Grã-Bretanha

Governo revê parcerias com privados

A recente decisão do governo britânico de reexaminar o contrato com o Barts/Royal London Hospital, a mais importante parceria público-privada no sector da saúde com um orçamento de 1,68 mil milhões de euros, é um sinal das preocupações crescentes com a escalada dos custos destes projectos mistos.
Pioneiro neste modelo agora tão em voga noutros países europeus, inclusive Portugal, no Reino Unido as parcerias público-privado (PPP) estão longe de apresentarem um balanço positivo, revelando-se incapazes, designadamente, de assegurar a necessária renovação do vetusto parque hospitalar.
Segundo relata o diário francês, Le Monde, na sua edição de dia 1, desde a chegada ao poder dos trabalhistas, em 1997, foram suprimidas 12 mil camas, em consequência do nova lógica introduzida pelas PPP.
Entre outros casos conhecidos gestão ineficaz, destacam-se as situações de quase falência dos estabelecimentos hospitalares de Queen Elizabeth Hospital, em Woolwich, bem como do principal hospital de Greenwich. A anulação, há dois anos, do projecto de renovação da unidade de St Mary Paddington é outro exemplo das limitações deste modelo, lançado na Grã-Bretanha em 1996 pelo governo conservador.
No exercício de 2004-2005, os 38 hospitais em PPP continuaram a registar uma exploração deficitária, com perdas estimadas em cerca de 800 milhões de euros.
Por outro lado, o facto de serem entidades privadas a conceber e realizar os projectos, assegurando depois a sua exploração mediante reembolsos estatais escalonados por prazos de 25 a 40 anos, tem dado resultados altamente polémicos na sociedade britânica.
Algumas das críticas referem-se ao sobredimensionamento de novos empreendimentos que contraria a necessidade crescente de serviços de proximidade, embora seja consonante com os interesses das construtoras.
Outras questionam abertamente as opções arquitecturais dos novos hospitais que parecem corresponder mais às preocupações do sector privado em garantir margens de lucros elevadas do que à racionalidade e às reais necessidades dos pacientes. A este propósito, a construção da nova ala do Royal Brompton e Ardfield Hospital tornou-se um escândalo nacional devido aos seus quartos minúsculos.
Enfrentando dificuldades crescentes do Estado em reembolsar estes projectos, a ministra da Saúde, Patricia Hewitt, foi recentemente obrigada a bloquear dez dos 42 projectos já aprovados, no valor global de 17,6 mil milhões de euros.


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