Borlistas
Há jornais que se pelam por um crimezinho. Aliás, se se for a ver bem, o crime e o desastre, a par da promoção do cavaquismo e das suas «bondades» e «competências» passadas, rivalizam com o ar sério e pomposo com que, na generalidade dos media, se tratam as medidas governamentais para «atacar» a crise e com a «boa-vontade» do capital para «criar emprego».
Mais um crime foi cometido no princípio do ano, que é sempre boa altura para o assalto generalizado ao bolso do cidadão. A violência é enorme. E, se não faz sangue como na estrada, aumenta pelo menos a angústia, a fome e a doença nas casas – se as houver – dos trabalhadores e dos reformados que foram trabalhadores. É claro que os media preferem, a falar desta violência, a sangueira de um tiroteio, sobretudo quando mete funeral. E, se os autores forem estrangeiros – negros seria ainda melhor – os jornais e as televisões não param de falar no acontecimento.
Ainda há dias se divulgavam em grandes parangonas que os autores dos assaltos violentos eram cidadãos estrangeiros. Ao ver a notícia nos telejornais, ainda cheguei a pensar, na minha ingenuidade, que falavam do assalto à nossa economia perpetrado pelas multinacionais e pelos monopólios europeus, à pala da legislação liberalizadora e da cumplicidade dos que, em Portugal, puxam os cordelinhos da política de direita.
Quanto aos aumentos de preços, anunciados uma vez, logo deixam de ser notícia. De resto, acabam mesmo por não ser. Por um lado, porque já é trivial que, pelo ano novo, os portugueses sejam brindados com esses aumentos; por outro, porque os aumentos – de preços, que não de salários – são já corriqueiros durante o ano todo; por outro lado, ainda, porque, de facto, de que vale dar uma notícia que toda a gente virá a saber quando conta os tostões que não sobram?
E veio agora o Correio da Manhã titular que os «borlistas entopem tribunais»!
Claro que entopem. E vão continuar a entupir, à medida que qumentam os aumentos. Já viram a como está o preço de um bilhete de transporte público? Já pagaram a portagem na auto-estrada. Já meterem uns litros de gasolina? E, a propósito, já pagaram a renda da casa?
Mais um crime foi cometido no princípio do ano, que é sempre boa altura para o assalto generalizado ao bolso do cidadão. A violência é enorme. E, se não faz sangue como na estrada, aumenta pelo menos a angústia, a fome e a doença nas casas – se as houver – dos trabalhadores e dos reformados que foram trabalhadores. É claro que os media preferem, a falar desta violência, a sangueira de um tiroteio, sobretudo quando mete funeral. E, se os autores forem estrangeiros – negros seria ainda melhor – os jornais e as televisões não param de falar no acontecimento.
Ainda há dias se divulgavam em grandes parangonas que os autores dos assaltos violentos eram cidadãos estrangeiros. Ao ver a notícia nos telejornais, ainda cheguei a pensar, na minha ingenuidade, que falavam do assalto à nossa economia perpetrado pelas multinacionais e pelos monopólios europeus, à pala da legislação liberalizadora e da cumplicidade dos que, em Portugal, puxam os cordelinhos da política de direita.
Quanto aos aumentos de preços, anunciados uma vez, logo deixam de ser notícia. De resto, acabam mesmo por não ser. Por um lado, porque já é trivial que, pelo ano novo, os portugueses sejam brindados com esses aumentos; por outro, porque os aumentos – de preços, que não de salários – são já corriqueiros durante o ano todo; por outro lado, ainda, porque, de facto, de que vale dar uma notícia que toda a gente virá a saber quando conta os tostões que não sobram?
E veio agora o Correio da Manhã titular que os «borlistas entopem tribunais»!
Claro que entopem. E vão continuar a entupir, à medida que qumentam os aumentos. Já viram a como está o preço de um bilhete de transporte público? Já pagaram a portagem na auto-estrada. Já meterem uns litros de gasolina? E, a propósito, já pagaram a renda da casa?