«Compromisso Portugal» é voz do grande capital

Lucros para poucos, injustiça para muitos

O «Compromisso Portugal» é a expressão concreta das camadas e classes mais privilegiadas do nosso País, afirmou Vasco Cardoso, da Comissão Política do PCP.

Não é uma iniciativa da «sociedade civil» mas dos mais poderosos

O «Compromisso Portugal» é composto por elementos de «alguns dos principais agentes económicos nacionais» que têm profundas «ramificações, presença e influência nos governos PSD, CDS-PP e PS dos últimos 30 anos e, por isso mesmo, responsáveis pela situação económica e social em que Portugal se encontra». Em conferência de imprensa realizada no dia 22, Vasco Cardoso, da Comissão Política, rejeitou assim a ideia de que esta se trata de uma iniciativa «independente da sociedade civil».
A promoção que as suas propostas tiveram na comunicação social, prosseguiu, «não significa que tenham apresentado nada de novo». Pelo contrário. Tratam-se de «requentadas ideias e propostas que o grande capital há muito aspira». Propostas que, infelizmente, «têm vindo a ser implementadas em Portugal», recordou.
No «Compromisso Portugal», acusou Vasco Cardoso, o que se propõe é o compromisso com «mais lucros e privilégios para os seus e com mais exploração, injustiças e dificuldades para a imensa maioria que não esteve, nem se vê representada no conclave do Beato».

Propostas e objectivos

Em nome da «competitividade da economia portuguesa», denunciou, reclamam 200 mil despedimentos na administração pública e a transferência para a esfera privada de importantes expressões do sector da saúde e educação». Reclamam também, lembrou, a privatização da TAP, da CP, da ANA, da EDP, da Administração do Porto de Lisboa. Querem ainda mais facilidade nos despedimentos e uma maior precarização das relações laborais, bem como a privatização da Segurança Social, acusou. Em suma, concluiu, não reclamam menos Estado mas «mais Estado ao serviço dos seus interesses».
Os apelos feitos pelos representantes do grande capital nacional e por alguns responsáveis dos governos PSD e PS nos últimos anos assumem um «triplo papel», realçou o membro da Comissão Política: procurar absolver a política de direita de sucessivos governos pelo estado em que o País se encontra; tentar garantir que, no actual contexto de crise, os seus custos continuem a sobrecarregar os trabalhadores, reformados e pequenos empresários, mantendo chorudos lucros para o capital financeiro e especulativo; assegurar para um horizonte de médio prazo e ao abrigo de sobressaltos eleitorais, a continuidade das políticas de direita e o enraizamento da doutrina neoliberal na configuração de um modelo socio-económico para o País, à revelia da Constituição da República.

Responsáveis pela crise

O PCP considera que estes «arautos das injustiças sociais» devem ser responsabilizados pelas orientações estratégicas dos seus grupos económicos. Para a Comissão Política comunista, estes grupos privilegiaram o investimento na esfera não produtiva; promoveram processos de concentração e reorganização empresarial responsáveis pela perda de milhares de postos de trabalho; desperdiçaram e desviaram milhares de milhões de euros oriundos de fundos comunitários que não se reflectiram no desenvolvimento do País; desenvolveram as mais criativas e ardilosas formas de colocando a salvo os seus lucros da tributação fiscal, ao auferirem fabulosas e insultuosas remunerações através da múltipla participação em conselhos de administração.
Vasco Cardoso recordou ainda que «alguns desses senhores que se exibiram no anterior conclave na defesa dos centros de decisão nacional, foram os mesmos que, semanas depois, se apressaram a vender as suas empresas ao capital estrangeiro».
A reedição desta convenção, realça o PCP, torna mais clara a agenda de «subversão do regime político e constitucional» por parte do grande capital. Os comunistas denunciaram ainda que estas propostas do «Compromisso Portugal» encontram nas políticas dos governos – incluindo o actual – «não apenas ânimo, mas uma linha convergente de posicionamentos, opções e decisões políticas».

Dia 12 é dia de luta
Produção, emprego, direitos

O que o País precisa é precisamente o contrário do que foi proposto no conclave do Beato, considera o PCP. Vasco Cardoso, da Comissão Política, reafirmou que a solução para os problemas nacionais passa precisamente pela ruptura com a política de direita – e não pela sua continuidade e agravamento.
A nova política pela qual lutam os comunistas – como foi afirmado na sua iniciativa Portugal precisa, o PCP propõe – baseia-se no desenvolvimento do aparelho produtivo nacional, na promoção do emprego e na defesa dos direitos dos trabalhadores. Uma política que «responda ao presente e abra as portas do futuro».
O dirigente do PCP reafirmou ainda a importância da luta dos trabalhadores e do povo para uma «efectiva mudança de política» e apelou à sua participação no Protesto Geral convocado pela CGTP-IN para o próximo dia 12 de Outubro.


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