Exportações e desemprego

A liderança alemã

A Alemanha manteve em 2005, pelo terceiro ano consecutivo, o título primeira potência exportadora, batendo um novo recorde em valor.

Apesar do recorde das exportações o desemprego aumenta na Alemanha

Apesar de as estatísticas terem revelado, no início deste ano, um novo agravamento do número de desempregados, que voltou a ultrapassar os cinco milhões de indivíduos, a indústria alemã, ao contrário do que seria de supor, passa por um dos melhores momentos da sua história, tendo contribuído de forma decisiva para o excedente comercial recorde de 160,5 mil milhões de euros, registado pelo país durante os 11 meses de 2005.
Segundo os dados oficiais divulgados na passada semana, dia 8, as exportações alemãs cresceram 7,5 por cento, atingindo um valor de 786,1 mil milhões de euros (cerca de seis vezes o PIB de Portugal). Por sua vez, as importações aumentaram 8,7 por cento, fixando-se em 625,6 mil milhões de euros.
Mais uma vez os sectores clássicos da economia alemã (construção automóvel, máquinas-ferramentas e indústria química) - exactamente aqueles que mais trabalhadores têm despedido – foram os principais protagonistas das exportações, cabendo-lhes uma fatia de 46,5 por cento.
Para 2006, a federação dos exportadores (BGA) prevê um novo recorde histórico do excedente comercial, com um crescimento das exportações de oito por cento e de nove por cento das importações, estas últimas empurradas sobretudo pela subida contínua dos preços das matérias-primas e da energia.
Contudo, este optimismo está longe de ser partilhado pela maioria dos trabalhadores alemães, cuja situação se tem degradado de ano para ano, perdendo direitos, poder de compra e os empregos.
A verdade é que, para além de ditarem severas políticas de austeridade salarial e social, o patronato alemão recorre cada vez mais à subcontratação no exterior, aproveitando o baixo custo da mão-de-obra, designadamente nos países vizinhos do centro e leste da Europa.
A estatística oficial regista que a parte de produtos importados incorporada nas exportações alemãs passou de 26,7 por cento, em 1991, para 38 por cento em 2004. Mas a BGA calcula que essa percentagem ronde já hoje os 40 por cento.
A manter-se esta tendência, como tudo indica, a Alemanha transformar-se-á em breve numa placa giratória de produtos importados, aos quais faltará eventualmente colocar a etiqueta de Made in Germany.

Volkswagen duplica lucros
e anuncia despedimentos


O primeiro construtor europeu de automóveis anunciou na sextra-feira, 10, um plano de redução de reestruturação que eliminará 20 mil postos de trabalho nos próximos três anos. O grupo Volkswagen, que detém igualmente a Seat, Skoda, Bentley e Bugatti, emprega em todo o mundo cerca 345 mil trabalhadores, 100 mil dos quais na sua marca principal.
E é precisamente nas unidades Volkswagen que o grupo pensa eliminar um em cada cinco postos de trabalho, alegando que a marca terminou o último exercício «à justa no verde», como explicou o seu presidente, Bernd Pischetsrieder, apontando o dedo ao desfalecimento da produtividade designadamente na Alemanha.
Todavia, à primeira vista, o grupo não tem grandes razões de queixa. Pelo contrário, já que, em 2005, conseguiu duplicar os seus lucros para um valor de 1,12 mil milhões de euros, registando ainda um aumento de 7,1 por cento no volume de negócios que se cifrou em qualquer coisa como 95,26 mil milhões de euros.
Mas a administração faz outras contas, afirmando que estes números são fruto do plano de contenção de custos que permitiu melhorar os resultados finais em cerca de 3,5 mil milhões de euros.
Na calha do encerramento, de acordo com o diário Handelsblatt, estarão assim as fábricas de motores e colunas de direcção de Kassel, Brunswick e Salzgitter, todas em solo alemão.


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