Inspirações
Sócrates foi a Helsínquia maravilhar-se com os sucessos da Finlândia.
Apesar da visita ter sido de apenas um dia, o primeiro-ministro português visitou uma escola modelo do Ensino Básico, onde todos os alunos dispõem de um computador, o que lhe permitiu manifestar-se «impressionado» com o sistema finlandês de ensino, em particular na aprendizagem do inglês e na utilização de meios informáticos, dois aspectos que lhe são caros. Não consta no entanto que se tenha impressionado por a referida escola ter 400 alunos e 37 professores no quadro (o que dá a bela média de 10,8 alunos por professor), ou por ser a autarquia a suportar todos os custos de funcionamento, incluindo livros e outros materiais escolares, ou ainda por a política de combate ao insucesso escolar na Finlândia datar dos anos 70.
O que Sócrates reteve, sem dúvida, foi que naquela escola há sempre um professor na sala de aula dedicado exclusivamente a ajudar os alunos com maiores dificuldades na aprendizagem, aspecto que, contexto à parte - condições de trabalho, nível salarial, estabilidade de emprego, etc., etc., etc. - mais se assemelha com o esquema de flexibilidade e polivalência que o Governo quer impor em Portugal.
Em declarações à Lusa, Sócrates disse não estar em causa «a importação do modelo finlandês», não admitiu que «o que aconteceu neste país em termos de processo de desenvolvimento deverá servir-nos de inspiração».
O primeiro-ministro não deixou ainda de notar que a Finlândia «é um país altamente competitivo, mas que tem também elevados níveis de protecção social».
Desconhece-se quando é que os resultados da «inspiração» finlandesa começarão a fazer-se sentir cá pelas nossas bandas, mas não deixa de ser curioso registar que o encantamento de Sócrates ocorre praticamente em simultâneo com o anúncio do brutal aumento das taxas moderadoras nos serviços de saúde, apesar de os portugueses já pagarem mais de 30 por cento do total das despesas nesta área, o que não tem paralelo na Europa dita comunitária.
Em Helsínquia, onde tanto se maravilhou, Sócrates visitou ainda a Nokia - foi agraciado com um telemóvel - sendo surpreendido por ali trabalharem cinco portugueses, todos quadros especializados no domínio do desenvolvimento de software.
Um deles, à fala com o nosso governante, explicou como ali foi parar, em resposta a um anúncio: «Estava sem grandes perspectivas em Portugal e aproveitei a oportunidade da Nokia». Inspirações.
Apesar da visita ter sido de apenas um dia, o primeiro-ministro português visitou uma escola modelo do Ensino Básico, onde todos os alunos dispõem de um computador, o que lhe permitiu manifestar-se «impressionado» com o sistema finlandês de ensino, em particular na aprendizagem do inglês e na utilização de meios informáticos, dois aspectos que lhe são caros. Não consta no entanto que se tenha impressionado por a referida escola ter 400 alunos e 37 professores no quadro (o que dá a bela média de 10,8 alunos por professor), ou por ser a autarquia a suportar todos os custos de funcionamento, incluindo livros e outros materiais escolares, ou ainda por a política de combate ao insucesso escolar na Finlândia datar dos anos 70.
O que Sócrates reteve, sem dúvida, foi que naquela escola há sempre um professor na sala de aula dedicado exclusivamente a ajudar os alunos com maiores dificuldades na aprendizagem, aspecto que, contexto à parte - condições de trabalho, nível salarial, estabilidade de emprego, etc., etc., etc. - mais se assemelha com o esquema de flexibilidade e polivalência que o Governo quer impor em Portugal.
Em declarações à Lusa, Sócrates disse não estar em causa «a importação do modelo finlandês», não admitiu que «o que aconteceu neste país em termos de processo de desenvolvimento deverá servir-nos de inspiração».
O primeiro-ministro não deixou ainda de notar que a Finlândia «é um país altamente competitivo, mas que tem também elevados níveis de protecção social».
Desconhece-se quando é que os resultados da «inspiração» finlandesa começarão a fazer-se sentir cá pelas nossas bandas, mas não deixa de ser curioso registar que o encantamento de Sócrates ocorre praticamente em simultâneo com o anúncio do brutal aumento das taxas moderadoras nos serviços de saúde, apesar de os portugueses já pagarem mais de 30 por cento do total das despesas nesta área, o que não tem paralelo na Europa dita comunitária.
Em Helsínquia, onde tanto se maravilhou, Sócrates visitou ainda a Nokia - foi agraciado com um telemóvel - sendo surpreendido por ali trabalharem cinco portugueses, todos quadros especializados no domínio do desenvolvimento de software.
Um deles, à fala com o nosso governante, explicou como ali foi parar, em resposta a um anúncio: «Estava sem grandes perspectivas em Portugal e aproveitei a oportunidade da Nokia». Inspirações.