Secreta britânica sabotou autonomia
Depois do arquivamento do processo de «espionagem» contra três membros do Sinn Fein no Parlamento de Stormont, em Belfast, um dos ilibados revelou que, afinal, sempre era um espião só que a soldo dos britânicos...
A alegada rede de «espionagem do IRA» foi montada pelos serviços secretos britânicos
Denis Donaldson, militante de longa data da causa republicana, foi preso, em 4 de Outubro de 2002, juntamente com dois outros camaradas que trabalhavam na assembleia semi-autónoma de Stormont sob acusação de espionagem a favor do Exército Republico Irlandês (IRA).
De imediato, o incidente tomou proporções de escândalo e, dez dias mais tarde, Londres tomava a decisão, que ainda hoje se mantém, de suspender sine die o governo multipartidário, afastando o Sinn Fein de responsabilidades governamentais e congelando o processo de autonomia iniciado com os acordos de Sexta-Feira Santa, assinados em Abril de 1998.
As suspeitas de que tudo não passou de uma encenação com claros intentos políticos confirmaram-se recentemente com o arquivamento do processo contra os três presumidos «espiões».
No passado dia 8, a procuradoria anunciou laconicamente que desistia da acusação considerando que o julgamento deixara de ser do «interesse público». Na ausência de provas incriminatórias, o Tribunal de Belfast declarou os três homens inocentes e ordenou a sua libertação após três anos de cárcere.
Em comunicado, os advogados de defesa reagiram com indignação, acusando os serviços secretos de terem montado uma operação política, de que os seus clientes foram vítimas, com o objectivo de «travar deliberadamente o progresso político no país».
Espião arrependido
Contudo, uma semana mais tarde, sexta-feira, dia 16, a confissão pública de Denis Donaldson provocou uma reviravolta neste tenebroso caso de «espionagem».
Afinal, Donaldson sempre era um espião, só que a soldo dos britânicos, segundo declarou numa conferência de imprensa realizada em Dublin. «Fui recrutado nos anos 80, após ter sido apanhado numa situação comprometedora, numa época em que estava vulnerável. Era um agente britânico remunerado»
Este antigo responsável dos serviços administrativos do Sinn Fein no parlamento de Stormont, afirmando «lamentar profundamente as suas actividades», disse ainda que o caso da rede de espionagem do IRA constituiu «uma montagem dos serviços secretos britânicos» destinada a impedir a participação dos republicanos na governação da Irlanda do Norte.
A direcção do Sinn Fein expulsou o espião arrependido. Contudo, Gery Adams, presidente do partido, fez questão de declarar que Donaldson não «tem nada a temer» em termos de segurança pessoal.
Donalson aderiu ao IRA anos antes do início da guerra civil em 1969. Foi condenado em 1971 a quatro anos de prisão por atentado à bomba contra um edifício oficial. Mais tarde, como destacado dirigente do Sinn fein, desempenhou tarefas de grande responsabilidade, tendo participado, nos anos 90, nas negociações com Londres e instalado o primeiro escritório do partido em Washington.
De imediato, o incidente tomou proporções de escândalo e, dez dias mais tarde, Londres tomava a decisão, que ainda hoje se mantém, de suspender sine die o governo multipartidário, afastando o Sinn Fein de responsabilidades governamentais e congelando o processo de autonomia iniciado com os acordos de Sexta-Feira Santa, assinados em Abril de 1998.
As suspeitas de que tudo não passou de uma encenação com claros intentos políticos confirmaram-se recentemente com o arquivamento do processo contra os três presumidos «espiões».
No passado dia 8, a procuradoria anunciou laconicamente que desistia da acusação considerando que o julgamento deixara de ser do «interesse público». Na ausência de provas incriminatórias, o Tribunal de Belfast declarou os três homens inocentes e ordenou a sua libertação após três anos de cárcere.
Em comunicado, os advogados de defesa reagiram com indignação, acusando os serviços secretos de terem montado uma operação política, de que os seus clientes foram vítimas, com o objectivo de «travar deliberadamente o progresso político no país».
Espião arrependido
Contudo, uma semana mais tarde, sexta-feira, dia 16, a confissão pública de Denis Donaldson provocou uma reviravolta neste tenebroso caso de «espionagem».
Afinal, Donaldson sempre era um espião, só que a soldo dos britânicos, segundo declarou numa conferência de imprensa realizada em Dublin. «Fui recrutado nos anos 80, após ter sido apanhado numa situação comprometedora, numa época em que estava vulnerável. Era um agente britânico remunerado»
Este antigo responsável dos serviços administrativos do Sinn Fein no parlamento de Stormont, afirmando «lamentar profundamente as suas actividades», disse ainda que o caso da rede de espionagem do IRA constituiu «uma montagem dos serviços secretos britânicos» destinada a impedir a participação dos republicanos na governação da Irlanda do Norte.
A direcção do Sinn Fein expulsou o espião arrependido. Contudo, Gery Adams, presidente do partido, fez questão de declarar que Donaldson não «tem nada a temer» em termos de segurança pessoal.
Donalson aderiu ao IRA anos antes do início da guerra civil em 1969. Foi condenado em 1971 a quatro anos de prisão por atentado à bomba contra um edifício oficial. Mais tarde, como destacado dirigente do Sinn fein, desempenhou tarefas de grande responsabilidade, tendo participado, nos anos 90, nas negociações com Londres e instalado o primeiro escritório do partido em Washington.