Até à banana?
Com meridiana clareza, esta edição do Avante! apresenta na sua página 25 um curioso apanhado dos últimos desenvolvimentos na «Europa dos ricos» da jigajoga das «OPA’s hostis», agora tão famosa no nosso País desde a investida do capitalista Belmiro de Azevedo sobre a Portugal Telecom.
O artigo enumera duas OPA’s esganadas à nascença pelos governos de França e da Espanha e uma terceira já sob ameaça no Reino Unido, mesmo antes de espreitar a luz do dia.
Resumidamente, em França o Governo de direita liderado por Dominique Villepin cortou, cerce, a OPA (Oferta Pública de Aquisição) da empresa italiana Enel sobre a francesa Suez, com o próprio primeiro-ministro Villepin a afirmar que tal OPA seria «um ataque contra a França», pelo que o Executivo gaulês promoveu a «fusão/absorção» do grupo privado Suez com a companhia Gaz de France (GDF), de modo a liquidar qualquer veleidade aos italianos, argumentando linearmente com «a importância estratégica da energia» e declarando que a fusão das duas empresas francesas, além de originar um dos principais operadores mundiais do ramo, «reforçará a vocação industrial mundial do nosso país».
Em Espanha, o Governo de José Luís Zapatero travou igualmente a OPA anunciada pela eléctrica alemã E.ON sobre a Endesa, o maior operador espanhol no sector da electricidade, com o próprio a declarar que «todos devem compreender que a Espanha também quer ter um empresa forte no sector energético a operar no mercado internacional», pelo que nem sequer «fundiu» ou «absorveu»: limitou-se a ameaçar os alemães de lhes limitar os direitos de voto a 5%.
Finalmente até Tony Blair, o inventor da «terceira via» como caminho mais rápido para o liberalismo selvagem, já ameaçou o gigante energético russo Gazprom de que qualquer OPA sobre o distribuidor britânico Centrica «será examinada com grande severidade».
Uma evidência se impõe, nestes três episódios de «OPA’s» mortas no ovo: a de que, em todos eles, o critério dos respectivos governos foi sempre o de manter o controle estatal sobre empresas e sectores estratégicos, como é o caso da energia.
Para isso não hesitaram em mandar às malvas o sacrossanto «mercado livre» - que os próprios têm defendido com empenho, desde que o alvo da gula especulativa esteja nos outros e não neles -, nem a pôr aos saltos os parceiros/rivais em Itália, na Alemanha ou na Rússia.
Foi neste quadro que surgiu a OPA de Belmiro de Azevedo sobre a PT, com o triplo descaramento de o fazer a partir da sua Sonae que pouco vale em comparação com a PT, de servir de «testa de ferro» a capitais estrangeiros (espanhóis e franceses) interessados no negócio e de se afirmar disposto a desmantelar a PT para satisfazer as dívidas que terá de contrair para a «comprar», obviamente indiferente à destruição de um empresa que é estratégica para o desenvolvimento do País.
Perante isto, o Governo de José Sócrates continua sem dar sinal de pretender exercer os direitos especiais do Estado sobre a PT, impedindo liminarmente a alienação e desmantelamento desta empresa estratégica no sector das comunicações, à semelhança do que prenuncia para o sector energético, onde igualmente já deu mostras de pretender abrir mão do controle de empresas fundamentais como a EDP.
Em França, um governo de direita não hesita em manter na esfera do Estado um sector estratégico como o da energia, em Espanha um executivo dito socialista faz o mesmo, no Reino Unido das «terceiras vias» idem aspas.
O que pretende o Governo «socialista» de José Sócrates? Privatizar e alienar até que a nossa República atinja o supremo estágio da banana?
O artigo enumera duas OPA’s esganadas à nascença pelos governos de França e da Espanha e uma terceira já sob ameaça no Reino Unido, mesmo antes de espreitar a luz do dia.
Resumidamente, em França o Governo de direita liderado por Dominique Villepin cortou, cerce, a OPA (Oferta Pública de Aquisição) da empresa italiana Enel sobre a francesa Suez, com o próprio primeiro-ministro Villepin a afirmar que tal OPA seria «um ataque contra a França», pelo que o Executivo gaulês promoveu a «fusão/absorção» do grupo privado Suez com a companhia Gaz de France (GDF), de modo a liquidar qualquer veleidade aos italianos, argumentando linearmente com «a importância estratégica da energia» e declarando que a fusão das duas empresas francesas, além de originar um dos principais operadores mundiais do ramo, «reforçará a vocação industrial mundial do nosso país».
Em Espanha, o Governo de José Luís Zapatero travou igualmente a OPA anunciada pela eléctrica alemã E.ON sobre a Endesa, o maior operador espanhol no sector da electricidade, com o próprio a declarar que «todos devem compreender que a Espanha também quer ter um empresa forte no sector energético a operar no mercado internacional», pelo que nem sequer «fundiu» ou «absorveu»: limitou-se a ameaçar os alemães de lhes limitar os direitos de voto a 5%.
Finalmente até Tony Blair, o inventor da «terceira via» como caminho mais rápido para o liberalismo selvagem, já ameaçou o gigante energético russo Gazprom de que qualquer OPA sobre o distribuidor britânico Centrica «será examinada com grande severidade».
Uma evidência se impõe, nestes três episódios de «OPA’s» mortas no ovo: a de que, em todos eles, o critério dos respectivos governos foi sempre o de manter o controle estatal sobre empresas e sectores estratégicos, como é o caso da energia.
Para isso não hesitaram em mandar às malvas o sacrossanto «mercado livre» - que os próprios têm defendido com empenho, desde que o alvo da gula especulativa esteja nos outros e não neles -, nem a pôr aos saltos os parceiros/rivais em Itália, na Alemanha ou na Rússia.
Foi neste quadro que surgiu a OPA de Belmiro de Azevedo sobre a PT, com o triplo descaramento de o fazer a partir da sua Sonae que pouco vale em comparação com a PT, de servir de «testa de ferro» a capitais estrangeiros (espanhóis e franceses) interessados no negócio e de se afirmar disposto a desmantelar a PT para satisfazer as dívidas que terá de contrair para a «comprar», obviamente indiferente à destruição de um empresa que é estratégica para o desenvolvimento do País.
Perante isto, o Governo de José Sócrates continua sem dar sinal de pretender exercer os direitos especiais do Estado sobre a PT, impedindo liminarmente a alienação e desmantelamento desta empresa estratégica no sector das comunicações, à semelhança do que prenuncia para o sector energético, onde igualmente já deu mostras de pretender abrir mão do controle de empresas fundamentais como a EDP.
Em França, um governo de direita não hesita em manter na esfera do Estado um sector estratégico como o da energia, em Espanha um executivo dito socialista faz o mesmo, no Reino Unido das «terceiras vias» idem aspas.
O que pretende o Governo «socialista» de José Sócrates? Privatizar e alienar até que a nossa República atinja o supremo estágio da banana?