Amargura na «Operação Colmeia»
Na data do terceiro aniversário da invasão e ocupação do Iraque, forças conjuntas dos exércitos norte-americano e iraquiano lançaram a maior ofensiva militar desde o início da guerra.
«A Time sustenta que 15 civis, entre os quais sete mulheres e três crianças, foram fuzilados»
Mais de 1500 soldados, cerca de 200 veículos blindados e meia centena de aeronaves foram mobilizados, a partir de quinta-feira da semana passada, pelo comando dos EUA, para a maior operação militar no terreno desde o início da invasão e ocupação do Iraque.
O vale do rio Eufrates tem sido fustigado, nas últimas semanas, com bombardeamentos e incursões das tropas colonizadoras, movidas contra cidades e vilas consideradas como bastiões da resistência, mas a concentração de meios em torno de Samarra, a cerca de 100 quilómetros a Norte da capital, Bagdad, faz temer pela repetição dos cenários de crime de guerra ocorridos em Fallujah e Tall Afar.
Para já, ao fim de uma semana da «Operação Colmeia», foram já feitas centenas de detenções de presumíveis insurgentes. Testemunhos de habitantes locais, citados por agências internacionais, indicam fortes explosões na região, mas fontes ligadas ao exército norte-americano recusaram-se a confirmar as informações.
Entretanto, os combates alastraram com violência a toda a região. Na cidade de Dhuluiyah, entre Samarra e Bagdad, pelo menos sete resistentes perderam a vida na sequência de uma emboscada contra uma coluna militar. A este ataque soma-se um outro, de semelhante configuração, realizado no sábado, do qual resultou a destruição de um veículo militar dos EUA.
Em face da repressão, a resistência ripostou, terça-feira, abatendo 18 polícias numa troca de tiros junto à esquadra e ao tribunal da cidade de Muqdadiya. Aproximadamente uma centena de guerrilheiros atacaram as instalações munidos de armas automáticas e granadas de morteiro libertando 33 detidos que ali se encontravam. Na operação morreram uma dezena de resistentes e pelo menos outros 15 ficaram feridos.
Mais um crime revelado
Aos temores de crimes de guerra praticados durante a «Operação Colmeia», ainda em curso, juntou-se, esta semana, a revelação por parte da revista Time de um massacre praticado por marines no final do ano passado.
De acordo com a versão da publicação norte-americana, a 19 de Novembro de 2005, um comando dos EUA terá reagido a um ataque da resistência retaliando contra civis em Haditha.
Contrariamente à explicação oficial e ao que se afirma no relatório dos 12 militares envolvidos, a Time sustenta que pelo menos 15 civis, entre os quais sete mulheres e três crianças, foram fuzilados no interior das respectivas habitações completamente desarmados e indefesos.
Para além de dois testemunhos, a revista divulgou um vídeo feito por um alegado estudante de jornalismo onde é possível confirmar a existência de um massacre.
À cautela, o porta-voz da Casa Branca, Scott McClellan, veio desresponsabilizar o presidente dos EUA pela condução da «Operação Colmeia». Segundo o responsável, neste caso, George W. Bush não dá ordens directas à cadeia de comando militar.
Aos esclarecimentos prestados por McClellan, juntam-se as declarações recentes do Chefe de Estado dos EUA e do embaixador daquele país em Bagdad a propósito do terceiro aniversário do início da guerra. Talvez antevendo as amarguras da «Operação Colmeia», ambos afirmaram que «apesar de difícil» a situação no Iraque «não é ainda de guerra civil».
O vale do rio Eufrates tem sido fustigado, nas últimas semanas, com bombardeamentos e incursões das tropas colonizadoras, movidas contra cidades e vilas consideradas como bastiões da resistência, mas a concentração de meios em torno de Samarra, a cerca de 100 quilómetros a Norte da capital, Bagdad, faz temer pela repetição dos cenários de crime de guerra ocorridos em Fallujah e Tall Afar.
Para já, ao fim de uma semana da «Operação Colmeia», foram já feitas centenas de detenções de presumíveis insurgentes. Testemunhos de habitantes locais, citados por agências internacionais, indicam fortes explosões na região, mas fontes ligadas ao exército norte-americano recusaram-se a confirmar as informações.
Entretanto, os combates alastraram com violência a toda a região. Na cidade de Dhuluiyah, entre Samarra e Bagdad, pelo menos sete resistentes perderam a vida na sequência de uma emboscada contra uma coluna militar. A este ataque soma-se um outro, de semelhante configuração, realizado no sábado, do qual resultou a destruição de um veículo militar dos EUA.
Em face da repressão, a resistência ripostou, terça-feira, abatendo 18 polícias numa troca de tiros junto à esquadra e ao tribunal da cidade de Muqdadiya. Aproximadamente uma centena de guerrilheiros atacaram as instalações munidos de armas automáticas e granadas de morteiro libertando 33 detidos que ali se encontravam. Na operação morreram uma dezena de resistentes e pelo menos outros 15 ficaram feridos.
Mais um crime revelado
Aos temores de crimes de guerra praticados durante a «Operação Colmeia», ainda em curso, juntou-se, esta semana, a revelação por parte da revista Time de um massacre praticado por marines no final do ano passado.
De acordo com a versão da publicação norte-americana, a 19 de Novembro de 2005, um comando dos EUA terá reagido a um ataque da resistência retaliando contra civis em Haditha.
Contrariamente à explicação oficial e ao que se afirma no relatório dos 12 militares envolvidos, a Time sustenta que pelo menos 15 civis, entre os quais sete mulheres e três crianças, foram fuzilados no interior das respectivas habitações completamente desarmados e indefesos.
Para além de dois testemunhos, a revista divulgou um vídeo feito por um alegado estudante de jornalismo onde é possível confirmar a existência de um massacre.
À cautela, o porta-voz da Casa Branca, Scott McClellan, veio desresponsabilizar o presidente dos EUA pela condução da «Operação Colmeia». Segundo o responsável, neste caso, George W. Bush não dá ordens directas à cadeia de comando militar.
Aos esclarecimentos prestados por McClellan, juntam-se as declarações recentes do Chefe de Estado dos EUA e do embaixador daquele país em Bagdad a propósito do terceiro aniversário do início da guerra. Talvez antevendo as amarguras da «Operação Colmeia», ambos afirmaram que «apesar de difícil» a situação no Iraque «não é ainda de guerra civil».