Hungria

Primeiro-ministro reconhece ter mentido

O primeiro-ministro da Hungria, Ferenc Gyuresany, reconheceu a autenticidade da gravação de uma reunião que manteve em Abril com deputados do seu partido, aos quais afirmou literalmente: «É evidente que temos mentido ao longo dos últimos 18 meses».
A gravação foi difundida no domingo, 17, pela rádio pública do país. Gyuresany admitiu ter feito aquelas afirmações, confessando que mentiu deliberadamente aos eleitores, escondendo-lhes o severo programa de austeridade que tinha preparado para depois aplicar após as legislativas de Abril passado.
«Fizemos tudo para manter em segredo até final da campanha eleitoral as medidas de que o país realmente necessitava. (...) todos sabíamos que, depois da vitória, era preciso lançarmo-nos ao trabalho, uma vez que nunca tínhamos tido um problema com esta envergadura», explicou o primeiro-ministro a propósito da gravação.
Recorde-se que o anterior governo de Gyuresany, como o objectivo de garantir a eleição, promovera várias medidas de carácter social decretando, designadamente, aumentos salariais.
Reagindo ao escândalo, o principal partido de direita (Fidezs) reclamou de imediato a demissão do primeiro-ministro, considerando-o como um homem «desconsiderado» e declarando-o persona non grata na política húngara. Na segunda-feira, centenas de militantes de direita exigiam nas ruas de Budapeste a queda do governo.
A oposição pediu a intervenção do presidente da República, Laszlo Solyom, mas este declarou-se incompetente, alegando que «o primeiro-ministro e o governo são responsáveis perante o parlamento».
Ferenc Gyurcsany, de 44 anos, é um antigo dirigente comunista que fez fortuna na maré de privatizações obscuras dos anos 90, na sequência da derrota do regime socialista.
Nos últimos meses, defraudando expectativas criadas na campanha eleitoral, o governo anunciou uma série de medidas de austeridade, que incluem um aumento de impostos, com vista a reduzir o défice público e preparar a adesão do país ao euro.


Mais artigos de: Europa

O triunfo da direita «travestida»

A «Aliança» das direitas obteve uma vitória, por escassa margem, nas legislativas realizadas no domingo na Suécia, afastando os sociais-democratas, no poder desde há 12 anos.

Coligação indesejada

Os cristãos-democratas, da chanceler alemã Angela Merkel, já admitiram que tiveram um mau resultado nas eleições de domingo, em dois estados alemães. Mas também os sociais-democratas, seus parceiros de coligação no governo, não têm razões para euforias.

GUE/NGL reuniu no Porto

A direcção do Grupo da Esquerda Unitária Europeia/Esquerda Verde Nórdica (GUE/NGL) realizou duas sessões de trabalho no Porto, que incluíram várias reuniões, debates e visitas no distrito.Na segunda-feira, 18, decorreu um debate sobre os problemas da indústria e os direitos dos trabalhadores, no qual participaram o...

Impasse na OMC?

«Estou convicto de que o único caminho que posso recomendar é suspender as negociações da Ronda (...) para permitir uma reflexão séria por parte dos participantes!». Foi com esta palavras que Pascal Lamy, director-geral da Organização Mundial de Comércio (OMC), na tarde do dia 24 de Julho, suspendia as negociações da...