Exames do secundário

Total incompetência na Educação

A ministra da Educação está a tentar «tapar o Sol com a peneira», ao culpar os professores pelas falhas nos exames, acusa o Sindicato dos Professores da Região Centro (SPRC/Fenprof).

O Ministério não reconhece os graves erros que cometeu

A estrutura sindical acusou a ministra de tentar «desviar a responsabilidade dos insucessos para os docentes, mais uma vez» e de incapacidade para reconhecer que «cometeu graves erros» nos exames do ensino secundário.
Os resultados dos alunos na avaliação dos seus conhecimentos sobre os novos programas de ensino não foram nenhuma surpresa para o SPRC.
Segundo o sindicato, as «cargas horárias desajustadas, os programas extensos e uma outra lógica de organização da aprendizagem implicaria a tomada de medidas ajustadas, como desde o início o SPRC e a Federação Nacional dos Professores (Fenprof/CGTP-IN) tinham alertado mas os sucessivos governos recusaram admitir».
Adicionando a esta realidade a incorrecta concepção das provas e os erros nos próprios enunciados, «a mistura é verdadeiramente explosiva».
O sindicato salienta que só na véspera de ser interpelada na Assembleia da República é que «a ministra anunciou medidas no âmbito da formação contínua para colmatar pretensas falhas na formação dos docentes».

Insensibilidade

A segunda oportunidade dada a alguns dos alunos, em detrimento de todos os outros é, para o SPRC/Fenprof, a prova da ausência de sensibilidade social para com todos os que se encontram igualmente desfavorecidos, «num quadro de grande desequilíbrio provocado por uma avaliação selectiva que pode distorcer a realidade das aprendizagens realizadas ao longo dos três anos do ensino secundário».
O sindicato lembra que, a 30 de Setembro do ano passado, apresentou um plano de formação onde estava incluída uma acção denominada «Conteúdos e competências a adquirir nas actividades experimentais no novo programa de Química do 12.º ano», entre outras. Mas o plano não foi aceite com o argumento da contenção orçamental.
O SPRC protestou mas o Provedor de Justiça «reforçou a posição do Ministério», ao reiterar a existência de constrangimentos financeiros para a formação. O resultado está à vista.

Instabilidade

No dia 19, o Sindicato dos Professores da Grande Lisboa (SPGL/CGTP-IN) saudou o recuo do Ministério da Educação (ME), depois de a Direcção Geral da Administração Pública ter retirado o seu projecto relativo à contratação.
A contratação e a reclassificação dos docentes declarados incapacitados faz parte do processo negocial que se inicia hoje, no âmbito do novo Estatuto da Carreira Docente, mas o Ministério «pretendia impor a nova legislação, à revelia do processo negocial», acusou o sindicato.
A fim de sensibilizar a opinião pública para a situação de instabilidade laboral, a Frente dos Professores e Educadores Contratados e Desempregados efectuou, dia 20, uma concentração de protesto, frente ao Ministério da Educação, em Lisboa.
No último encontro, de dia 18, subordinado a estas matérias, entre o Ministério e a Fenprof/CGTP-IN, não compareceu «qualquer responsável político», o que levou a
Federação sindical a considerar insuficiente a disponibilidade técnica dos assessores presentes para negociar, protesto que ficou registado na acta do encontro.
Apesar do carácter inconsequente da reunião, o ME anunciou que o encontro de hoje será o último subordinado a estas matérias.
Devido à ausência do secretário de Estado adjunto da Educação ficou também sem resposta a situação dos docentes de música dos conservatórios, a colocação e o «desaparecimento de mais de mil vagas».

Ensino especial

Foi necessário o protesto dos professores de técnicas especiais a exigir uma reunião com o Ministério da Educação para que este tenha, finalmente, acedido a um encontro, dia 21, entre a Secretaria de Estado da Educação, a Direcção Geral dos Recursos Humanos e Educativos e a Fenprof, para discutir a sua situação profissional, mas o encontro foi inconclusivo.
Em causa está uma recomendação da Assembleia da República, de 6 de Março, que estabelece a integração dos docentes com dez ou mais anos de serviço e com contratos até ao fim deste ano escolar, mas que está por cumprir.


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