A hipocrisia da UE
A evolução da situação no Médio Oriente continuará a exigir, pela sua gravidade, importância e complexidade, assim como pelos perigos e ameaças que continuam a colocar-se, um sério acompanhamento e uma activa solidariedade para com os povos palestiniano e libanês.
Após dois meses do início da brutal agressão de Israel ao Líbano e um mês depois da aprovação da resolução 1701 do Conselho de Segurança das Nações Unidas, as tropas israelitas continuam a ocupar posições no Sul do Líbano, depois de semearem a destruição.
Aliás, Israel tem utilizado todas as ambiguidades (intencionais) da resolução 1701 do Conselho de Segurança das Nações Unidas para continuar a minar a soberania do Líbano, procurando que as forças estrangeiras assumam, entre outros aspectos, o controlo das águas territoriais, do espaço aéreo e de regiões deste país. Tentativa que, até ao momento, a unidade entre as diferentes forças libanesas tem conseguido, de certa forma, minimizar, impondo a necessidade de um mandato das autoridades libanesas para a acção da UNIFIL.
Nos territórios ocupados da Palestina, Israel, praticando o terrorismo de estado, reforça a ocupação, amplia os colonatos, constrói o muro, impõe um bloqueio, destrói sistematicamente infra-estruturas, prende milhares de palestinianos, reprime e humilha, provocando uma insustentável e dramática situação humanitária, por exemplo, em Gaza, transformada por Israel num autêntico campo de concentração, após uma cínica «retirada».
As razões da agudização da situação radicam no projecto dos EUA de remodelação do mapa político do Médio Oriente, de controlo geoestratégico e dos amplos recursos energéticos desta região. Para tal promovem a ingerência, o desrespeito da soberania e do direito internacional, a militarização das relações internacionais e os focos de tensão nesta região. A agressão ao Líbano seria o prelúdio de novas agressões ao Irão e à Síria - as tais dores de parto de um dito Novo Médio Oriente à medida dos interesses dos EUA – que, a verificarem-se, teriam profundas consequências para esta região e para o mundo.
Jogo de cumplicidades
Embora num quadro de contradições, tem prevalecido a articulação e a concertação entre as principais potências da UE e os EUA relativamente ao Médio Oriente.
O processo de elaboração da resolução 1701 testemunha-o. Recorde-se que os EUA e a França, com o apoio da Alemanha e da Grã-Bretanha, negociaram uma primeira proposta de resolução que manietava totalmente a soberania e independência do Líbano. Esta proposta foi rejeitada pelas autoridades deste país, posição alicerçada na firme resistência e unidade do povo libanês face à agressão e ocupação israelita. A resolução 1701, depois de alterada e prenhe de ambiguidades, acabou por ser aprovada sem que condenasse a agressão de Israel e exigisse o cessar-fogo e a retirada imediata das tropas de ocupação israelitas.
A União Europeia sempre branqueou as profundas responsabilidades e crimes perpetrados por Israel, colocando ao mesmo nível o agressor, Israel, e a sua acção criminosa, e as suas vítimas, os povos palestiniano e libanês, e o seu legitimo direito à resistência face à agressão e ocupação. União Europeia que durante os mais de trinta dias de barbárie israelita contra o Líbano manteve, no mínimo, um silêncio cúmplice.
Da mesma forma, a União Europeia, depois de ter exigido eleições na Palestina, participou activamente no isolamento da Autoridade palestiniana e na sua asfixia financeira, atrelada às decisões dos EUA e de Israel, sendo co-responsável pelo agravamento da dramática situação do povo palestiniano.
No entanto, a firme e corajosa resistência dos povos palestiniano e libanês - para a qual é fundamental a sua unidade, o encontrar consensos e ultrapassar contradições para fazer face à agressão e ocupação israelita - tem imposto reveses aos intentos das forças imperialistas.
O caminho da paz
Como temos vindo a afirmar, a paz e a segurança internacional só será construída através da solução pacifica dos conflitos internacionais, da não ingerência nos assuntos internos de outros países e do respeito do direito internacional.
Uma paz justa e global para o Médio Oriente exige a retirada de Israel de todos os territórios árabes ocupados, o desmantelamento dos colonatos e do muro, a libertação dos prisioneiros palestinianos por parte de Israel, o retorno dos refugiados, a criação de um estado palestiniano independente e soberano, com capital em Jerusalém Leste. Uma paz justa e global para o Médio Oriente exige a garantia de todos os estados à sua soberania e segurança, a sua desmilitarização e desnuclearização.
Após dois meses do início da brutal agressão de Israel ao Líbano e um mês depois da aprovação da resolução 1701 do Conselho de Segurança das Nações Unidas, as tropas israelitas continuam a ocupar posições no Sul do Líbano, depois de semearem a destruição.
Aliás, Israel tem utilizado todas as ambiguidades (intencionais) da resolução 1701 do Conselho de Segurança das Nações Unidas para continuar a minar a soberania do Líbano, procurando que as forças estrangeiras assumam, entre outros aspectos, o controlo das águas territoriais, do espaço aéreo e de regiões deste país. Tentativa que, até ao momento, a unidade entre as diferentes forças libanesas tem conseguido, de certa forma, minimizar, impondo a necessidade de um mandato das autoridades libanesas para a acção da UNIFIL.
Nos territórios ocupados da Palestina, Israel, praticando o terrorismo de estado, reforça a ocupação, amplia os colonatos, constrói o muro, impõe um bloqueio, destrói sistematicamente infra-estruturas, prende milhares de palestinianos, reprime e humilha, provocando uma insustentável e dramática situação humanitária, por exemplo, em Gaza, transformada por Israel num autêntico campo de concentração, após uma cínica «retirada».
As razões da agudização da situação radicam no projecto dos EUA de remodelação do mapa político do Médio Oriente, de controlo geoestratégico e dos amplos recursos energéticos desta região. Para tal promovem a ingerência, o desrespeito da soberania e do direito internacional, a militarização das relações internacionais e os focos de tensão nesta região. A agressão ao Líbano seria o prelúdio de novas agressões ao Irão e à Síria - as tais dores de parto de um dito Novo Médio Oriente à medida dos interesses dos EUA – que, a verificarem-se, teriam profundas consequências para esta região e para o mundo.
Jogo de cumplicidades
Embora num quadro de contradições, tem prevalecido a articulação e a concertação entre as principais potências da UE e os EUA relativamente ao Médio Oriente.
O processo de elaboração da resolução 1701 testemunha-o. Recorde-se que os EUA e a França, com o apoio da Alemanha e da Grã-Bretanha, negociaram uma primeira proposta de resolução que manietava totalmente a soberania e independência do Líbano. Esta proposta foi rejeitada pelas autoridades deste país, posição alicerçada na firme resistência e unidade do povo libanês face à agressão e ocupação israelita. A resolução 1701, depois de alterada e prenhe de ambiguidades, acabou por ser aprovada sem que condenasse a agressão de Israel e exigisse o cessar-fogo e a retirada imediata das tropas de ocupação israelitas.
A União Europeia sempre branqueou as profundas responsabilidades e crimes perpetrados por Israel, colocando ao mesmo nível o agressor, Israel, e a sua acção criminosa, e as suas vítimas, os povos palestiniano e libanês, e o seu legitimo direito à resistência face à agressão e ocupação. União Europeia que durante os mais de trinta dias de barbárie israelita contra o Líbano manteve, no mínimo, um silêncio cúmplice.
Da mesma forma, a União Europeia, depois de ter exigido eleições na Palestina, participou activamente no isolamento da Autoridade palestiniana e na sua asfixia financeira, atrelada às decisões dos EUA e de Israel, sendo co-responsável pelo agravamento da dramática situação do povo palestiniano.
No entanto, a firme e corajosa resistência dos povos palestiniano e libanês - para a qual é fundamental a sua unidade, o encontrar consensos e ultrapassar contradições para fazer face à agressão e ocupação israelita - tem imposto reveses aos intentos das forças imperialistas.
O caminho da paz
Como temos vindo a afirmar, a paz e a segurança internacional só será construída através da solução pacifica dos conflitos internacionais, da não ingerência nos assuntos internos de outros países e do respeito do direito internacional.
Uma paz justa e global para o Médio Oriente exige a retirada de Israel de todos os territórios árabes ocupados, o desmantelamento dos colonatos e do muro, a libertação dos prisioneiros palestinianos por parte de Israel, o retorno dos refugiados, a criação de um estado palestiniano independente e soberano, com capital em Jerusalém Leste. Uma paz justa e global para o Médio Oriente exige a garantia de todos os estados à sua soberania e segurança, a sua desmilitarização e desnuclearização.