Atenção à Europa!
Não basta vencer a direita, é preciso derrotar e romper com a política de direita
Dois acontecimentos e dois países europeus foram nos últimos tempos notícia: a luta contra o CPE (contrato primeiro emprego) em França e as eleições na Itália. São eles que suscitam este comentário.
Outros acontecimentos importantes tiveram lugar por essa Europa fora, alguns dos quais, como as eleições na Bielurússia e a descarada ingerência imperialista nesse país, tiveram já tratamento nesta coluna. Na Alemanha da «grande coligação» (ambiciosa e arrogante afirmação de grande potência), em Espanha (fortíssima emergência das realidades nacionais), na Grã-Bretanha (provável ocaso da «era Blair»), na Ucrânia (a forte resistência à contra-revolução «laranja» que as eleições evidenciaram), na Sérvia/Montenegro (com o imperialismo procurando levar até ao fim a sua monstruosa obra de destruição da Jugoslávia) ou na Polónia (novos passos na criminalização da Polónia popular acusando um ex-presidente da República de «crime comunista»), desenvolvem-se processos que exigem atenção. O quadro político na Europa, e em particular na União Europeia, é muito instável. Devemos estar preparados para desenvolvimentos que – como aconteceu com o «Não» francês e holandês ao chamado «tratado constitucional» – não só desmentem a propaganda do capital como abalam a sua «construção europeia».
A situação é tal, tão grande o desemprego e a incerteza no dia de amanhã, tão brutal o contraste entre os superlucros dos grandes grupos económicos e a deterioração das condições de vida das massas, tão visíveis as nefastas consequências das políticas neoliberais e da dinâmica de militarismo e guerra que lhes está associada, que é inevitável a multiplicação de manifestações de descontentamento contra tal estado de coisas. É sob este ângulo de observação que os recentes acontecimentos em França e na Itália suscitam alguns comentários.
O primeiro, é precisamente o pano de fundo da crise económica e das nefastas consequências sociais das políticas neoliberais. O segundo, a existência de conflitos e divergências nas classes dirigentes (a competição Sarkosy/Villepin pela candidatura da direita às eleições presidenciais, mudança de cavalo da Confederação patronal italiana que agora apoia Prodi) que abrem espaço ao desenvolvimento da luta. O terceiro, a contribuição destacada dos comunistas para os resultados alcançados. O quarto, a importância da luta por objectivos concretos e o decisivo papel da acção de massas que, num caso obrigou à retirada («substituição») do CPE, e noutro caso está por detrás do compromisso de retirada das tropas italianas do Iraque. O quinto, o dinheiro, o populismo, o anticomunismo mais boçal, a instrumentalização mediática, o abuso do poder, tem os seus limites.
Isto não significa entretanto que as importantes derrotas da direita em França e na Itália venham a repercutir positivamente numa questão tão actual e decisiva como é o processo de integração europeu. As dificuldades que têm surgido neste processo, como o «Não» ao «tratado constitucional», não têm impedido que um núcleo duro continue a impulsionar as mais graves medidas de concentração monopolista e de rebaixamento do preço da força de trabalho, a minar direitos e liberdades fundamentais, a militarizar aceleradamente a UE, de modo articulado com os EUA via NATO, e a organizar operações de intervenção e agressão neocolonial como a que está anunciada para o Congo. É por isso que o posicionamento perante este processo é fundamental para avaliar do conteúdo das políticas e do lugar que – partidos, sindicatos, governos - efectivamente ocupam na aguda luta de classes que se trava em torno dos destinos da U.E.. E quanto a isso protagonistas como Prodi não nos deixam nada descansados. Por experiência própria bem sabemos que não basta vencer a direita, é preciso derrotar e romper com a política de direita. E isso, só o reforço das forças revolucionárias e uma fortíssima e persistente luta de massas pode assegurar.
Outros acontecimentos importantes tiveram lugar por essa Europa fora, alguns dos quais, como as eleições na Bielurússia e a descarada ingerência imperialista nesse país, tiveram já tratamento nesta coluna. Na Alemanha da «grande coligação» (ambiciosa e arrogante afirmação de grande potência), em Espanha (fortíssima emergência das realidades nacionais), na Grã-Bretanha (provável ocaso da «era Blair»), na Ucrânia (a forte resistência à contra-revolução «laranja» que as eleições evidenciaram), na Sérvia/Montenegro (com o imperialismo procurando levar até ao fim a sua monstruosa obra de destruição da Jugoslávia) ou na Polónia (novos passos na criminalização da Polónia popular acusando um ex-presidente da República de «crime comunista»), desenvolvem-se processos que exigem atenção. O quadro político na Europa, e em particular na União Europeia, é muito instável. Devemos estar preparados para desenvolvimentos que – como aconteceu com o «Não» francês e holandês ao chamado «tratado constitucional» – não só desmentem a propaganda do capital como abalam a sua «construção europeia».
A situação é tal, tão grande o desemprego e a incerteza no dia de amanhã, tão brutal o contraste entre os superlucros dos grandes grupos económicos e a deterioração das condições de vida das massas, tão visíveis as nefastas consequências das políticas neoliberais e da dinâmica de militarismo e guerra que lhes está associada, que é inevitável a multiplicação de manifestações de descontentamento contra tal estado de coisas. É sob este ângulo de observação que os recentes acontecimentos em França e na Itália suscitam alguns comentários.
O primeiro, é precisamente o pano de fundo da crise económica e das nefastas consequências sociais das políticas neoliberais. O segundo, a existência de conflitos e divergências nas classes dirigentes (a competição Sarkosy/Villepin pela candidatura da direita às eleições presidenciais, mudança de cavalo da Confederação patronal italiana que agora apoia Prodi) que abrem espaço ao desenvolvimento da luta. O terceiro, a contribuição destacada dos comunistas para os resultados alcançados. O quarto, a importância da luta por objectivos concretos e o decisivo papel da acção de massas que, num caso obrigou à retirada («substituição») do CPE, e noutro caso está por detrás do compromisso de retirada das tropas italianas do Iraque. O quinto, o dinheiro, o populismo, o anticomunismo mais boçal, a instrumentalização mediática, o abuso do poder, tem os seus limites.
Isto não significa entretanto que as importantes derrotas da direita em França e na Itália venham a repercutir positivamente numa questão tão actual e decisiva como é o processo de integração europeu. As dificuldades que têm surgido neste processo, como o «Não» ao «tratado constitucional», não têm impedido que um núcleo duro continue a impulsionar as mais graves medidas de concentração monopolista e de rebaixamento do preço da força de trabalho, a minar direitos e liberdades fundamentais, a militarizar aceleradamente a UE, de modo articulado com os EUA via NATO, e a organizar operações de intervenção e agressão neocolonial como a que está anunciada para o Congo. É por isso que o posicionamento perante este processo é fundamental para avaliar do conteúdo das políticas e do lugar que – partidos, sindicatos, governos - efectivamente ocupam na aguda luta de classes que se trava em torno dos destinos da U.E.. E quanto a isso protagonistas como Prodi não nos deixam nada descansados. Por experiência própria bem sabemos que não basta vencer a direita, é preciso derrotar e romper com a política de direita. E isso, só o reforço das forças revolucionárias e uma fortíssima e persistente luta de massas pode assegurar.