foi exigido o que à actual oposição PSD está a ser exigido. E é aí que entra a «argúcia de Sócrates», louvada por EPC. Imagino José Sócrates – no intervalo de uma das suas «performances cheias de humor e desenvoltura» a perguntar-se: «Como é que eu hei-de arrumar esta oposição por mais de dez anos?» - e a responder: «Já sei, vou fazer tudo o que eles fariam se estivessem no governo, mais o que o PS, por dever de oposição de serviço, não lhes deixaria fazer». E assim fez. E assim retirou qualquer possibilidade de existência à oposição PSD. Simples, como se vê.
Resta a questão do estado da direita em Portugal. EPC considera-a morta de morte matada. Estará? Fica a pergunta: se a política de direita está no governo, onde é que pára a direita?