O triunfo da direita «travestida»
A «Aliança» das direitas obteve uma vitória, por escassa margem, nas legislativas realizadas no domingo na Suécia, afastando os sociais-democratas, no poder desde há 12 anos.
Sociais-democratas derrotados após 12 anos consecutivos no governo
O primeiro-ministro Goran Person reconheceu a pesada derrota sofrida pelo seu partido, que perdeu quase cinco pontos percentuais, o que constitui o pior resultado de sempre dos sociais-democratas. «As eleições foram um fracasso. Retiro as consequências. Vou apresentar a minha demissão e do meu governo ao presidente do Parlamento», declarou Person, anunciando ao mesmo tempo que abandonará definitivamente a política.
A eventual vitória da aliança de centro-direita era, desde há vários meses, uma possibilidade avançada por sucessivas sondagens, que registaram a crescente popularidade dos conservadores.
Este resultado é tanto mais surpreendente quanto, nas últimas legislativas de 2002, o Partido Moderado (conservador) sofrera uma quebra acentuada de votos, baixando para 15,3 por cento. Agora, alcançou 26,1 por cento, ou seja, uma subida de 10,9 pontos, assegurando a vitória da aliança de direita, que atingiu no seu conjunto 48,1 por cento contra 46,2 por cento registados pelos partidos do bloco de esquerda, no poder.
Discurso adaptado
Esta recuperação dos conservadores começou quando Fredrik Reinfeldt, um político ultraliberal, tomou as rédeas do Partido Moderado, em 2003, impondo uma mudança de discurso e o abandono das teses mais radicais, designadamente, a destruição do sistema de segurança social e a redução drástica de impostos.
Compreendendo que com vinagre não se apanham moscas, Fredrik Reinfeldt, de 41 anos, passou a disputar com os sociais-democratas os elogios ao estado providência e a ser pródigo na defesa dos trabalhadores. Para tanto não hesitou em «refundar» ideologicamente o seu partido, lançando-o sob a imagem de «novos conservadores» e declarando-o como o «novo partido do trabalho».
Nesta operação de cosmética, Reinfeldt envolveu outros três partidos de direita numa plataforma comum que passou a apresentar-se como alternativa de governo. A «Aliança» proclamou como prioridade política a criação de postos de trabalho, isto apesar de a Suécia ter mantido não só um elevado crescimento económico, na ordem dos cinco por cento ao ano, mas também apresentar uma taxa oficial de desemprego relativamente baixa, inferior a seis por cento.
Contudo, Reinfeldt contestou estes números, preferindo considerar como excluídos do mercado de trabalho todos os que estão na pré-reforma ou com baixa médica e que, segundo ele, poderiam ter um emprego mesmo que fosse a tempo parcial. De acordo com os seus cálculos, mais de um milhão de suecos estariam nesta situação, ou seja, cerca de 17 por cento de uma população de nove milhões de habitantes. Este argumento tornou-se uma das principais armas de arremesso contra o governo social-democrata.
Ataque camuflado
Ao mesmo tempo, a direita começou a introduzir, de forma indirecta, outras ideias que claramente põem em causa a integridade do sistema de protecção social. Recorrendo ao slogan de que «o trabalho deve ser compensador», o futuro primeiro-ministro sueco prometeu «aplicar impostos baixos ou reduzidos sobre os rendimentos normais», o que seria acompanhado de uma diminuição das ajudas sociais do Estado. Tudo para que «a diferença entre trabalhar e não trabalhar seja mais acentuada».
Neste sentido, defendeu a redução do subsídio de desemprego, dos pagamentos por baixa médica e das pré-reformas, que hoje correspondem a 80 por cento do salário até ao máximo de 20 075 coroas (2 180 euros). Com a vitória da direita, estas prestações irão baixar progressivamente para 65 por cento dos salários.
As restantes medidas preconizadas pela da direita incluem a diminuição dos encargos patronais com a contratação de jovens e imigrantes, mas também a supressão das deduções fiscais relativas a contribuições para as caixas do subsídio de desemprego e para as organizações sindicais.
Resultados finais
Os partidos de centro-direita ganharam as eleições com 48,1 por cento dos votos, contra 46,2 por cento obtidos pelo bloco de esquerda. O Partido Social Democrata foi o mais votado com 35,2 por cento (4,8 pontos menos do que em 2002), seguindo-se o Partido Moderado (conservador) com 26,1 por cento (10,9 pontos mais do que há quatro anos).
No bloco de esquerda, o Partido de Esquerda baixou para 5,8 por cento dos votos, perdendo 2,6 por cento, enquanto o Partido Ecologista subiu ligeiramente (0,6%) para 7,9 por cento.
Na «Aliança» de direita, o Partido Centrista passou de 6,2 por cento para 7,9 por cento. O Partido Liberal retrocedeu 5,9 pontos, fixando-se em 7,5 por cento, assim como o Partido Cristão-Democrata, que desceu 2,6 por cento, situando-se em 6,6 por cento.
No futuro parlamento, os sociais-democratas ficam com 130 lugares (perdem 14 deputados), seguindo-se o Partido Moderado com 97 (ganha 97 deputados). Em terceiro lugar, está o Partido Centrista com 29 (ganha sete deputados). O Partido Liberal perde 20 lugares, ficando com 28 e os cristãos-democratas elegem 24, (perdem nove).
Por seu turno, o Partido de Esquerda elegeu 22 deputados (menos oito que em 2002) e o Partido Ecologista reforçou a sua bancada com mais dois deputados num total de 19. O sufrágio de domingo registou uma participação de 80,4 por cento, mais 1,3 por cento que em 2002.
A eventual vitória da aliança de centro-direita era, desde há vários meses, uma possibilidade avançada por sucessivas sondagens, que registaram a crescente popularidade dos conservadores.
Este resultado é tanto mais surpreendente quanto, nas últimas legislativas de 2002, o Partido Moderado (conservador) sofrera uma quebra acentuada de votos, baixando para 15,3 por cento. Agora, alcançou 26,1 por cento, ou seja, uma subida de 10,9 pontos, assegurando a vitória da aliança de direita, que atingiu no seu conjunto 48,1 por cento contra 46,2 por cento registados pelos partidos do bloco de esquerda, no poder.
Discurso adaptado
Esta recuperação dos conservadores começou quando Fredrik Reinfeldt, um político ultraliberal, tomou as rédeas do Partido Moderado, em 2003, impondo uma mudança de discurso e o abandono das teses mais radicais, designadamente, a destruição do sistema de segurança social e a redução drástica de impostos.
Compreendendo que com vinagre não se apanham moscas, Fredrik Reinfeldt, de 41 anos, passou a disputar com os sociais-democratas os elogios ao estado providência e a ser pródigo na defesa dos trabalhadores. Para tanto não hesitou em «refundar» ideologicamente o seu partido, lançando-o sob a imagem de «novos conservadores» e declarando-o como o «novo partido do trabalho».
Nesta operação de cosmética, Reinfeldt envolveu outros três partidos de direita numa plataforma comum que passou a apresentar-se como alternativa de governo. A «Aliança» proclamou como prioridade política a criação de postos de trabalho, isto apesar de a Suécia ter mantido não só um elevado crescimento económico, na ordem dos cinco por cento ao ano, mas também apresentar uma taxa oficial de desemprego relativamente baixa, inferior a seis por cento.
Contudo, Reinfeldt contestou estes números, preferindo considerar como excluídos do mercado de trabalho todos os que estão na pré-reforma ou com baixa médica e que, segundo ele, poderiam ter um emprego mesmo que fosse a tempo parcial. De acordo com os seus cálculos, mais de um milhão de suecos estariam nesta situação, ou seja, cerca de 17 por cento de uma população de nove milhões de habitantes. Este argumento tornou-se uma das principais armas de arremesso contra o governo social-democrata.
Ataque camuflado
Ao mesmo tempo, a direita começou a introduzir, de forma indirecta, outras ideias que claramente põem em causa a integridade do sistema de protecção social. Recorrendo ao slogan de que «o trabalho deve ser compensador», o futuro primeiro-ministro sueco prometeu «aplicar impostos baixos ou reduzidos sobre os rendimentos normais», o que seria acompanhado de uma diminuição das ajudas sociais do Estado. Tudo para que «a diferença entre trabalhar e não trabalhar seja mais acentuada».
Neste sentido, defendeu a redução do subsídio de desemprego, dos pagamentos por baixa médica e das pré-reformas, que hoje correspondem a 80 por cento do salário até ao máximo de 20 075 coroas (2 180 euros). Com a vitória da direita, estas prestações irão baixar progressivamente para 65 por cento dos salários.
As restantes medidas preconizadas pela da direita incluem a diminuição dos encargos patronais com a contratação de jovens e imigrantes, mas também a supressão das deduções fiscais relativas a contribuições para as caixas do subsídio de desemprego e para as organizações sindicais.
Resultados finais
Os partidos de centro-direita ganharam as eleições com 48,1 por cento dos votos, contra 46,2 por cento obtidos pelo bloco de esquerda. O Partido Social Democrata foi o mais votado com 35,2 por cento (4,8 pontos menos do que em 2002), seguindo-se o Partido Moderado (conservador) com 26,1 por cento (10,9 pontos mais do que há quatro anos).
No bloco de esquerda, o Partido de Esquerda baixou para 5,8 por cento dos votos, perdendo 2,6 por cento, enquanto o Partido Ecologista subiu ligeiramente (0,6%) para 7,9 por cento.
Na «Aliança» de direita, o Partido Centrista passou de 6,2 por cento para 7,9 por cento. O Partido Liberal retrocedeu 5,9 pontos, fixando-se em 7,5 por cento, assim como o Partido Cristão-Democrata, que desceu 2,6 por cento, situando-se em 6,6 por cento.
No futuro parlamento, os sociais-democratas ficam com 130 lugares (perdem 14 deputados), seguindo-se o Partido Moderado com 97 (ganha 97 deputados). Em terceiro lugar, está o Partido Centrista com 29 (ganha sete deputados). O Partido Liberal perde 20 lugares, ficando com 28 e os cristãos-democratas elegem 24, (perdem nove).
Por seu turno, o Partido de Esquerda elegeu 22 deputados (menos oito que em 2002) e o Partido Ecologista reforçou a sua bancada com mais dois deputados num total de 19. O sufrágio de domingo registou uma participação de 80,4 por cento, mais 1,3 por cento que em 2002.