Coligação indesejada
Os cristãos-democratas, da chanceler alemã Angela Merkel, já admitiram que tiveram um mau resultado nas eleições de domingo, em dois estados alemães. Mas também os sociais-democratas, seus parceiros de coligação no governo, não têm razões para euforias.
Neonazis aproveitam descrédito dos grandes partidos
Um ano após as eleições legislativas, os dois sufrágios regionais, em Berlim e Mecklemburg-Pomerânia ocidental, deram um sinal claro da rejeição dos alemães à «grande coligação» governamental.
A conclusão foi tirada pela própria Angela Merkel ao admitir, na segunda-feira, 18, que «a coligação já não é desejada» nestes dois estados, que contam com 3,8 milhões de eleitores, dos quais apenas cerca de 60 por cento votaram.
Em Berlim, depois de ter apostado forte na vitória do seu candidato, os democratas cristãos (CDU) averbaram o seu pior resultado desde o pós-guerra, recolhendo apenas 21,3 por cento dos votos.
Aqui, os sociais-democratas (SPD) asseguraram a vitória, subindo até ligeiramente em relação a 2001 (30,8% contra 29,7%). Em teoria estariam em condições para renovar a coligação com o Partido Esquerda.PDS (Linkspartei), com o qual governam a capital há oito anos.
Contudo, o Linkspartei saiu muito enfraquecido deste acto eleitoral, tendo perdido cerca de dez pontos percentuais (13,4% contra 22,6% 2001). Na parte oriental da cidade, antiga capital da RDA, a queda ainda foi maior, chegando a quase 20 por cento.
Para além do desgaste que resulta do exercício do poder ao lado do SPD, o Linkspartei perdeu votos a favor do seu aliado nas legislativas, a Alternativa Eleitoral para o Trabalho e a Justiça Social (WASG), cuja direcção berlinense se recusou a integrar uma lista comum, contrariando a orientação das direcções nacionais dos dois partidos que iniciaram um processo de fusão cuja conclusão está prevista para 2007.
Neste contexto, o actual presidente social-democrata de Berlim, Klaus Wowereit, mostrou-se reservado quanto à composição do futuro governo local, apenas adiantando que irá negociar com o Linkspartei e com os «Verdes» (estes subiram quatro pontos atingindo os 13,1%) para escolher o parceiro «mais social-democrata possível».
Um voto de protesto
Mecklemburg-Pomerânia (noroeste, antiga RDA) é o estado socialmente mais desfavorecido do país. Com uma taxa de desemprego de 18 por cento, a descrença nas actuais políticas e o agravamento das condições de vida, em especial para os jovens, foram terreno fértil para a extrema-direita neonazi que, pela primeira vez neste land, obteve 7,3 por cento dos votos conquistando seis lugares no parlamento regional.
Embora tenha sido a força mais votada, com 30,2 por cento dos votos, o SPD foi ao mesmo tempo o partido mais penalizado, perdendo dez pontos percentuais em relação às anteriores eleições de 2002.
Por seu turno, os conservadores (CDU) também registaram uma quebra eleitoral, recolhendo 28,8 por cento dos votos, ou seja, menos 2,6 pontos percentuais.
Em contrapartida, o Partido Esquerda.PDS, que tem integrado os governos regionais com o SPD, manteve-se estável nos 16,8 por cento.
O ascenso dos neonazis
Reavivando nos mais idosos memórias de um passado terrível, a subida acentuada dos neonazis do NPD (Partido Nacional-Democrata da Alemanha), que progrediu 6,5 por cento, foi motivo de consternação geral em Mecklemburg-Pomerânia, um pequeno land com 1,7 milhões de habitantes.
Para Peter Deustchland, presidente da Confederação dos Sindicatos (DGB) para o Norte da Alemanha, «os partidos democráticos têm uma grande responsabilidade na subida do NPD». Citado na edição de terça-feira do diário francês Le Monde, este sindicalista observa: «Não basta anunciar programas de investimento antes de cada eleição. É preciso, no dia-a-dia, chegar mais perto dos jovens».
E terá sido precisamente entre os jovens eleitores, para os quais não há perspectivas de emprego ou de futuro, que a campanha demagógica e populista do NPD encontrou mais eco.
Contrariamente ao habitual, os incitamentos ao ódio racial foram arredados do discurso principal dos neonazis. Desta vez apostaram numa crítica ao capitalismo e na denúncia dos seus efeitos. O desemprego, a subida dos preços da electricidade ou os casos de corrupção foram os temas que dominaram a propaganda do NPD.
Se bem que inexpressiva em termos nacionais, a extrema-direita alemã tem vindo a penetrar nos parlamentos regionais do país. O NPD conta com representantes eleitos no land da Saxónia, onde registou uma votação de 9,2 por cento em 2004. Outro partido da mesma família ideológica, a União Popular Alemã (DVU), está hoje presente nos parlamentos de Brandeburgo, no leste, e em Breme, no oeste. Já em 1998, a DVU tinha registado um resultado recorde de 12,8 por cento no estado da Saxónia-Anhalt
A conclusão foi tirada pela própria Angela Merkel ao admitir, na segunda-feira, 18, que «a coligação já não é desejada» nestes dois estados, que contam com 3,8 milhões de eleitores, dos quais apenas cerca de 60 por cento votaram.
Em Berlim, depois de ter apostado forte na vitória do seu candidato, os democratas cristãos (CDU) averbaram o seu pior resultado desde o pós-guerra, recolhendo apenas 21,3 por cento dos votos.
Aqui, os sociais-democratas (SPD) asseguraram a vitória, subindo até ligeiramente em relação a 2001 (30,8% contra 29,7%). Em teoria estariam em condições para renovar a coligação com o Partido Esquerda.PDS (Linkspartei), com o qual governam a capital há oito anos.
Contudo, o Linkspartei saiu muito enfraquecido deste acto eleitoral, tendo perdido cerca de dez pontos percentuais (13,4% contra 22,6% 2001). Na parte oriental da cidade, antiga capital da RDA, a queda ainda foi maior, chegando a quase 20 por cento.
Para além do desgaste que resulta do exercício do poder ao lado do SPD, o Linkspartei perdeu votos a favor do seu aliado nas legislativas, a Alternativa Eleitoral para o Trabalho e a Justiça Social (WASG), cuja direcção berlinense se recusou a integrar uma lista comum, contrariando a orientação das direcções nacionais dos dois partidos que iniciaram um processo de fusão cuja conclusão está prevista para 2007.
Neste contexto, o actual presidente social-democrata de Berlim, Klaus Wowereit, mostrou-se reservado quanto à composição do futuro governo local, apenas adiantando que irá negociar com o Linkspartei e com os «Verdes» (estes subiram quatro pontos atingindo os 13,1%) para escolher o parceiro «mais social-democrata possível».
Um voto de protesto
Mecklemburg-Pomerânia (noroeste, antiga RDA) é o estado socialmente mais desfavorecido do país. Com uma taxa de desemprego de 18 por cento, a descrença nas actuais políticas e o agravamento das condições de vida, em especial para os jovens, foram terreno fértil para a extrema-direita neonazi que, pela primeira vez neste land, obteve 7,3 por cento dos votos conquistando seis lugares no parlamento regional.
Embora tenha sido a força mais votada, com 30,2 por cento dos votos, o SPD foi ao mesmo tempo o partido mais penalizado, perdendo dez pontos percentuais em relação às anteriores eleições de 2002.
Por seu turno, os conservadores (CDU) também registaram uma quebra eleitoral, recolhendo 28,8 por cento dos votos, ou seja, menos 2,6 pontos percentuais.
Em contrapartida, o Partido Esquerda.PDS, que tem integrado os governos regionais com o SPD, manteve-se estável nos 16,8 por cento.
O ascenso dos neonazis
Reavivando nos mais idosos memórias de um passado terrível, a subida acentuada dos neonazis do NPD (Partido Nacional-Democrata da Alemanha), que progrediu 6,5 por cento, foi motivo de consternação geral em Mecklemburg-Pomerânia, um pequeno land com 1,7 milhões de habitantes.
Para Peter Deustchland, presidente da Confederação dos Sindicatos (DGB) para o Norte da Alemanha, «os partidos democráticos têm uma grande responsabilidade na subida do NPD». Citado na edição de terça-feira do diário francês Le Monde, este sindicalista observa: «Não basta anunciar programas de investimento antes de cada eleição. É preciso, no dia-a-dia, chegar mais perto dos jovens».
E terá sido precisamente entre os jovens eleitores, para os quais não há perspectivas de emprego ou de futuro, que a campanha demagógica e populista do NPD encontrou mais eco.
Contrariamente ao habitual, os incitamentos ao ódio racial foram arredados do discurso principal dos neonazis. Desta vez apostaram numa crítica ao capitalismo e na denúncia dos seus efeitos. O desemprego, a subida dos preços da electricidade ou os casos de corrupção foram os temas que dominaram a propaganda do NPD.
Se bem que inexpressiva em termos nacionais, a extrema-direita alemã tem vindo a penetrar nos parlamentos regionais do país. O NPD conta com representantes eleitos no land da Saxónia, onde registou uma votação de 9,2 por cento em 2004. Outro partido da mesma família ideológica, a União Popular Alemã (DVU), está hoje presente nos parlamentos de Brandeburgo, no leste, e em Breme, no oeste. Já em 1998, a DVU tinha registado um resultado recorde de 12,8 por cento no estado da Saxónia-Anhalt