O tribunal e os crimes do imperialismo

Ângelo Alves

Divulgar a verdade histórica e o papel criminoso das grandes potências da NATO

Fez 65 anos, no dia 4 de Julho, que o Partido Comunista da Jugoslávia apelou ao levantamento armado contra os ocupantes nazis. Em Maio de 1945 quando o Exército Popular de Libertação conduzido por Tito já tinha libertado grande parte do país, as forças invasoras fascistas foram obrigadas a capitular. O plano de liquidação do mais importante Estado dos Balcãs anunciado por Hitler, a 27 de Março de 1941, falhara, assim como as instruções do ditador alemão para que sobretudo os sérvios e os eslovenos fossem duramente castigados. Passados 50 anos, em Setembro de 1991, o ministro da Defesa da Alemanha, Rupert Scholz, num encontro do patronato alemão com generais da Bundeswehr formulou objectivo idêntico ao afirmar que nos Balcãs os resultados da I Grande Guerra tinham de ser revistos. Desde então, o mundo assistiu ao desmantelamento da Jugoslávia, à diabolização da Sérvia e dos seus dirigentes pelas potências da NATO e à reposição do domínio imperialista nos Balcãs. Sob o pretexto de evitar uma «catástrofe humanitária», a NATO concluiu finalmente o que o nazismo com a sua doutrina da «superioridade da raça ariana» e do «combate contra o marxismo» não conseguira durante a II Guerra Mundial.

Decorridos sete anos de intervenções «humanitárias» e de «guerra contra o terrorismo», os povos começam a aperceber-se cada vez mais dos métodos criminosos e da natureza agressiva do imperialismo. Se o objectivo do tribunal da NATO na Holanda fosse, como afirmam as potências ocidentais, esclarecer as situações de extrema violência ocorridas durante a guerra civil nos Balcãs, não faltariam crimes cometidos pela NATO e os seus aliados, a começar pelo ritual do corte de cabeças aos sérvios prisioneiros dos partidários de Izetbegovic. Um dos aspectos mais obscuros da actual situação no Iraque, além dos massacres, das torturas e dos assassinatos cometidos pelas tropas de ocupação norte-amercanas, são as ligações entre o Pentágono, os esquadrões da morte e grupos de violência religiosa.

Dos 17 pontos da acusação elaborados pela comissão independente que, sob a direcção do antigo ministro americano da Justiça, Ramsey Clark, investigou os crimes dos EUA e da NATO nos Balcãs destacam-se: «planeamento e execução do desmembramento, da fractura étnica e ruína económica da Jugoslávia», «incitamento e apoio à violência entre os vários grupos étnicos», «impedimento e sabotagem dos esforços para a conservação da unidade, da paz e da estabilidade», «liquidação do papel da ONU como garante da paz», «assassínio da população civil e de pessoas indefesas», «destruição e danificação de instituições e instalações económicas, sociais, culturais, hospitalares, diplomáticas, religiosas e dos seus haveres», «utilização de armas de urânio e de outras armas proibidas», etc…

Ao retomar o processo contra o ex-presidente Milutinovic e vários comandantes militares sérvios, o tribunal de Haia para tentar evitar que a NATO passe de acusadora a acusada - o que já acontecera durante o processo contra Milosevic - aconselhou a acusação a retirar o ponto referente ao «massacre de Rugova», inventado pelo ministro da Defesa da Alemanha, Scharping. Mas, este ponto é extremamente importante, pois serviu de pretexto à Aliança Militar para o desencadeamento da agressão e para o bombardeamento de Belgrado e de outras cidades sérvias durante 78 dias.
Divulgar a verdade histórica e o papel criminoso das grandes potências da NATO no processo de desmantelamento da Jugoslávia é fundamental para se compreender o vendaval de mentiras, a estratégia de devidir para reinar, do incitamento às confrontações étnicas e religiosas, e das alianças entre forças reaccionárias que envolvem as agressões imperialistas em todo mundo.


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